O surgimento dos filmes de F. Científica é mais demorado nos Estados Unidos do que na Europa. Do outro lado do Atlântico a Ficção Científica é vista nesta altura como um género “inferior”, mais infantil, sendo que a aposta dos estúdios encontra-se mais no lado melodramático e no lado da aventura por parte do herói que tem que salvar o dia, ao contrário do que aconteceu na Europa onde a Ficção Científica começou logo a ser vista de forma mais ampla do que apenas algo com monstros e efeitos especiais.Esta visão viria apenas a mudar no inicio dos anos 50, com o crescimento dos filmes de série B, produções de orçamento mais baixo que se centravam nos efeitos especiais e nas histórias de cariz mais alternativo em contraste com as grandes produções de Hollywood. Houve no entanto espaço para alguns filmes aparecerem antes da década de 50, sobretudo na área dos filmes de terror, género que anda aliás muitas vezes de mãos dadas com a Ficção Científica. Dentro deste período os filmes mais memoráveis são “Frankenstein”, imortalizado pelo desempenho de Boris Karloff no papel do Monstro e “O Homem Invisível”. Ambos of filmes foram realizados por James Whale e são ainda hoje considerados os melhores dentro dos géneros de Terror/Ficção Científica, sendo grandes influências para realizadores mais novos.

 

Mas voltando de novo aos anos 50, este foi de facto o período no qual os tais filmes de “série B” começam a crescer e a ganhar uma voz própria. O final da segunda guerra mundial trouxe consigo duas ameaças; uma particularmente existente na mente dos americanos: A União Soviética; e uma outra ameaça que afectava o mundo inteiro: a existência de armas nucleares.

 

O Projecto Manhatan mostrou-se bastante eficaz com as duas explosões em Hiroshima e Nagazaki e isso faz com que os realizadores e argumentistas um pouco por todo o mundo começassem a ganhar ainda mais consciência que a mesma ciência que lhes permitia sonhar com uma vida mais facilitada, com melhores carros e melhores condições de saúde poderia também contribuir para um nível de destruição e morte até então impensável. As duas super-potências do pós segunda guerra mundial estavam numa relação bastante tensa e este não era o momento para pensar apenas nas coisas positivas da ciência. Começam então a aparecer no cinema cada vez mais filmes anti guerra, filmes sobre futuros distópicos e sociedades partidas, aberrações surgiram da poluição química e nuclear. Os anos 50 e 60 trouxeram uma nova força aos autores de Ficção Científica.

 

O primeiro filme de Ficção Cientifica americano a ser produzido sob um grande orçamento foi “Destination Moon”, em 1950. Inspirado pela corrida espacial, o filme narra a viagem de quatro astronautas até á Lua, onde devem montar uma base e regressar. Toda a viajem e construção da base são planeadas por um empresário americano que deseja chegar á lua antes que os soviéticos a reclamem como sendo deles. O filme ganhou o Óscar de melhores efeitos especiais sendo ainda nomeado para melhor direcção de arte. O segundo grande filme de Ficção Científica da década foi “O dia em que a Terra parou”, realizado por Robert Wise em 1951. O antigo editor de “Citizen Kane” e na altura futuro realizador de “Musica no Coração” apresenta aqui uma história sobre um diplomata extraterrestre que vem á terra numa missão de paz com o intuito de avisar os humanos que outros povos do Universo se sentem ameaçados pelo poder atómico dos humanos, e que se eles se recusarem a tomar precauções, os povos extraterrestres podem perfeitamente destruir a Terra em prol da segurança de todos os outros planetas. O filme foi o primeiro de todo o género a ser levado a sério nos Estados Unidos, o que levou a que a partir daí nascessem novas oportunidades dentro dos grandes estúdios para os filmes de Ficção Científica.

Dado o mote para as grandes produções, heis que chegam mais três grandes apostas dentro do género: a primeira foi “War of the Worlds” (“A guerra dos Mundos”) uma adaptação da obra mais famosa de H.G. Wells que relata uma invasão extraterrestre á Terra. Esta foi uma das várias adaptações cinematográficas do livro e é considerada uma das melhores. Depois disso, em 1954 o próprio Walt Disney produz com a sua companhia a adaptação do livro de Julio Verne “20,000 Léguas Submarinas” realizada por Richard Fleischer e protagonizada por um elenco de luxo que continha nomes como James Mason, Kirk Douglas e Peter Lorre. O filme chegou mesmo a ultrapassar “E Tudo o Vento Levou” como o filme mais caro a ser feito. O trabalho árduo e o dinheiro gasto foram recompensados com os Óscares de Melhor Direcção de Arte e melhores Efeitos Especiais e sendo ainda o filme com o segundo maior sucesso de bilheteira do ano. A terceira grande aposta por parte dos estúdios foi “Forbidden Planet” lançado em 1956. Todo o filme foi rodado em estúdios, sendo que três quartos da nave principal foram construídos em tamanho real para que os actores (entre os quais um jovem Leslie Nielsen) pudessem caminhar no seu interior e pudessem ainda filmar as entradas e saídas da nave. Para além da nave foi também construído em tamanho real o mundialmente famoso “Robby The Robot”, o robô que é uma das personagens do filme e que foi um dos adereços mais caros a serem construídos. O filme ainda teve a contribuição da Walt Disney Pictures que forneceu a animação para as cenas que misturavam desenhos animados com acção real. Apesar do filme hoje em dia ser considerado um dos melhores de sempre no que toca ao género e ser ainda um filme aclamado pela critica, na altura do seu lançamento não foi tão bem recebido e gerou mesmo alguma contestação em relação á banda sonora, a primeira de sempre a ser feita através de sintetizadores.

A década de 50 foi ainda importante pelo surgir dos famosos “filmes de monstros”, onde criaturas completamente bizarras ou simplesmente mutantes aparecem do espaço ou de algum tipo de acidente atómico e iniciam um ataque em série á civilização. Nos Estados Unidos da América temos “Creature from the Black Lagoon” (“O Monstro da Lagoa Negra”) e “Them!”. Ambos os filmes são importantes por serem pioneiros dentro de um sub-género sendo que a particularidade do primeiro filme foi o seu lançamento em 3D no ano de 1954. O filme é sobre um monstro humanóide membro de uma espécie animal encontrada na Amazónia que seria um elo de ligação supostamente perdido entre os animais marinhos e os animais terrestres; já o segundo filme é mais virado para a temática dos testes nucleares feitos no estado do Novo México que causam com que as formigas comecem a ficar gigantes.

 

O terceiro filme vem do Japão e a sua popularidade conseguiu através dos tempos superar qualquer outro filme de monstros feito antes ou depois da sua estreia; falo de “Gojira”, ou “Godzilla” como é mais conhecido fora do Japão. A inspiração do filme veio da monstruosidade dos bombardeamentos em Hiroshima e Nagasaki sendo que os criadores do monstro quiseram criar uma representação física para o sentimento de medo sentido pelo povo japonês após o ataque americano, bem como das consequências causadas na fauna e flora das regiões afectadas. “Godzilla” é não só o maior ícone no que toca aos monstros do cinema como também é o que aparece em mais filmes, contabilizando até hoje 28 filmes, havendo ainda planos para mais uma adaptação das suas histórias para uma produção americana.