Faz hoje um ano que a plataforma de video-on-demand (VOD) de cinema independente, o Filmin, criada em Espanha, em 2008, chegou a Portugal. O Filmin nasceu “de uma iniciativa de colaboração e diálogo entre os operadores cinematográficos portugueses (distribuidores, produtores), críticos, festivais e instituições culturais nacionais e internacionais.”.

Laçada a 16 de novembro de 2016, o Filmin, veio para o mercado português que até então só tinha a Netflix (o maior serviço de televisão e de cinema por internet do mundo), a N Play (da NOS Audiovisuais) e a Amazon Prime Video. Ou seja, um mercado dominado pelo cinema comercial e Hollywood. Não havia espaço para o cinema independente, para os grandes clássicos e sobretudo para o cinema europeu. O Filmin veio colmatar essa lacuna neste mercado que está também a alterar muito a forma como vemos cinema e televisão.

Em apenas um ano a plataforma VOD portuguesa de cinema independente cresceu muito, tendo conseguido aumentar o seu catálogo para quase 600 filmes, assim como o número de iniciativas e de parcerias com festivais e mostras de cinema. O catálogo tem-se pautado por uma selecção cuidada e inteligente, com filmes de qualidade e diversificados, desde as obras mais recentes aos clássicos. Filmes contemporâneos como “Corações de Pedra” de Guðmundur Arnar Guðmundsson, “De Caligari a Hitler – O Cinema Alemão na era das massas” de Rüdiger Suchsland, “Se as Montanhas se Afastam” de Zhangke Jia, “Tangerine” de Sean Baker, “The Smell of Us” de Larry Clark, “Le Havre” de Aki Kaurismaki, “Tu, que Vives” de Roy Andersson, “Mamã” de Xavier Dolan, “Uma Separação” de Asghar Farhadi; a clássicos como “A Ultrapassagem” de Dino Risi, “Cléo das 5 às 7” de Agnès Varda, “O Eclipse” de Michelangelo Antonioni, “O Prazer” de Max Ophüls, “A Paixão de Joana D’Arc” de Carl Theodor Dreyer, “A Doce Vida” de Federico Fellini, “A Noite de Varennes” de Ettore Scola, “Para Além do Paraíso” de Jim Jarmusch, “O Espírito da Colmeia” de Víctor Erice, “Peregrinação Exemplar” de Robert Bresson, “A Terra Treme” de Luchino Visconti, entre muitos outros.

A secção de colecções já conta com 51 agrupamentos de filmes, que surgem pela sua temática (“Reis Sem Coroa”, “Working Class Heroes”, “Coming of Age”, “Pais & Filhos”), ou pelo género (“Western Moderno”, “Filmin Queer”, “Documenta”“Filmin Terror”) ou pela homenagem a um realizador (“Luchino Visconti”, “Jim Jarmusch”), ou dedicado a festivais de cinema (“Festival de Cannes”, “Berlinale”, “Locarnon”, “Sudance Film Festival”). O Filmin dá também acesso a filmes que de outra forma seria muito difícil serem distribuídos em Portugal, com a colecção de “Exclusivos Filmin”, que disponibiliza 20 filmes, entre os quais o maravilhoso documentário “Os Invisíveis” (2012).

O Filmin disponibiliza ainda dois canais, o canal KIDS, dedicado ao cinema de animação e a séries de animação, e o canal PT, dedicado ao cinema português, sendo este último uma das grandes vantagens e conquistas do Filmin. O canal PT, criado em parceria com as produtoras e realizadores nacionais, reúne um catálogo rico do que de melhor há no panorama do cinema português. Entre curtas e longas-metragens é possível ver obras de Miguel Gomes, João Botelho, João Salaviza, Manuel Mozos, Joaquim Pinto, Sérgio Tráfaut, Leonor Teles, Miguel Gonçalves Mendes, José Filipe Costa, João Canijo, Pedro Pinho, Gonçalo Tocha, Salomé Lamas e de muitos outros cineastas portugueses.

Entre os filmes mais vistos do catálogo encontram-se por exemplo “Histórias de Bairro” de Samuel Benchetrit, “Balada de Um Batráquio” de Leonor Teles, “A Morte de Luís XIV” de Albert Serra, “Os Invisíveis” de Sébastien Lifshitz, “Laurence para sempre” de Xavier Dolan, “Quo Vado ou Já Foste!” de Gennaro Nunziante, “Os Amantes da Ponte Nova” de Leo Carax, “Irmã” de Ursula Meier e “O que está por vir” de Mia Hansen-Love.

Todos os meses são adicionados novos filmes para que os subscritores do Filmin tenham sempre um catálogo atualizado, sendo que nos próximos meses estarão disponíveis filmes como a trilogia da Guerra de Roberto Rossellini, “Cartas da Guerra” de Ivo Ferreira, “Lumière! A Aventura Começa” de Thierry Frémaux, “Good Time” de Joshua e Ben Safdie, entre outros.

Em jeito de comemoração do primeiro aniversário do FILMIN, o Cinema 7ª Arte criou uma lista de 10 filmes que considera serem essenciais ver, disponíveis no catálogo, que reflectem o cinema de qualidade da Filmin. A nossa missão passa por resumir em apenas 10 obras a pureza do cinema (missão que se sabe ser impossível, visto que mais de 90% dos filmes podiam constar nesta lista).

FILMIN visto pelo Cinema 7ª Arte
(por ordem cronológica)

  1. A Morte de Luís XIV, de Albert Serra (2017)
  2. O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu, de João Botelho (2016)
  3. A Montanha, de João Salaviza (2015)
  4. O Espírito de 45, de Ken Loach (2013)
  5. Os Invisíveis, de Sébastien Lifshitz (2012)
  6. O Cavalo de Turim, de Béla Tarr (2011)
  7. Mulholland Drive, de David Lynch (2001)
  8. O Espirito da Colmeia, de Victor Erice (1973)
  9. Peregrinação Exemplar, de Robert Bresson (1966)
  10. A Paixão de Joana D’Arc, de Carl Theodor Dreyer (1928)

O Filmin tem tudo o que os amantes do cinema precisam. Cinema!

Parabéns pelo primeiro aniversário Filmin!