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Cannes 2012: Dia 7

Uísque, violência e política foram os temas que marcaram o sétimo dia do Festival de Cannes, na secção competitiva, tendo estreado “Killing Them Softly” de Andrew Dominik e “The Angel’s Share” de Ken Loach.

 

O dia 22 de abril foi o dia de Andrew Dominik, “O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford” (2007), estrear “Killing Them Softly”, que conta mais uma vez com Brad Pitt no papel principal. Um thriller com violência sobre um assassino profissional que é contratado para investigar um assalto, ocorrido durante um jogo de poker protegido pela máfia. Tem sido apontado como um filme bastante político e duro, “em boa verdade Killing Them Softly é sobre o estado da América e da economia que mantém o seu motor a trabalhar”, tendo as críticas em Cannes sido positivas de modo geral. O Daily Telegraph disse: “Quanto mais eu penso em “Killing Them Softly” melhor parece. Tem todos os atributos para um futuro clássico”. Em entrevista o realizador australiano falou sobre a violência no filme: “Gosto da violência nos filmes. Como mostrar os dramas de outra forma que não através da violência? Os contos de Grimm são violentos, mas dirigem uma mensagem às crianças. É um bocado o que faz Killing Them Softly. No filme, todas as personagens sabem a que ponto matar pode ser um sentimento culpabilizante. Então tentam tornar a violência indolor. Desejam que ela seja o menos cruel possível para as respectivas vítimas”. A Variety escreveu: “Uma soberba e até mesmo mundana história criminal preenchida com tons já tratados até à exaustão, Killing Them Softly desglamouriza os filmes de máfia para um a distinção mais renovada, senão mesmo, com um efeito mais acelerado. O resultado é de uma vez só, um tanto pretensioso e proveitoso para aqueles que não se importam da aproximação de baixa adrenalina.”.

 

O outro filme em competição a estrear foi “The Angel’s Share” do inglês Ken Loach, que é já um membro da “família” do festival, pois desde 1979 já apresentou 14 filmes em competição, tendo ganho vários prémios, entre eles uma Palma de Ouro com “Brisa de Mudança” (2006). Em “The Angel’s Share” Loach regressa com uma comédia, obviamente com mensagens político-sociais, sobre um delinquente, Robbie, que escapa da prisão que tenta agora melhorar a sua vida com a sua namorada que deu à luz o primeiro filho. Segundo a Variety: “Uma adorável comédia sobre jovens galeses que descobrem o mundo do uísque. Em The Angel’s Share, o realizador Ken Loach e o argumentista parceiro de longa data Paul Laverty encontram-se melhores e mais descontraídos do que o repugnante esforço anterior dos dois, Route Irish.”. Em entrevista em Cannes Loach falou das semelhanças entre “The Angel’s Share” e “Kes”: “O whisky desempenha um pouco a mesma função para Robbie que o pássaro para Billy Casper em Kes. É efectivamente graças ao whisky que se descobre o talento de Robbie. Mas a grande diferença é que Kes decorre nos anos 60, e que Billy Casper tinha um trabalho. Em 2012, Robbie está sem trabalho. O seu talento para o whisky é uma forma de observar a energia e a determinação deste rapaz.”. Apesar de ter dividido a crítica, os jornalistas ingleses adoraram o filme.

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