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«O Cisne Negro» – A procura pela perfeição

Filmes destes são cada vez mais raros no cinema, hoje em dia. Um filme com um baixo orçamento, comparado com outros filmes que estão nomeados para os Óscares 2011, feito nos Estados Unidos, mas com uma técnica mais europeia e menos hollywoodesca, é coisa muito rara. Ainda para mais consegue agarrar um vasto público e crítica que ficam sem fôlego ao assistirem a esta obra-prima. Com “O Cisne Negro”Darren Aronofsky assume-se como um dos mestres da realização do século XXI, com cinco longas-metragens no currículo, todas elas com enorme sucesso da crítica e do público. Darren entrou com o pé direito, em 1998, com “Pi”, o seu primeiro filme, onde nos mostra o seu talento para contos sobre a mente humana, a alma e o corpo. Seguiram-se “A Vida não é um Sonho” (2000), “O Último Capítulo” (2006) e o seu penúltimo filme “O Wrestler” (2008 ) que tal como “O Cisne Negro” é um filme sobre o sofrimento que a arte envolve e carrega. “O Cisne Negro” atinge um grau de excelência raro.

 

Nina (Natalie Portman) pertence à companhia de Ballet de Nova Iorque e praticamente todos os dias da sua vida foram dedicados à dança. Erica (Barbara Hershey), sua mãe, é uma ex-bailarina cuja única obsessão é ver a sua filha triunfar e que, por essa razão, controla todos os seus movimentos. Quando Thomas Leroy (Vincent Cassel), o diretor artístico da companhia, decide substituir a intérprete principal no imortal “O Lago dos Cisnes”, de Tchaikovsky, Nina aparece como uma das escolhas mais prováveis. Mas Lily (Mila Kunis), uma outra jovem em ascensão, revela algumas características essenciais ao papel que faltam a Nina. Assim, à medida que as duas raparigas se tornam cada vez mais próximas, a doce Nina começa a revelar o seu lado mais negro.

 

Baseado no famoso balé dramático “O Lago dos Cisnes”, do compositor russo Tchaikovsky, os argumentistas, Mark Heyman, Andres Heinz e John McLaughlin, fizeram uma adaptação moderna ao Lago dos Cisnes. Tal como na peça, que está dividida em quatro atos, o filme também está dividido da mesma forma e, se formos analisar cada ato, encontramos muitas semelhanças. Ou seja, todo o filme é um “Lago dos Cisnes”, mas adaptado para o século XXI. Aparenta ser uma história simples, mas não é, pelo contrário, é bastante complexa. Tanto estamos no mundo real, como de repente estamos no mundo onírico. Às vezes não conseguimos distinguir o lado bom do lado mau de Nina, pois tudo se assemelha ,tudo se mistura, de forma bastante inteligente. Durante todo o filme temos duas personagens principais, o Cisne Branco e o Cisne Negro que estão dentro de Nina e que Natalie interpreta soberbamente. Estão em constante conflito, pois ambas querem ser perfeitas. Nina prende-nos à cadeira e obriga-nos a querer ver mais o seu lado negro. Há ainda o outro lado negro do filme, que é a personagem Lily. Esta é a antagonista que tenta ficar com o lugar de Nina na peça de ballet e para tal aproxima-se de Nina, chegando ao ponto de as duas se envolverem sexualmente. Pelo menos é o que Nina pensa que aconteceu, mas já nada sabemos, pois Nina está a perder a lucidez. E assim o filme vai passando do género de thrillerpsicológico para o terror.

 

“O Cisne Negro” é um filme bastante complexo, cheio de simbolismos que não são fáceis de decifrar, pelo que teria de ver o filme mais vezes. Mas há símbolos que são claros em todo o filme, como o uso das cores preto e branco e dos espelhos, que mostram uma forte rivalidade entre o cisne branco e o cisne negro.

 

Há uma incessante procura pela perfeição a todos os níveis. Quer pelo realizador Aronofsky que criou esta magnífica obra de arte, explora o filme e a temática ao extremo; quer por Natalie Portman, que com a sua fabulosa interpretação, chega quase a “roubar” o filme só para ela, mas como o filme é tão bom, tal não acontece, a única coisa que Natalie vai “roubar” é o Óscar de Melhor Atriz; quer pela própria Nina, que tenta a todo o custo entregar-se na perfeição aos dois papéis do Lago dos Cisnes, que são tão diferentes. Todos eles se esforçam por atingir a perfeição e mesmo não sabendo o que isso é, pois será algo impossível, os três andam lá muito perto.

 

A equipa técnica do filme fez um excelente trabalho, desde o diretor de fotografia Matthew Libatique que criou uma bela atmosfera para o filme, coma tonalidade certa. A equipa do som também esteve muito bem, tal como Clint Mansell, o compositor da banda sonora do filme, que claramente se baseou na música original de “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky, que é belíssima. Também a equipa de efeitos especiais foi fundamental para o sucesso do filme. Muito do que nós vemos no filme não é real e graças a ela conseguimos acreditar em tudo o que vemos projetado no ecrã, como a transformação de Nina, em Cisne Negro.

 

Com este filme conseguimos compreender muito bem o quão competitivo é o mundo do ballet, entre bailarinas/os, com grandes rivalidades. Um mundo pequeno, onde se trabalha uma vida inteira para alcançar a perfeição, o que é quase impossível. Assistimos a uma transformação notável; mais uma vez, Aronofsky e Portman consagram-se como uns dos melhores artistas de cinema da atualidade e Nina transforma-se numa extraordinária bailarina. É um filme notável! Um dos melhores filmes do ano!

Classificação:

 

Realização: Darren Aronofsky

Argumento: Mark Heyman

Elenco: Natalie Portman,Vincent Cassel, Mila Kunis

EUA/2011 – Thriller

Sinopse: Nina é a bailarina principal do New York City Ballet e vê-se enredada numa teia de intriga competitiva com uma bailarina acabada de chegar à Companhia. Uma viagem excitante e por vezes aterradora através da psique de uma jovem bailarina cujo papel de Rainha dos Cisnes resulta num desempenho para o qual ela se torna assustadoramente perfeita.

Filmes destes são cada vez mais raros no cinema, hoje em dia. Um filme com um baixo orçamento, comparado com outros filmes que estão nomeados para os Óscares 2011, feito nos Estados Unidos, mas com uma técnica mais europeia e menos hollywoodesca, é coisa muito rara. Ainda para mais consegue agarrar um vasto público e …

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Tiago Resende

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