Quem sairá o grande vencedor é o que se vai saber na edição 91 da festa dos Óscares, que, pela primeira vez em 30 anos, não deverá ter um anfitrião, mas vários apresentadores. Uma solução inovadora para a emblemática noite do cinema que em 2018 teve uma das piores audiências de sempre.

De entre os nomeados ao Óscar de Melhor Filme, Black Panther foi, de longe, o filme mais popular de 2018; foi um fenómeno à escala mundial, e também um marco na indústria cinematográfica, como lembrou Spike Lee numa entrevista recente. O cinema afro-americano está agora a viver um momento excecional com “Foge” e até com “Black Panther”, ao que o realizador americano acrescentou: “’Black Panther’ já é um dos dez filmes mais rentáveis de todos os tempos. O que esse filme fez foi mudar o panorama e fez com que os estúdios percebessem que se um filme é bom, os públicos pelo mundo fora irão vê-lo; houve uma mudança sísmica de perspetiva em Hollywood, mudou tudo”.

A propósito do seu novo filme, “Se Esta Rua Falasse”, Barry Jenkins enfatizou: é uma intensa história de amor, uma história de família, amor familiar e amor romântico; é, de certa forma, um romance de protesto. É uma história sobre a condição humana: enquanto houver seres humanos no planeta Terra, os temas debatidos serão sempre relevantes para as pessoas que virem este filme”.

Por outro lado, Rami Malek, o favorito ao galardão de Melhor Ator, falou sobre “Bohemian Rhapsody”, o biópico de Freddie Mercury, um dos maiores êxitos de bilheteira do ano, uma narrativa eficaz para saudosistas: compreendi totalmente o quanto ele era importante para tantas pessoas pelo mundo; a sua legião de fãs é gigantesca. Uma coisa inegável nele era o seu magnetismo, e o que ele tem de mágico é o facto de haver uma interação com toda a plateia, em que ele consegue fazer com que nos sintamos a única pessoa na sala”.

Além disso, “Assim Nasce Uma Estrela”, com oito nomeações, premeia com requinte a estreia de Lady Gaga nos grandes palcos, que, a respeito de Bradley Cooper, salientou:ele capturou bem a honestidade da nossa amizade real, assim como a história de amor, confiança e a crença que tinham um no outro, e como isso fazia o seu amor crescer. Bradley Cooper, a propósito do seu filme, na sua estreia enquanto realizador, retorquiu a mensagem: um pequeno gesto pode ter tanto valor sem darmos por isso; essa é uma lição da humanidade. Precisamos uns dos outros de uma maneira muito primordial, e isso é uma das coisas que tentámos transmitir com este filme: o que duas pessoas conseguem fazer quando acreditam uma na outra”.

Com efeito, saliente-se ainda as palavras de Adam Mckay, realizador e argumentista de “Vice”, sobre Dick Cheney (vice-presidente de George W. Bush): este tipo influenciou imenso a História; ele nunca quis estar na luz da ribalta. Discretamente, alterou, e de que forma, as nossas vidas: tinha a melhor combinação de inteligência, ambição e conhecimento burocrático do mundo”.

Em virtude daquele que é um dos favoritos à grande vitória da noite, “Green Book”, Viggo Mortensen, um dos protagonistas da película, enalteceu o seguinte: estamos em 1962 e há muita tensão racial. A história do filme são os obstáculos que as personagens enfrentam juntas; é a relação entre estes dois homens que parecem ser tão diferentes. Mahershala Ali, favorito ao Óscar de Melhor Ator Secundário, corroborou a tese sentimental: ambos descobrem as semelhanças entre eles e ensinam um ao outro coisas sobre as suas diferenças. Esta história apresenta noções de amizade e amor que serão sempre relevantes, seja qual for a época”.

De realçar ainda “A Favorita”, dirigido e recriado por Yorgos Lanthimos, um dos melhores realizadores do cinema europeu atual, que, a respeito do filme, apontou:não queria ter uma vilã e uma vítima; queria que essa dinâmica mudasse entre as personagens”. Rachel Weisz, uma das fortes candidatas a Melhor Atriz Secundária, protagonista deste belíssimo filme, no seguimento do argumento, salientou a intriga da narrativa: é uma história sobre o equilíbrio do poder e sobre quem é responsável por quem.

E, por fim, “Roma”, à partida predileto ao galardão maior, não deixa ninguém indiferente. Alfonso Cuáron, argumentista, cinematógrafo e maestro deste filme, favorito ao Óscar de Melhor Realizador, deixou claro as componentes que eternizaram a obra:manifestaram-se dois elementos cruciais quando surgiu a ideia de realizar este filme; um processo seria apresentar memórias, ou seja, recuperar os momentos e filmá-los nos locais e espaços reais; o outro elemento era filmar a preto e branco. Assim que iniciei o processo, percebi que não podia ser um filme nostálgico a preto e branco à antiga, porque se queria fazer um filme que olhasse para o passado do ponto de vista do presente, da minha perspetiva atual, tinha de ser contemporâneo e limpo. Primeiro escrevi tudo em papel, numa livre associação de ideias e sem as questionar; depois, quando iniciei o processo de produção, perguntei-me: quantas pessoas têm a oportunidade de recriarem a infância? Senti muitas emoções devido à existência destas pessoas na vida real.

Na prática, as probabilidades estão a favor de “Green Book”, por ter recebido o Prémio do Sindicato dos Produtores, que geralmente coincide com a escolha da Academia. No meio de tanta beleza cinematográfica, o pináculo da celebração da sétima arte acontece hoje, onde aquele que outrora foi um apenas um sonho ficará para todo o sempre imortalizado na história e no coração dos espectadores.