Com antestreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Berlim 2018, o drama histórico “A Revolução Silenciosa” chega aos cinemas nesta quinta-feira (dia 25) como um retrato das dificuldades vividas durante o contexto político da Guerra Fria.

O realizador Lars Kraume (“Fritz Bauer: Agenda Secreta”) inspirou-se na história real do professor alemão Dietrich Garstka, morto em abril deste ano, para fazer um recorte da adolescência na Alemanha Oriental pós-guerra, quando não se era permitido ter um pensamento livre como o de um qualquer adolescente comum.

O filme passa-se em 1956, cinco anos antes do Muro de Berlim ser construído, quando ainda era possível os alemães orientais viajarem ao ocidente, desde que declarassem as suas razões para esse efeito. O cenário é Stalinstadt, hoje Eisenhüttenstadt, cidade na fronteira da Polónia (os eventos reais aconteceram ainda mais perto de Berlim, em Storkow).

Estudantes do ensino médio da Juventude Livre Alemã subversivamente informam-se sobre a Revolução Húngara através de um rádio, na casa do excêntrico Sr. Edgar (Michael Gwisdek), sintonizado nas transmissões da RIAS, sediada na Alemanha Ocidental e patrocinada pelos Estados Unidos. Inspirados pelo pensamento de uma nação do bloco soviético erguendo-se contra o ocupante, os alunos decidem fazer um silêncio de dois minutos na escola para honrar os que acabaram de morrer em Budapeste.

O diretor Schwarz (Florian Lukas) tenta conter a situação, mas a notícia de que os estudantes estariam a promover uma contrarrevolução chega à diretoria da escola distrital, cuja presidente Kessler (Jördis Triebel, atriz da série “Dark”, da Netflix) começa a investigar. Kessler, com o aval do Ministro da Educação, recusa-se a recuar até que os líderes do protesto sejam identificados, ou toda a turma será proibida de terminar o ensino médio na Alemanha Oriental.

“A Revolução Silenciosa” não é uma obra-prima de cinematografia ou argumento. Pelo contrário, é um filme bem simples e didático, para ser exibido em salas de aula, por exemplo, por exemplificar o complexo contexto sociopolítico e histórico. Porém, destacam-se os jovens idealistas Kurt e Theo, interpretados respetivamente por Tom Gramenz e Leonard Scheicher, que vivem um triângulo amoroso com Lena (Lena Klenke). Lars Kraume, no entanto, falha ao negligenciar as suas personagens femininas, tanto Lena, como Kessler, sem lhes dar qualquer substância narrativa.

Realização: Lars Kraume
Argumento: Lars Kraume (adaptação do livro de Dietrich Garstka)
Elenco: Leonard Scheicher, Tom Gramenz, Lena Klenke
Alemanha/Rússia/2018 – Drama histórico
Sinopse: Em 1956, durante uma visita a um cinema em Berlim Ocidental, dois alunos de um liceu da Alemanha de Leste veem as perturbadoras imagens da revolta contra os soviéticos em Budapeste. De regresso a Stalinstadt, uma das novas cidades-modelo do regime comunista, os alunos têm a ideia de fazer um minuto de silêncio durante as aulas, em memória dos húngaros que morreram a lutar pela liberdade.

«A Revolução Silenciosa» - Ser adolescente na Alemanha Oriental
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