Morreu ontem (27 de janeiro) o ator britânico John Hurt, aos 77 anos, depois de uma longa luta contra o cancro no pâncreas. Um dos melhores e mais bem respeitados atores no Reino Unido, que ficou sobretudo conhecido por dar vida à personagem real John Merrick em “O Homem Elefante” (1980), de David Lynch. Um filme com um preto e branco poético, numa atmosfera vitoriana e em clima de Revolução Industrial, John Hurt está irreconhecível como o ‘homem-elefante’, um ser belo escondido num corpo feio e deformado, contracenando ao lado de Anthony Hopkins (o cirurgião Frederick Treves). Hurt foi nomeado para o Óscar de Melhor Ator Secundário em 1981 por esta representação.

Nascido em 1940, formou-se na Royal Academy of Dramatic Art (RADA) e começou a sua carreira no teatro e na televisão, tendo-se estreado no cinema em “The Wild and the Willing” (1962). Seguiram-se filmes como “Um Homem para a Eternidade” (1966) de Fred Zinnemann, “Convite ao Pecado” (1969) de Peter Wood, “O Violador de Rillington” (1971) de Richard Fleischer, “A Flauta Mágica” (1972) de Jacques Demy e “O Expresso da Meia-Noite” (1978) de Alan Parker (filme pelo qual foi nomeado para o Óscar de Melhor Ator Secundário em 1979 e pelo qual ganhou um Globo de Ouro).

Depois do sucesso do seu desempenho em “O Homem Elefante”, a década de 1980 foi a melhor da sua carreira, tendo participado em filmes como “As Portas do Céu” (1980) de Michael Cimino, “Uma Louca História do Mundo” (1981) de Mel Brooks, “O Fim-de-Semana de Osterman” (1983) de Sam Peckinpah, “1984” (1984) de Michael Radford e “A Mais Louca Odisseia no Espaço” (1987) de Mel Brooks.

Seguiram-se ainda filmes como “Frankenstein Revisitado” (1990) de Roger Corman, “Até as Vaqueiras Ficam Tristes” (1993) de Gus van Sant, “Homem Morto” (1995) de Jim Jarmusch. Nos últimos anos ficou conhecido pela sua participação na saga Harry Potter, como o excêntrico Mr. Ollivander. Assim como em filmes também comerciais como “Hellboy”, “Indiana Jones” ou “Outlander – A Vingança”. Destacou-se ainda em “Melancolia” (2011) de Lars von Trier, “A Toupeira” (2011) de Tomas Alfredson e “Só os Amantes Sobrevivem” (2013) de Jim Jarmusch.

John Hurt deu a sua voz ao cinema de animação, em filmes como “O Senhor dos Anéis” (1978), “The Plague Dogs” (1982), “Taran e o Caldeirão Mágico” (1985), “As Aventuras do Tigre” (2000) e “Valiant – Os Bravos do Pombal” (2005).

Do seu trabalho restam quatro filmes a estrear ainda este ano, sendo que “That Good Night”, de Eric Styles, rodado no Algarve, em Portugal, já está concluído, juntando-se ainda mais dois filmes que Hurt completou, “Damascus Cover” e “My Name Is Lenny”. O seu último trabalho no cinema que iremos ver será “Darkest Hour”, de Joe Wright, um dos filmes mais aguardados do ano, passado nos primeiros dias da II Guerra Mundial, onde interpretava Neville Chamberlain, o primeiro-ministro britânico caído em desgraça.