«00:30 A Hora Negra» – It’s a Man’s World

“It’s a Man’s World” porque é esse o mundo em que da realizadora americana Kathryn Bigelow vive, que fez história em 2010, ao ter sido a primeira mulher a receber o Óscar de Melhor Realizador, com o filme “Estado de Guerra”. Em quase todos os seus filmes o protagonista é um homem e o ambiente envolvente é de muita testosterona. No entanto, em “Zero Dark Thirty” o protagonista é uma mulher (Maya), que vive ofuscada com a perseguição de Osama Bin Laden (OBL), ou seja, de um homem. Este é um filme sobre a CIA, a Al Qaeda, o terrorismo, o exército dos EUA e o governo americano. O que tem tudo isto em comum? Todos são dominados pelo masculino, pela figura do homem, “It’s a Man’s World”. Por muita energia e brilho que Maya possa ter, ela vive num mundo de homens.

Do primeiro ao último minuto Kathryn não nos deixa pensar em mais nada, se não no que estamos a ver no ecrã. Ela é tão obsessiva quanto Jessica Chastain no papel de Maya. A realizadora tem a preocupação continua de mostrar ao espectador, através dos olhos de Maya, todo o processo de captura de Bin Laden, o líder da Al Qaeda, organização responsável pelos ataques do World Trade Center em 2001, entre muitos outros pela Europa e Ásia. Esta é uma América obsessiva e presa no passado. Jessica Chastain cumpre o exigido pelo papel sobressaindo o feminino da protagonista, e o feminino sugere o autêntico e o puro, sendo por excelência uma energia portadora de coragem, de ideal e bondade.

Pouco conteúdo para um filme tão longo. Não era preciso estender até quase 3h de filme, só para nos mostrar OBL a morrer. Porque no fundo é disso que o espectador está à espera. Nós já sabemos que ele vai morrer no final, pelo que só queremos chegar até esse momento o mais depressa possível. Este é um filme que os americanos querem mesmo ver. Eles queriam ver um filme sobre isto mesmo, quase como que uma vingança, pelos atentados do 11 de setembro. Já não basta OBL estar morto, se é que ele realmente está, pois nunca fiar na política americana, e ainda querem confirmar com os seus próprios olhos que ele desapareceu do mapa para sempre. Sabemos que o povo americano vive baseado no medo e poder ver um filme destes, conforta-lhes as almas.

Uma história destas não está livre de críticas políticas, propositadas por parte da realizadora e de polemicas sobre a veracidade dos acontecimentos. Esta é uma visão americana do que aconteceu nos bastidores da CIA, sobre a execução desta difícil missão. Falta o outro lado e muita coisa certamente foi ocultada. Não sei o quê, mas esta não deverá ser a verdade “real”.

“Zero Dark Thirty” mais parece um episódio CSI em versão extensa. O típico filme americano feito para os americanos, e para ganhar Óscares. No final, acaba por ser um filme razoável.

Realização: Kathryn Bigelow

Argumento: Mark Boal

Elenco: Mark Strong, Jessica Chastain, Joel Edgerton, Chris Pratt, Kyle Chandler,Édgar Ramírez, Mark Duplass, Scott Adkins, Jennifer Ehle, Ricky Sekhon

EUA/2012 – Thriller

Sinopse: A caça a Osama bin Laden inquietou o mundo e dois Governos Americanos durante mais de uma década. Mas, no final, foi uma pequena e dedicada equipa de operacionais da CIA que o conseguiu localizar. Cada pormenor da missão foi preparado no mais completo segredo. Embora alguns dos detalhes tenham sido, entretanto, tornados públicos, grande parte dos aspetos mais relevantes desta operação – incluindo o papel central desempenhado pela equipa – são agora trazidos pela primeira vez para o grande ecrã de forma subtil e envolvente pela dupla criativa vencedora de três Óscares com ‘Estado de Guerra’: Kathryn Bigelow e Mark Boal.

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