O Instituto de História da Arte (IHA) organiza, com a Medeia Filmes e a Leopardo Filmes, o ciclo de cinema “Amor & Intimidade”, onde serão debatidas questões relacionadas com este tema, a partir de uma selecção de dez filmes. Entre 21 de fevereiro e 20 de junho, no Espaço Nimas, em Lisboa, após a exibição de cada filme, os investigadores da FCSH/NOVA vão debater, com críticos de cinema, escritores, artistas, psicanalistas, historiadores, antropólogos, sociólogos e outros, estas obras, clássicas e contemporâneas, à luz destes problemas e inquietações que marcam sobremaneira a contemporaneidade.

As sessões serão quinzenais, e terão lugar sempre às 19h00 no Espaço Nimas. Este ciclo de cinema conta com a curadoria de Bruno Marques, Cláudia Madeira, Luís Mendonça, Mariana Marin Gaspar e Sabrina D. Marques.

Ao todo são dez sessões, 10 filmes comentados, entre os quais os já confirmados: o crítico e ensaísta Mário Jorge Torres, a crítica de cinema Inês Lourenço, o programador e ensaísta António Pinto Ribeiro, a professora e ensaísta Margarida Medeiros, a coreógrafa, performer e escritora Sónia Baptista, o ensaísta e professor António Júlio Rebelo e a coreógrafa e bailarina Olga Roriz.

A sessão de abertura do ciclo está marcada para o dia 21 de fevereiro, com o filme “Deus Sabe Quanto Amei”, de Vincente Minelli. “Hiroshima, Meu Amor” de Alain Resnais, “O Medo” de Roberto Rosselini, “Dolls” de Takeshi Kitano e “Paixões Cruzadas” de Leos Carax, são alguns dos filmes que integram o ciclo Amor & Intimidade.

Desafiando as advertências de George Orwell, a maioria de nós parece pouco preocupada ante a exponencial erosão das fronteiras que separavam o domínio privado do público. Como encarar o facto de as redes sociais alimentarem uma cultura cada vez mais confessional onde já não parece haver lugar para qualquer pudor a respeito da sobre-exposição do Eu? Como podemos medir as motivações e efeitos de os filmes caseiros e as sextapes serem agora indiscriminadamente compartilhados? E os reality shows, que transformaram o sistema de videovigilância num género televisivo de entretenimento altamente lucrativo a fim de explorar a espectacularização dos afectos e emoções?

Numa era que vulgariza a liberdade e o experimentalismo sexual, e onde a esfera privada se torna “pública”, muitos são aqueles que afirmam que a intimidade entrou em “crise”. Da mesma maneira, a palavra “amor” parece ter caído em desuso. Amplamente evitada — para não dizer mesmo estigmatizada — em muitos discursos, esta vai progressivamente cedendo lugar a outros termos e designações, tais como “envolvimento”, “trocas emocionais”, “afectos”, “desejo” ou “compatibilidade sexual”.

O cinema, neste âmbito, converte-se facilmente numa lente útil para examinar as relações entre “amor” e “intimidade” e o modo como essas noções — antes tão estruturantes e recorrentes na cultura popular — têm vindo a sofrer alterações em resultado das profundas transformações sentidas actualmente ao nível dos comportamentos e do quadro de valores que os regem.

21 Fevereiro a 20 Junho 2018
Espaço Nimas

21 Fevereiro – 19h
DEUS SABE QUANTO AMEI  
de Vincente Minelli 1958

7 Março – 19h
UMA LIÇÃO DE AMOR
de Ingmar Bergman 1954

21 Março – 19h
IRÈNE
de Alain Cavalier 2009

4 Abril – 19h
HIROSHIMA, MEU AMOR
de Alain Resnais 1959

18 Abril – 19h
O CORAÇÃO FANTASMA
de Philippe Garrel 1995

2 Maio – 19h
A MINHA NOITE EM CASA DE MAUD
de Eric Rohmer 1969

16 Maio – 19h
BUFFALO ’66
de Vincent Gallo 1998

30 Maio – 19h
O MEDO
de Roberto Rosselini 1954

6 Junho – 19h
DOLLS
de Takeshi Kitano 2002

20 Junho – 19h
PAIXÕES CRUZADAS
de Leos Carax 1984

Fonte: Medeia Filmes