O Videoclube do Eduardo

O Videoclube do Eduardo – A Semana da Justiça

Filme em conversa: Justice League: The Flashpoint Paradox
Género: Animação
Ano de estreia: 2013
Realizador: Jay Oliva
Elenco: Justin Chambers, Michael B. Jordan, Ron Perlman, Nathan Fillion…
País: Estados Unidos da América

Após quatro dias dedicados a saciar a minha sede de super-heróis com adaptações cinematográficas dedicadas aos membros da Liga da Justiça – Batman, Super-Homem, Flash, Wonder Woman, etc – eis que chegou a hora de os juntar a todos num bonito e arrumado embrulho criado para ser lançado directamente em DVD,  chamado “Justice League: The Flashpoint Paradox”

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“Flashpoint Paradox” é uma adaptação de “Flashpoint”, um arco narrativo que coloca o Flash no centro de um acontecimento que basicamente reinicia toda a continuidade da DC Comics. Na sua versão original é uma narrativa longa e um pouco confusa para quem não está familiarizado com as personagens e seus historiais mas, para surpresa positiva de muita gente Jay Oliva – o grande nome no que toca aos filmes de animação da WB/DC – criou um filme bastante simples, divertido e cheio de acção, com uma hora e vinte minutos de duração. 

O filme começa com o Flash a responder a um alarme. O museu que a cidade de Central City lhe dedicou está a ser atacado e ele decide ir dar uma olhadela quando se encontra frente a frente com praticamente todos os seus principais inimigos – para quem vê a série “The Flash” todos estes vilões vão ser familiares – incluindo o seu grande arqui-rival e mestre por detrás do ataque: Eobard Thawne. Os vilões pensam que têm o Flash nas suas mãos quando de repente o resto da Liga da Justiça aparece, equilibrando as contas – embora, quando se tem o Super-Homem, as contas nunca estão equilibradas – e dando a vitória para os heróis. Mas isto é apenas a introdução; na cena seguinte Barry Allen – o nome verdadeiro do Flash – acorda e descobre que está numa realidade que não é a dele; a Liga da Justiça não existe, o Lanterna Verde e o Super-Homem também não existem, o mundo foi parcialmente destruído por causa de uma guerra entre a cidade estado de Atlântida – a casa de Aquaman – e o exército das amazonas, o Cyborg é o mais famoso super-herói do mundo – e um capataz do governo norte-americano –  o Batman é um maníaco que usa armas e mata mais gente do que as que salva – ou seja: é o Batman de “Batman v Superman” – e para piorar tudo, ele não tem os seus poderes. A partir daqui o filme torna-se numa sequência de explosões, mistério, agentes secretos e conspirações governamentais.

A única vantagem da realidade apocalíptica alternativa é a inexistência de estrelas do mar gigantes.
A única vantagem da realidade apocalíptica alternativa é a inexistência de estrelas do mar gigantes.

A parte positiva deste filme é o contraste enorme que existe entre os primeiros dez minutos de filme, onde podemos ver a Liga da Justiça a actuar como uma máquina bem oleada composta por personagens super-inteligentes e com habilidades quase divinas, unidas pela amizade e sentido heróico e tudo o que acontece após esses dez minutos, onde somos atirados para uma realidade estranha e desorientada onde vilões são heróis e onde amigos destroem continentes inteiros para se matar. Eu sempre apreciei um filme que tenta puxar o tapete por baixo dos nossos pés e “Flashpoint Paradox” faz isso, obrigando-nos a ir de seguida descobrir onde estamos, o que se está a passar e, mais importante: se nos podemos levantar outra vez. É um filme violento mas cheio de energias positivas, com o Flash a tentar sempre arranjar uma forma de recuperar os seus poderes e a fazer ver aos outros membros da Liga que todos eles têm dentro deles o potencial para ser heróis, mesmo que a vida nesta realidade os tenha empurrado para vidas diferentes. É esse contraste entre filme cómico e melodrama de acção que faz com que este filme valha a pena, se bem que para os fãs de filmes de Animação, o estilo que Jay Oliva foi buscar aos japoneses para o animar e coreografar também seja uma boa atracção.

No que toca ao elenco, para além do regresso das habituais vozes de Nathan Fillion – Hal Jordan/Lanterna Verde – ou Kevin Conroy – Bruce Wayne/Batman – a adição de Michael B. Jordan é uma clara aposta ganha em tentar trazer carisma e comédia a uma personagen secundária como Cyborg.

E Justin Chambers - o Dr. Alex de “Grey’s Anatomy” - também dá uma boa interpretação enquanto Flash.
E Justin Chambers – o Dr. Alex de “Grey’s Anatomy” – também dá uma boa interpretação enquanto Flash.

“Justice League: The Flashpoint Paradox” não é um dos melhores filmes para quem se está a iniciar nos filmes e no folclore da Banda-Desenhada da DC Comics – para isso, recomendo “Justice League: Doom” – mas é, enquanto filme um dos mais completos e visualmente interessantes de todos aqueles que envolvem todos – os principais, pelo menos – membros da Liga da Justiça.