Sandra Bullock e George Clooney (em “Gravidade”), Matthew McConaughey (“Interstellar”), Matt Damon (“Marciano”), Ryan Gosling (“O Primeiro Homem na Lua”), Natalie Portman (no ainda inédito “Lucy in the Sky”) são alguns dos astros hollywoodianos que recentemente vestiram o uniforme. Agora é a vez de Brad Pitt. Ele protagoniza a primeira investida do realizador James Gray (“The Lost City of Z”) em ficção científica com “Ad Astra”, que estreia nesta quinta-feira (19).

No filme, o ator de 55 anos interpreta Roy McBride, um astronauta que viaja até aos confins do Sistema Solar em busca de seu pai (Tommy Lee Jones, aos 73), um explorador espacial desaparecido há muitas décadas. Sua missão ultra-secreta é impedir que surtos energéticos vindos de Netuno, provavelmente causados pelo seu pai, coloquem a Terra em perigo.

De início, sabemos que a trama se passa num “futuro próximo”, em que empresas como DHL, Subway e Applebee’s já têm filial na Lua. Nessa altura, os norte-americanos também têm estações de pesquisa em Marte, e a jornada de McBride, que vai de uma provação homérica a outra, percorre todas essas paisagens espetaculares. Cada desafio é seguido pelas participações especiais de Ruth Negga e Donald Sutherland.

A maior parte de “Ad Astra” é incrivelmente linda, afinal, são imagens representativas do espaço disponibilizadas pela NASA. Há muitas cenas de acção (que valem à ida a uma sala IMAX): Pitt escalando vertiginosamente uma torre da Estação Espacial Internacional; uma perseguição à la “Mad Max” no lado escuro da Lua; animais assassinos; um lago marciano subterrâneo… Porém, o que mais impressiona é como James Gray e o diretor de fotografia Hoyte Van Hoytema investiram em close-ups nos olhos azuis melancólicos de Pitt.

Se a ideia era captar o vazio da alma de um adulto que foi abandonado pelo pai na infância, conseguiram. Mesmo casado, Roy é um homem solitário e “distante”, como diz sua mulher (Liv Tyler). Ao sistema de avaliação psicológica da agência espacial, ele descreve suas crises existenciais com o mesmo tom de voz em que reporta o batimento cardíaco. É um homem que não quer se mostrar frágil de modo algum.

Bem mais thriller de acção do que filme de arte, “Ad Astra” tem como ponto negativo a voz off de Pitt sempre presente a fazer relatos muitas vezes óbvios. Chega a atrapalhar um pouco alguns dos melhores momentos dos filmes. Fora isso, como uma ficção científica que se preze, é uma bela reflexão sobre masculinidade e relacionamentos em tempos cada vez mais conflituosos do que esperançosos. É também uma das grandes apostas para a temporada de premiações em 2020, como os Globos de Ouro e, claro, o Óscar.

Realização: James Gray
Argumento: James Gray, Ethan Gross
Elenco: Brad Pitt, Liv Tyler, Ruth Negga
EUA/2019 – Drama
Sinopse
: O astronauta Roy McBride viaja para lá dos limites do sistema solar para tentar encontrar o seu pai desaparecido e decifrar o mistério que ameaça a sobrevivência do planeta Terra.

 

«Ad Astra» - A Terra em perigo e um Brad Pitt melancólico
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