Conclusão

Podemos concluir aquilo que desde o início sempre acreditamos estar acontecer, de que o cinema português está numa fase de lenta evolução, numa transição para um cinema de qualidade, técnica e artisticamente. Que esperemos um dia chegar ao nível do cinema espanhol, que é hoje uma das indústrias europeias mais conceituadas e que grande sucesso tem tido tanto dentro como fora de portas.

 

Nos filmes “Filme do Desassossego”“Mistérios de Lisboa” e “José e Pilar” há uma ligação clara que à literatura. A adaptação literária é bastante comum no cinema mundial e principalmente no cinema português. Portugal é um país de escritores e poetas, desde Fernando Pessoa a Camões, de Vergílio Ferreira José Luís Peixoto, os nossos escritores são bastante bons e podem ser a solução perfeita para a falta de qualidade que afecta o nosso cinema desde à bastante tempo. Pode perfeitamente passar por aqui o caminho para o sucesso do nosso cinema, aproveitando o que Portugal tem de melhor para construir algo que pode ser muito melhor.

 

É interessante ver também que nestes quatro filmes o factor “geração” também se mostra como uma curiosidade comum, como por exemplo, Marco Martins e Miguel Gonçalves Mendes são dois realizadores que fazem parte da nova vaga de realizadores e João Botelho e Raúl Ruíz são dois realizadores “velhos” e conceituados. Ambos precisam uns dos outros, os mais novos para aprender como se faz (e seguida refazer de forma melhor) e os mais velhos para sentirem que está na hora da mudança e que o cinema de autor que satisfaz apenas o umbigo dos intelectuais não pode ser o tipo de cinema com maior peso em Portugal.

 

Assim, o cinema português “pula e avança” (1) para um cinema de qualidade e diferente. A primeira década do século XXI, mais especificamente o ano de 2010, foi um período de grande prosperidade para o cinema nacional, de grande evolução técnica e artística. Terminamos assim este especial “A lenta evolução do Cinema Português” que está dividido em sete artigos (podem ler os artigos aqui).

 

1) como diria António Gedeão no poema “Pedra Filosofal”.

Artigo escrito por Eduardo Magueta e Tiago Resende