O Fim?

O declínio do género começou na década de 60, e o género nunca mais teve a magia e áurea que foi vivida nos anos 40 e 50, apesar de meia dúzia de filmes nos anos 70, 80 e 90 terem trazido a nostalgia do género. Nunca mais existiu um Ford e um Wayne, ou um Leone e um Eastwood, ou um Peckinpah e um Heston, mas os estúdios continuarão sempre a produzir westerns, apesar de em menor escala e com menos sucesso.

 

Nesta primeira década do século XXI é quase possível enumerar um filme por ano, “The Claim” (2000), “800 Balas” (2002), “Open Range – A Céu Aberto” (2003), “O Grande Desafio” (2004), “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005), “Broken Trail” (2006), “O Assínio de Jesse James pelo cobarde Robert Ford” (2007), “Appaloosa” (2008), “Indomável” (2010) e “Rango” (2011). Este último é em animação e presta uma boa homenagem ao género, tendo obtido um grande sucesso em todo o mundo. “Indomável” dos irmãos Coen, é um remake de “A Velha Raposa” (“True Gritt”, 1969) que valeu a John Wayne o Óscar de Melhor Actor, em 1970. Este filme foi considerado como um dos melhores westerns do século XXI e voltou a levantar a questão “o western está de volta?”, pelo que muitos teóricos, jornalistas e historiadores tem tentado responder, a maioria acredita que não, apesar de o filme ser muito bom e de ter cativado muito público, no entanto há algumas pessoas que acreditam que o género está vivo.

Na minha opinião, o género nunca morreu, um género não morre, será sempre eterno, obviamente já não estamos a viver a sua gloriosa época, essa já passou e provavelmente nunca mais a veremos. Nunca mais voltará a ter a produção regular, o êxito e a importância que teve nos anos de 40 a 70. Mas não impede que se continuem a fazer filmes deste género, e a verdade é que se continuam a fazer westerns e talvez porque são muito poucos, tenham mais qualidade e quando estreia um, recebe imediatamente boas críticas do público e da crítica. Ainda para mais um género como este, que teve tanta importância para a história do cinema, para a criação da linguagem cinematográfica, como na escala de planos (o plano americano), no movimento de planos (travellings, panorâmicas), na fotografia, no som (por se filmar quase sempre em exteriores), na montagem, etc, o género para se desenvolver obrigou a que os artistas e técnicos modernizassem o cinema, as suas câmeras, os métodos de realização e produção.

Continuar-se-à a produzir westerns, e serão sempre inovadores, pelo menos enquanto os fãs deste magnífico género estiverem vivos. E eles estão vivos! Tal como género, que está vivo, apesar da sua idade avançada.

Conclusão

Apesar de ter sempre gostado deste género nunca compreendi muito bem a causa do seu sucesso no público e na crítica e a sua importância na história do cinema. Depois de ter feito muita pesquisa percebi a razão e passei a gostar ainda mais e a respeitá-lo mais. Um género que foi tantas vezes desvalorizado injustamente, merecia que fosse mais estudado pelos teóricos de cinema, críticos e professores nas universidades. O western, para alem de ser o “cinema americano por excelência” é o cinema das fortes emoções.

Este género contribuiu para a modernização do cinema, quer em termos técnicos, quer em termos artísticos. Muitos foram os realizadores conceituados que quiseram experimentar este género e conseguiram obter resultados muito positivos. É um género bastante versátil, que consegue abordar várias temáticas ao mesmo tempo e vários géneros num só filme. Não quero com isto dizer que o western é o melhor género de todos, pois todos são importantes, todos se completam. Sem o policial, melodrama, histórico, comédia, por exemplo, o western ficaria mais pobre, tal como o cinema.

 

Era uma vez o western que era o cinema americano por excelência,
Era uma vez o western que modernizou o cinema,
Era uma vez o western que proporcionou fortes emoções nos espectadores durante décadas,  Era uma vez o western.