As Escolhas de Sofia

“Mas quem é a Sofia? E porquê é que interessa o que ela escolhe? A Sofia é uma amante da sétima arte, com formação em psicologia, que nos trará semanalmente uma análise idiossincrática de um filme da sua preferência. Opinião sincera e repleta de curiosidades, acerca de filmes, muitas vezes ignorados pelas luzes da ribalta, mas que de alguma forma merecem protagonismo, pelo interesse do ponto de vista psicológico, da análise do comportamento e da personalidade, e dos benefícios de os visionar. Esperamos que não fique indiferente a esta nova rubrica, e que torne as escolhas da Sofia suas escolhas também!”

Os Condenados de Shawshank (1994) – Liberdade e Esperança

Na semana em que comemoramos 40 anos do 25 de Abril de 1974, que devolveu aos Portugueses a liberdade, recomendo-vos também um filme sobre liberdade e esperança.

Produzido e escrito por Frank Darabont esta é uma adaptação do romance de Stephen King“Rita Hayworth and Shawshank Redemption”, e arrecadou sete nomeações para os Óscares da Academia e duas para os Globos de Ouro, não tendo, no entanto, ganho nenhum destes prémios.

Foi um fiasco de bilheteira que ganhou o respeito e carinho do público ocupando, atualmente o número 1 dos melhores 250 filmes no site do IMDB (Internet Movie Database). “Os Condenados de Shawshank” é um dos filmes mais vistos e aclamados pela crítica e os amantes do cinema, o que parece estranho mas de certa forma poético, porque também o filme manteve a esperança do sucesso que anos mais tarde acabou por alcançar.

Com um elenco recheado de brilhantes atores, de entre os quais se destacam Tim Robbins, Morgan Freeman, Bob Gunton e James Whitmore nos principais papéis desta história que, na minha opinião, incorpora dois contos interligados.

Andy Dufresne (Tim Robbins) um bancário que se diz injustamente acusado do homicídio da mulher e do seu amante é condenado a duas penas de prisão perpétua e enviado para a prisão de Shawshank. Após a dificuldade inicial em se adaptar a um mundo sem liberdade, começa por se aproximar de Ellis Boyd Redding (Morgan Freeman), mais conhecido por Red e o “único prisioneiro culpado de Shawshank”. Red é o prisioneiro que consegue arranjar os itens proibidos na prisão e portanto um importante aliado para Andy que gosta de ocupar o seu tempo a esculpir pequenas peças de xadrez em pedra.

Ajustar-se à dura realidade que é viver aprisionado torna-se mais simples a partir do momento em que Andy cai nas graças dos guardas por os ajudar num esquema de lavagem de dinheiro. Em troca recebe a sua proteção e alguns privilégios. Desta forma acaba por se tornar ajudante de Brooks (James Whitmore) na biblioteca de Shawshank, onde tem maior liberdade para se encarregar das financias dos guardas e do diretor Warden Norton (Bob Gunton).

Durante anos Andy aprende a viver sem liberdade sem perder a esperança de um dia a recuperar, aproveitando-se para isso daqueles que se aproveitam dele. A esperança e determinação de Andy vão contagiando Red ao longo do tempo e libertando-o, não das paredes da prisão, mas das paredes que construiu em volta da procura pela sua felicidade.

A história de Brooks é, para mim, uma história dentro da história (que acaba por se repetir com Red) quando lhe é concedida a liberdade condicional. Brooks que passou praticamente toda a vida na prisão acabou por torna-la um lar, um lugar onde tinha uma função de que gostava, respeito e admiração. A sua tentativa para se adaptar à rotina fora da prisão torna-se dolorosa e inconcebível. Além disso, protagoniza uma das cenas mais tristes e marcantes do cinema.

Não é um filme sem falhas, mas é um filme simples, que apresenta a história sem pressa, baseado na narrativa com uma mensagem forte e que nos marca emocionalmente. Um clássico que inspira a esperança e levanta questões importantes acerca do que é ser livre.

A liberdade que nos é intrínseca não pode ser retirada ou condicionada e “a esperança é uma coisa boa, talvez a melhor das coisas, e nada que é bom, deve morrer”.

"Os Condenados de Shawshank" (1994)_1