Este será provavelmente o grande “fail” do ano, aquele que se intitulava ser um dos filmes mais aguardados do ano, o épico do ano, acabou por ser a maior desilusão de todas, isto se admitirmos que haveria alguma expectativa. “As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorn” vai dividir opiniões, quer entre fãs de Tintin, quer entre fãs de Spielberg. O que de certa forma é bom, gera discussão e debate, o que é sempre interessante.

Confesso ser um “pequeno” fã de Tintin, durante a minha infância li todas as aventuras de Tintin, que o meu pai me passou, e vi a série de animação francesa que passava na televisão. Não era propriamente o meu herói preferido de BD ou o mais divertido, mas as suas aventuras pelo mundo, acompanhado pelo Capitão Haddock sempre me interessaram. Daí que quando soube que Spielberg iria adaptar um dos livros ao cinema, fiquei entusiasmado. Mas este entusiasmo foi-se apagando lentamente, à medida que iam saindo imagens do filme, principalmente quando se soube que o filme ia ser rodado com a mesma tecnologia que James Cameron utilizou em “Avatar” (2009), a técnica de animação digital motion capture, ou seja, a performence capture, que já foi também utilizada em filmes como “A Christmas Carol”, “Beowulf” e na personagem Gollum da trilogia do “Senhor dos Anéis”. Compreende-se que tenham optado pela animação, em vez da imagem real, pois seria muito complicado encontrar atores parecidos com as personagens da BD. Queriam que fosse uma animação que simulasse o real e a perfeição e o resultado final é o que se vê – bonecos que parecem de borracha. As personagens nem se parecem com as verdadeiras da BD. Era preferível terem assumido a animação e terem usado as técnicas do desenho à mão ou a computador. Este é só um dos principais aspetos negativos do filme.

Decidiram para primeira adaptação cinematográfica os livros “O Caranguejo das Tenazes de Ouro”, o livro que junta Tintin (Jamie Bell) e o Capitão Haddock (Andy Serkins) e “O Segredo do Licorne”, onde é explicado o passado de Haddock. O filme começa com um extraordinário genérico, com um estilo e design muito diferente do resto do filme. Assume-se como um épico de aventuras, bem ao estilo de Indiana Jones, como não poderia deixar de ser. Ao chegarmos perto do final do filme, aquele pico (o momento épico) de que todos estavam à espera, desvanecesse e quando damos conta já o filme terminou e nada se passou. É como se nos tivessem dado um murro no estômago como aviso para vermos a continuação no segundo filme do Tintin. Quiseram esticar a verdadeira história com mais cenas desnecessárias, tornando o filme bastante aborrecido e “chato”. Até as personagens mais hilariantes, como o capitão Haddock e os gémeos Dupond (Nick Frost) e Dupont (Simon Pegg), não tiveram assim tanta piada. Spielberg e Peter Jackson preocuparam-se em criar um épico de aventuras, um blockbuster, pondo de lado todos os pormenores da grande obra de Hergé. Este é o Tintin americano, não o Tintin europeu.

A nível técnico está bem conseguido, não é novidade nenhuma, pois trata-se de um filme de Hollywood com um grande orçamento. No entanto, não nos apresenta nada de inovador, apenas mais um blockbuster de animação, que teve uma gigante campanha de marketing em todo o mundo. Só em Portugal estreou em 117 salas de espetáculos, tornando-se na maior estreia de sempre em Portugal.

Seria de esperar um pouco mais do mestre Spielberg. Penso que este é seu o pior filme. Até John Williams não encantou com a sua banda sonora. Hergé não vê assim a sua obra ser vingada. Para os fãs de Tintin deixo uma mensagem – deliciem-se com os livros e com a série de animação televisiva, acreditem que não há melhor. Se gostam de blockbusters e ver filmes em 3D, este será talvez o filme ideal. Talvez o segundo filme tenha um pouco mais de conteúdo e a alma da obra de Hergé.

Realização: Steven Spielberg

Argumento: Edgar Wright, Steven Moffat

Elenco: Andy Serkis, Daniel Craig, Gad Elmaleh, Jamie Bell, Mackenzie Crook, Nick Frost, Simon Pegg, Toby Jones

EUA/2011 – Animação

Sinopse: O aventureiro Tintin compra para o seu velho amigo Capitão Haddock um modelo de um galeão antigo, uma réplica exata do navio de um antepassado do capitão – O Cavaleiro de Hadoque. O modelo é roubado e logo depois a casa de Tintin é assaltada. O que é que os assaltantes procuravam? Por sua vez, Haddock encontra no sótão da sua casa as memórias do cavaleiro. Nelas, ele narra o seu encontro com o Pirata Rackham que o captura e que transfere os tesouros que havia pilhado para o seu navio. O cavaleiro consegue escapar e afunda o Licorne com todo o tesouro a bordo, dividindo posteriormente o mapa com a localização do naufrágio em três partes que esconde em réplicas do navio. Muitos anos depois, Tintin e os seus amigos decidem procurar as partes do mapa, sabendo que para isso terão de enfrentar uma perigosa quadrilha.

«As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorn» - O “fail” do ano!
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