Dafoe como Jesus Cristo

“A Última Tentação de Cristo”, o filme que transformou Willem Dafoe

O grande Willem Dafoe gosta de trabalhar em uma infinidade de gêneros cinematográficos, o que inclui desde blockbusters a longas independentes – sejam eles dirigidos por grandes nomes da indústria ou até mesmo desconhecidos e iniciantes. Em mais de 40 anos de carreira, Dafoe teve a sorte de trabalhar ao lado de nomes como: Wes Anderson, Hector Babenco (1946-2016), Sean Baker, Anthony Minghella (1954-2008), Oliver Stone, Lars von Trier, Martin ScorseseSam Raimi.

Dafoe construiu sua carreira através de papéis menores, secundários e independentes, entretanto, o talentoso ator estadunidense sempre desfrutou de seu sucesso consistente entre os mais altos escalões da suntuosa e seletiva Hollywood.

Os personagens de Dafoe

Por esse ângulo, corroborando com seu talento, ao todo, Dafoe já foi indicado quatro vezes indicado ao Óscar: três vezes na categoria de Melhor Ator Secundário por “Platoon” (1987), de Oliver StoneA Sombra do Vampiro” (2001), de E. Elias Merhige, e “Projeto Florida” (2018), de Sean Baker, e uma na categoria de Melhor Ator Principal por No Portal da Eternidade” (2019), de Julian Schnabel.

Recentemente, esteve no blockbuster da MarvelHomem-Aranha: Sem Volta a Casa(br: “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”), de Jon Watts, reprisando seu papel como o Duende Verde (favorito dos fãs). Dafoe estrelou ao lado de Tom Holland como o super-herói titular, assim como Zendaya, Benedict Cumberbatch, Alfred Molina, Jacob Batalon, Jon Favreau, Jamie Foxx, Benedict Wong, Tony Revolori, Marisa Tomei, Andrew Garfield e Tobey Maguire.

Dafoe como o Duende Verde

Conhecido por sua diversidade de atuação, Dafoe é conhecido por incorporar vários tipos de papéis, desde a sinceridade sombria de sua participação em “Anticristo”, de Lars von Trier, seu vilão de pantomima em “Grand Budapest Hotel” (br: “O Grande Hotel Budapeste”), de Wes Anderson, sua melancolia em “O Farol”, de Robert Eggers, seu denso Vicent van Gogh (1853-1890) em No Portal da Eternidade”, de Julian Schnabel, sua sutileza em “Projeto Florida” (2018), de Sean Baker e sua altivez em “Togo”, de Ericson Core. Como resultado, sem dúvidas, Dafoe é um ícone contemporâneo popular, muitas vezes aparecendo em grandes projetos do cinema independente e do comercial.

Dedicando-se consistentemente a papéis desafiadores, Dafoe não está interessado em se classificar como um ator de personagem específico. Como o ator disse ao The Guardian no final da década de 1990: “Você precisa ter cuidado porque precisa trabalhar com o que tem, não apenas por vaidade, mas acho que a melhor parte de ser ator às vezes é a oportunidade de se transformar superficial e profundamente”. 

Transformando-se em vários papéis, nenhum filme parecia tão exigente física e mentalmente para Dafoe quanto “A Última Tentação de Cristo” (1988), de Martin Scorsese, um filme no qual o ator retratou o carpinteiro, pregador e líder judeu Jesus de Nazaré (7–2 a.C. – 30–33 d.C.), enquanto enfrentava as lutas da humanidade antes de sua crucificação. “Quando olho para A Última Tentação [de Cristo] fico impressionado, acho que foi um pouco louco que eu nem me preocupei em interpretar esse papel”, afirmou Dafoe em uma cerimônia de premiação para o estimado diretor do filme.

Pôster PT/BR de “A Última Tentação de Cristo”

Depilando lírico sobre Martin Scorsese na cerimônia de premiação, o ator explicou ainda: “Eu tinha visto seus filmes, eu era um grande fã, obviamente, esse cara sabia o que estava fazendo, então durante as filmagens, ele tornou o mundo tão completo e tão perfeito que você realmente se sentiu livre, você sentiu que não podia fazer nada de errado”. Representando ao lado de nomes como Harvey Keitel, Barbara Hershey e Irvin Kershner (1923-2010), apesar do ambiente hostil do cenário do filme e do assunto pesado, o filme continuou sendo uma alegria para Dafoe.

De fato, o ator gostou tanto das filmagens de “A Última Tentação de Cristo” que exclamou “foi apenas um sonho para um ator e a melhor experiência cinematográfica que já tive na vida”. Colaborando novamente com Scorsese em 2004 com “O Aviador”, Dafoe relatou sentir-se “privilegiado” por fazer parte da filmografia do diretor, acrescentando que Scorsese o “transformou e inspirou”.

Dafoe como Jesus Cristo

 

 

* Publicado originalmente na coluna de Vanderlei Tenório no jornal Tribuna do Sertão

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