O maior serviço de televisão por internet do mundo, com mais de 83 milhões de membros em mais de 190 países a usufruir de mais de 125 milhões de horas de séries, a Netflix, está a fazer um ano que chegou a Portugal. A 21 de outubro de 2015 a Netflix chegou aos portugueses com uma oferta muito precária, sobretudo na área do cinema. O serviço foi um êxito na adesão de clientes, mas apenas oferecia cerca de 540 conteúdos (entre filmes e séries) no serviço de streaming.

Passado um ano a Netflix Portugal conseguiu triplicar a sua oferta de conteúdos para cerca de 1881 (1511 filmes e 370 séries). Portugal encontra-se bastante distante dos 5311 conteúdos disponíveis nos EUA, dos 3805 conteúdos no Brasil e dos 3277 conteúdos no Reino Unido. Espanha, França e Itália dispõe de cerca de 2100 conteúdos. Segundo o portal Unofficial Netflix Online Global Search – que permite pesquisar quais conteúdos estão disponíveis em que mercados – revela um ranking no qual mostra os países com o melhor catálogo de conteúdos. Portugal ocupa neste momento o 104º lugar. O Estado da Cidade do Vaticano ocupa o 103º lugar, a República de San Marino ocupa o 102º lugar e a Áustria o 101º lugar.

Até há bem pouco tempo o catálogo de filmes da Netflix em Portugal era muito fraco, péssimo. No entanto, nos últimos dois meses foram introduzidos vários filmes que começam finalmente a dar sinais positivos de que o catálogo de cinema está a melhorar. Entre o conteúdo de cinema que merece especial atenção da nossa parte, destacamos filmes como “Conta Comigo” (1986), “Tudo Bons Rapazes” (1990), “Ida” (2013), “Homem Morto” (1995), “A Caça” (2012), “Um Caso Real” (2012), “Django” (2012), “There Will Be Blood” (2007), “O Resgate do Soldado Ryan” (1998), “Frida” (2002), “Gangster Americano” (2007), “Boyhood” (2014), “O Último Samurai” (2003), “Este País Não É Para Velhos” (2007), “O Artista” (2011), “O Menino de Cabul” (2007), “O Rapaz de Pijama às Riscas” (2008), “Mamã” (2014), “O Fantástico Senhor Raposo” (2009), “Todos os Cães Merecem o Céu” (1989), “Up-Altamente” (2009) e “Toy Story 3” (2010). Ao nível dos clássicos de cinema tem-se notado também uma considerável evolução, destacando-se os filmes: “A Última Sessão” (1968), “Há Lodo no Cais” (1954), “Aconteceu no Oeste” (1968), “Na Sombra e no Silêncio” (1962)a trilogia de “O Padrinho”, “Zulu” (1964), “Chinatown” (1974), “O Crepúsculo dos Deuses” (1950), “Era Uma vez na América” (1984), “Casablanca” (1942), “A Lista de Schindler” (1993), “Pulp Fiction” (1994) “A Vida é Bela” (1997), “Laranja Mecânica” (1971), “Nascido Para Matar” (1987), “2001: Uma Odisseia no Espaço” (1968), “A Missão” (1986), “True Grit” (1969), “Os Dez Mandamentos” (1956), “Brazil – O Outro Lado do Sonho” (1985), entre outros.

Quanto ao cinema português, este está representado por “É o Amor” e “Portugal, um Dia de Cada Vez”, de João Canijo, “É na Terra não é na Lua” de Gonçalo Tocha e “José e Pilar” de Miguel Gonçalves Mendes.

Numa lista com cerca de 1500 filmes, destacarmos 30 ou 40 que valem a pena, é muito pouco. A Netflix continua a oferecer muito “lixo”, com pouca representação de outras cinematografias. Não se entende também é o critério de filmes que vão expirando da lista, tornando esta mais pobre. Como é o caso de alguns filmes dos estúdios Ghibli (“A Princesa Mononoke”, “O Conto da Princesa Kaguya” e “Totoro”) que já fizeram parte da lista.

Ao nível do catálogo de séries a Netflix é bastante mais positivo. “Outlander”, “Breaking Bad”, “Family Guy”, “Downton Abbey”, “The Walking Dead”, “House of Cards”, “Orange is the New Black”, “Black Sails”, “Cosmos”, “American Horror Story”, entre outras, são exemplo disso.

A Netflix continua apostar em conteúdo original, com qualidade. Esta é uma das mais valias em usufruir deste serviço pois disponibiliza-nos alguns filmes e séries de grande qualidade que não podemos ver noutro lado. Como é o caso, por exemplo, das séries “Narcos”, “Stranger Things”, “Marseille”, “The Last Kingdom”, “Lilyhammer”, “Marco Polo” ou “Derek” e dos filmes “Beasts of no Nation” e “Jadotville”.

A lista de filmes originais da Netflix a estrear em 2017 é vasta, mostrando bem o investimento que este serviço está a ter na área do cinema. A lista de filmes originais inclui já títulos como “Mute” de Duncan Jones, protagonizada por Alexander Skarsgård, Paul Rudd e Justin Theroux;“Bright”, realizado por David Ayer e protagonizado por Will Smith e Joel Edgerton; “War Machine”, realizado por David Michod e protagonizado por Brad Pitt; “Okja” realizado por Bong Joon-ho e com Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal e Lily Collins como protagonistas; “First They Killed My Father” de Angelina Jolie; “Death Note” realizado por Adam Wingard e com Nat Wolff, Margaret Qualley e Lakeith Stanfield nos papéis principais; “The Discovery” do realizador Charlie McDowell e protagonizado por Robert Redford, Jason Segal e Rooney Mara; “Our Souls at Night” do realizador Ritesh Batra, com Robert Redford e Jane Fonda; “Sandy Wexler”, protagonizado por Adam Sandler e Jennifer Hudson; “Naked”, com Marlon Wayans e Regina Hall, e muitos outros títulos.

O serviço de streaming da Netflix é sem dúvida muito bom, ao oferecer preços acessíveis (um plano “base” de um ecrã em SD por 7,99 euros por mês; um plano “standard” de dois ecrãs em HD por 9,99 euros por mês; e um plano “premium” de quatro ecrãs em Ultra HD 4K por 11,99 euros por mês. A subscrição do serviço pode ser cancelada em qualquer altura e todos os novos clientes recebem o primeiro mês grátis.); e ao estar disponível em múltiplas plataformas digitais como em smart TVs, tablets, smartphones e computadores, assim como numa vasta gama de consolas de jogos e descodificadores de TV com ligação à Internet, bem como em dispositivos Apple TV e Google Chromecast.

Com o anúncio da chegada da Netflix a Portugal, agitou de imediato a ‘concorrência’ em Portugal, ou seja, as operadoras como a MEO, NOS e VODAFONE. A operadora NOS lançou, três semanas antes da Netflix chegar a Portugal, o serviço N Play, um novo serviço de acesso ilimitado a filmes e séries on demand, em HD, acessível não só na box como nas outras plataformas (smartphones, tablets, etc.). As restantes operadoras ainda não desenvolveram até ao momento nenhum serviço streaming semelhante a estes, apesar de terem continuado a melhorar os seus catálogos de filmes disponíveis para alugar. Em todo o caso, a Vodafone é a única operadora a ter parceria com a Netflix, ao disponibilizar aos seus clientes o serviço streaming na TV Box da Vodafone, oferecendo uma melhor experiência de televisão.

Este mês foi anunciado que a Netflix vai disponibilizar até ao final de 2016 a possibilidade de podermos usar o serviço em modo offline. Ou seja, neste momento a Netflix continua a requerer uma ligação à internet para podermos ver filmes e séries. Mas isto está para mudar em breve ao permitir que os seus clientes possam descarregar o que querem ver mais tarde e sem ligação à rede.

Pode-se dizer que ao fim de um ano de Netflix Portugal a experiência é positiva, mas com muito potencial para melhorar ao nível do conteúdo cinematográfico. Ainda lhe falta muito cinema!