Depois do sucesso de “Control”, um filme a preto e branco, sobre a história de Ian Curtis, o vocalista da banda britânica Joy Division, Anton Corbjin, o fotografo holandês, regressa à realização com a adaptação da obra “A Very Private Gentlemnan”, de Martin Booth, em “O Americano” (“TheAmerican”). Que é um filme com uma temática diferente e abordado de forma diferente, como é o caso da fotografia, em relação a “Control”, mas que não deixade ser bom.

Jack (George Clooney) é um assassino profissional e um fabricante de armas artesanais, feitas por encomenda. Refugia-se numa pequena cidade italiana, fazendo-se passar por fotografo, onde terá de fazer uma última missão, que será criar uma nova arma para uma mulher misteriosa (Thekla Reuten). Durante a sua estadia, acaba por criar laços de amizade com um padre (Paolo Bonacelli), com quem troca confidências, e Clara (Violante Placido), uma prostituta a quem se liga emocionalmente. Mas, quando se apercebe que a sua missão é revelada, e perante a hipótese de ter uma vida normal, os descuidos vão lhe custar caro.

A primeira ideia com que ficamos, depois de ler este resume da história, é a de que um filme sobre um assassino a fugir de outros, deveria ter cenas de acção e um ritmo acelerado, como acontece em 99% dos filmes de Hollywood, deste género. Mas, Anton Corbjin, é europeu e isso faz toda a diferença. “O Americano” é um thriller com um ritmo lento e silencioso, onde podemos contemplar as belas paisagens italianas e da pequena cidade, e concentra-se sobretudo nas acções das personagens. Com uma estrutura clássica de Western e assumida no filme, na cena em que Jack está no café e está a passar na TV o filme “Era Uma Vez no Oeste” de Sergio Leon, é possível ver a forma como a câmara é colocada, nos planos gerais paisagistas da cidade e das personagens, com um estilo muito de western. Corbjin descreve-nos as acções das personagens de forma metódica, mostrando muitos pormenores que depois não nos levam a lado nenhum, enganando o espectador, mas que o levam a envolver-se na história.

A realização de Corbjin está fantástica e mostra que não é cineasta de um só filme. Quanto à fotografia, Anton Corbjin é um reconhecido fotografo a nível mundial, e apesar de no filme “Control” ter usado o preto e branco com uma estética mais marcante, neste filme nota-se, contudo, que é uma magnífica fotografia.

O elenco composto por actores americanos e europeus está fantástico. Até, George Clooney, de quem pessoalmente nunca gostei, merece ser reconhecido pela bela interpretação de Jack, um homem solitário e aparentemente inofensivo, que pretende libertar-se do seu passado, visível nas conversas que mantêm com o padre da cidade (Paolo Bonacelli), e com Clara (Violante Placido), a prostituta, com quem acaba por se apaixonar.

Corbjin com “O Americano” aproximou-se um pouco mais da vertente comercial, mas mesmo assim, consegue distanciar-se do thriller mais “convencional”, com características cinematográficas europeias. Ou seja, apesar de não chegar ao nível da qualidade artística de “Control”, “O Americano” é um belo filme, um thriller lento e por vezes silencioso. E é a prova de que temos cineasta, com dois filmes já realizados e de algum sucesso mundial, em o “Control” e agora com “O Americano”.

Realização: Anton Corbjin

Argumento: Rowan Joffe

Elenco: George Clooney

EUA/2010 – Drama/Thriller

Sinopse: Um assassino profissional refugia-se numa pequena cidade italiana, á espera que o convoquem para a sua última missão. Quando essa missão é revelada, e perante a hipótese de ter uma vida normal, os descuidos vão lhe custar caro.

«O Americano» - Um Thriller Silencioso
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