«Amor» – Morrer no século XXI

Em 2009, Michael Haneke, venceu com “O Laço Branco” a Palma de Ouro no Festival de Cannes e triunfou nos Prémios do Cinema Europeu. Em 2012 volta a repetir a mesma proeza, com “Amor”. Haneke diz-nos como é morrer no século XXI e como é que os vivos lidam com ela (a morte).

“Amor” torna-se num dos mais belos filmes do realizador austríaco, que num estilo lúgubre, nos cria um retrato intimista sobre a relação de um casal idoso. Este casal é interpretado por dois grandes nomes do cinema europeu, Jean-Louis Trintignant (“Três Cores: Vermelho”, 1994) e Emmanuelle Riva (“Hiroshima, Meu Amor”, 1959). O casal vive confortavelmente no seu apartamento em Paris, até que um dia Anne tem um acidente cardiovascular. Depois de ter sido operada, regressa a casa e passa a ser dependente de Georges, que trata dela. Com o tempo ambos apercebem-se que a doença também lhe afectou o sérebro e que ela caminha para uma demência progressiva. O filme conta ainda com uma participação muito breve da atriz Rita Blanco.

Muitos filmes já exploraram a temática da morte, mas penso que em “Amor” há mais detalhe e realismo. Este filme é de uma enorme simplicidade e frieza, onde há muita coisa que não nos é mostrado, mas o espectador “vê” tudo. Michael Haneke mostra-nos como se morre no século XXI, onde mesmo com tanta tecnologia e com a ciência a progredir todos os dias, à morte não se escapa, nem da pior maneira como acontece com Anne, que está presa a um corpo que está morto. Georges tenta dar todas as condições possíveis para que a mulher não sofra tanto, mas Anne continua a morrer aos poucos. Aliás é isso que acontece em todo o filme, é vermos a mulher morrer ao longo do filme e como todo esse processo é difícil tanto para o marido, como para o próprio espectador. A relação do casal vai sendo testada ao longo das últimas semanas de vida de Anne, onde ambos recordam memórias do passado e as vezes discutem. Esta é uma prova de amor, a última prova de amor. Resta apenas o sacrifício para que tudo acabe.

“Amor” é belo e comovente. Um dos melhores filmes do ano sem dúvida alguma!

Realização: Michael Haneke

Argumento: Michael Haneke

Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Rita Blanco, Isabelle Huppert

Áustria/2012 – Drama

Sinopse: Georges e Anne são octogenários, pessoas cultas, professores de música reformados. A filha, igualmente música, vive no estrangeiro com a família. Um dia, Anne é vítima de um acidente. O amor que une este casal vai ser posto à prova…

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