O Videoclube do Eduardo

O Videoclube do Eduardo – A Semana da Justiça

Filme em conversa: The Dark Knight Returns – partes 1 e 2
Género: Animação/Acção
Ano de estreia: 2012/2013
Realizador: Jay Oliva
Elenco: Petter Weller, Ariel Winter, Michael Emerson, Mark Valley
País: Estados Unidos da América

Continuando a tradição desta rubrica durante esta semana, a ideia é rever e depois escrever sobre alguns dos filmes da Warner Brothers focados nas personagens da DC Comics, filmes onde os protagonistas são gente como Super-Homem, Batman, Wonder Woman e os restantes membros da Liga da Justiça – daí o sub-título da rubrica.

O quarto artigo desta semana será portanto sobre “The Dark Knight Returns”, partes 1 e 2.

The Dark Knight Returns_1

Começando por um pouco de contexto para este filme, “The Dark Knight Returns”  é uma Banda-Desenhada escrita por Frank Miller e lançada em quatro partes na década de 80 que veio mudar por completo a forma como o Batman passou a existir. Foi Miller que colocou o “negro” no Cavaleiro Negro de Gotham e com ele Batman deixou de ser visto como o Batman cómico e infantil conhecido pela série “Batman” dos anos 60, mas sim como o Batman que acabou por se tornar no Batman de Burton e Nolan, o Batman atormentado, agressivo, duro e imparável. DKR trouxe não só mais fãs às lojas de B.D. mas acima de tudo mais fãs adultos. Mudou não só a forma como Batman passou a aparecer nas revistas e nos futuros filmes mas a forma como quase todos os super-heróis começaram a ser escritos – mesmo aqueles que não se enquadram de todo neste novo estilo – tudo passou a receber o tratamento “Dark Knight Returns”.

TUDO!
TUDO!

Dito isto, “Dark Knight Returns” partes 1 e 2 são uma adaptação dessa narrativa para o meio audiovisual. Jay Oliva sentou-se na cadeira de realizador e juntamente com a sua equipa de animadores criaram uma adaptação fiel quanto-baste ao produto original mas acima de tudo muito estilizada e peculiar, seguindo a cinematografia típica de um filme Noir com algumas doses de Surrealismo Alemão aqui e ali e uma batalha final entre Batman e Super-Homem que enche o olho a qualquer apreciador de uma boa cena de acção. Devido ao tamanho do projecto essa narrativa acabou por ser dividia e lançada em DVD em duas partes, a primeira em 2012 e a segunda em 2013, mas é a ver ambas as partes juntas – que acaba por passar das duas horas e meia, ao todo – que se ganha uma excelente obra cinematográfica que deveria ter tido o direito de projecção nos cinemas.

A primeira parte começa com uma cidade de Gotham órfã de Batman. Após a morte de Jason Todd – o segundo Robin, seu ajudante – Bruce Wayne – interpretado pelo grande Peter Weller –  retira-se em total isolamento, o Joker  – sentindo-se inútil sem o seu Nemesis – entra em estado de catatonia e um novo grupo de criminosos conhecido como Mutantes toma controlo da cidade, mergulhando-a em medo e caos sem que haja quem lhes faça frente. Isto cria uma espiral de crime cada vez pior. Com um sentido de responsabilidade e culpa em crescendo, Bruce – agora com 55 anos – decide tirar o batmobile da garagem uma última vez para interromper uma eventual explosão no centro da cidade, acabando por salvar a jovem Carrie Kelley, que tanto acaba por chatea-lo que Bruce decide tomar conta dela, tornando-a na sua nova ajudante e voltando a ser o Batman a tempo inteiro, com todo o heroísmo de antigamente mas uma dose mais brutalidade. Ele vence o líder dos Mutantes em combate e o gangue passa agora a chamar-se “Os filhos do Batman”, o que obviamente não agoura coisas boas.

Ao contrário de certos, mais recentes Batmans, este não mata meliantes como se fosse um buffet da morte, mandando-os em vez disso para o hospital.
Ao contrário de certos, mais recentes Batmans, este não mata meliantes como se fosse um buffet da morte, mandando-os em vez disso para o hospital.

A parte 2 começa com o público a virar-se contra o Cavaleiro Negro. Joker – ao ver Batman nas notícias – sai do seu estado catatónico e volta novamente a ser aquilo que sempre foi e numa das suas artimanhas vira a opinião pública contra o Batman. O Super-Homem é então encarregado pelo governo em travar Batman antes que ele cause mais danos e, no culminar de tudo, Batman tem agora o resto do filme para travar o Joker enquanto o Super-Homem o tenta travar a ele.

e como toda a gente sabe, isto acontece.
e como toda a gente sabe, isto acontece.

“The Dark Knight Returns” é então, até este momento, a minha obra favorita de entre os filmes animados da WB e um dos meus filmes favoritos de super-heróis no geral. Todos os outros filmes têm falhado na abordagem de assuntos como até agora no que toca assuntos como a psicose de Bruce Wayne  – porque apenas alguém com uma mente muita partida se pode tornar no Batman – ou o que pode levar uma cidade inteira a albergar um vigilante violento nas sombras dos seus prédios sem qualquer tipo de policiamento ou consequências. Em duas horas e meia – curiosamente, a mesma duração de “Batman V Superman” ou “Dark Knight Rises” – este filme procura – e consegue – abordar mais assuntos do que apenas o quão fixe é ver um herói a bater em criminosos, o que me faz elogiar bastante o seu argumento e realização. No que toca ao elenco, apesar de ter um grupo competente de actores a trabalhar as vozes das personagens principais, é a voz de Peter Weller – o Robocop! – a sair da boca de Bruce Wayne/Batman que cria toda uma atmosfera por si só, dando credibilidade e peso ao nosso protagonista.

A comparação a “Batman v Superman” é inevitável e para quem viu o filme de Zack Snyder, ver este filme a seguir será como uma espécie de lâmpada a acender, enquanto que o contrário – primeiro DKR e depois BVS – apenas nos faz apreciar ainda mais o trabalho da equipa de animação envolvida nos filmes da Warner Brothers que vêm os seus filmes a irem directamente para DVD/Blu-Ray sem receberem a apreciação e a divulgação merecida.

“The Dark Knight Returns” é por isso o derradeiro filme para os fãs do Batman.

E ainda nos dá esta fantástica imagem do Super-Homem de peito à mostra a segurar uma águia. Que mais se pode querer?
E ainda nos dá esta fantástica imagem do Super-Homem de peito à mostra a segurar uma águia. Que mais se pode querer?