O documentário “Amazing Grace”, que estreia nesta quinta (12), leva o espectador a uma viagem no túnel do tempo, diretamente para duas noites de actuação gospel de Aretha Franklin em Los Angeles em 1972. A rainha da soul, que morreu em agosto do ano passado, aos 76 anos, já era bem famosa e premiada quando gravou um disco em formato de culto (ou culto em formato de disco).

Na ocasião, Sydney Pollack (1934-2008) foi contratado pela Warner Bros. para registar esse momento tão especial, que só vem agora a público devido a querelas legais e problemas técnicos. “Amazing Grace” é assinado pelo produtor Alan Elliott que, segundo a revista “Variety”, chegou a hipotecar sua casa para adquirir os direitos do filme incompleto com a autorização de Pollack.

Ainda bem que foi à frente. O concerto da cantora na New Temple Missionary Baptist Church de Los Angeles é algo que arrepia até os infiéis. Tanto que o registo em áudio é o disco de gospel mais vendido de sempre, com dois milhões de cópias compradas apenas na altura.

O ponto alto é a performance de 11 minutos de “Amazing Grace”, que dá título ao documentário. A plateia, os músicos e até mesmo o Coro Comunitário da Califórnia do Sul ficam completamente extasiados e em lágrimas. A catarse é tamanha que nem os operadores das câmaras parecem perceber o que se está a passar ali boa parte do tempo. São gritos de “Yes, Jesus”, gestos com os braços, movimentos com o corpo todo, e a voz de uma Aretha Franklin aos 29 anos. Tímida, religiosa e consciente do seu poder musical. Porém, ela não se dirige ao público. O reverendo James Cleveland (1931-1991), conhecido como o Rei da música gospel, assume esse papel de mestre de cerimónia, ao fazer piadas e criar o clima de celebração.

Quem teve a sorte de ver essa actuação ao vivo foi Mick Jagger. Com os Rolling Stones a fazer 10 anos de carreira, o vocalista é “caçado” pela câmara deslumbrada com sua presença ali. Outro convidado especial é o pai de Aretha, o reverendo C. L. Franklin (1915-1984), que faz um discurso sobre o dom da filha desde a infância. Numa cena marcante, ele limpa o suor da testa dela com um lenço branco.

Num ano em que a Netflix lançou “Homecoming”, com Beyoncé a se preparar para o Coachella, e “Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story by Martin Scorsese”, este filme-concerto da rainha do soul vale muito sair da sala de casa e ir ao cinema.

Realização: Alan Elliott, Sydney Pollack
Argumento: Alan Elliott, Sydney Pollack
Elenco: Aretha Franklin, James Cleveland
EUA/2018 – Documentário
Sinopse
: Um documentário sobre o concerto de Aretha Franklin na Igreja de New Bethel, em Watts, Los Angeles, em Janeiro de 1972.  A diva da soul surge acompanhada pelas vozes do Southern California Comunity Choir e pelo mítico James Cleveland, um dos nomes maiores da música gospel.

«Amazing Grace» - Aretha Franklin direto do túnel do tempo
4.0Valor Total
Votação do Leitor 0 Votos