As Escolhas de Sofia

O Clube dos Poetas Mortos (1989) – Talento Nunca Morre

Uma das notícias mais tristes e marcantes deste tempo de férias foi a morte do querido ator Robin Williams. Será sempre lembrado pelo seu talento, mas agora também pela sua trágica história. A sua morte vem provar que dinheiro, sucesso e fama não são ingredientes suficientes para uma vida feliz, e que a depressão é uma realidade tão comum que nem as diferenças socioeconómicas são capazes de diluir.

Robin Williams foi um ator brilhante, que nem sempre interpretou papeis à sua altura, mas que conseguia facilmente cativar o espetador. A mim acompanhou-me durante a infância e, principalmente, a adolescência, marcando-me, sobretudo, com o seu papel como Sr. Keating no filme de que vos falo hoje.

“O Clube dos Poetas Mortos” (“Dead Poets Society”) é um exemplo daqueles filmes que se entranha e nunca mais se esquece. Acompanha-nos ao longo da vida, e sempre que o voltamos a ver (sim, porque não conseguimos vê-lo só uma vez) apreendemos e aprendemos algo novo.

O filme conta a história de John Keating (Robin Williams) um ex-aluno da Welton Academy que, em 1959, retorna à instituição como professor de literatura. Welton é um colégio interno conceituado, exigente e rígido, que premeia a disciplina e a excelência, deixando pouco espaço para a irreverencia típica da idade dos seus alunos.

Keating, que sofreu na pele as amarras intelectuais e criativas de “Hell(inferno)ton” (como apelidam os estudantes) torna-se um professor irreverente que utiliza métodos pouco convencionais para ensinar e cativar os seus alunos.

Nas suas aulas, Keating incita-os a procurarem a sua idiossincrasia, as suas paixões, a aproveitarem cada momento como se fosse o último e sobretudo a tornarem as suas vidas extraordinárias.

O efeito dos seus ensinamentos vai-se manifestando gradualmente na vida de alguns estudantes que acompanhamos ao longo da pelicula. Todd Anderson (Ethan Hawke), tímido e inseguro, frequenta o seu primeiro ano na escola, na sombra dos grandes feitos do seu irmão mais velho; Neil Perry (Robert Sean Leonard), aplicado e ambicioso, mas reprimido e controlado pelo seu pai (Kurtwood Smith); Charlie Dalton (Gale Hansen), o mais rebelde dos comedidos; Knox Overstreet (Josh Charles) o descontraído e romântico; Steven Meeks (Allelon Ruggiero) e Gerard Pitts (James Waterston), os bons e aplicados alunos; e ainda Richard Cameron (Dylan Kussman) o respeitador das regras que se mostra incapaz de compreender as mensagens de Keating.

Juntos fazem renascer “o clube dos poetas mortos”, do qual Keating foi membro enquanto estudante, procurando um espaço que lhes permita serem adolescentes na sua plenitude, abrir horizontes, divertir-se e abandonar, por alguns momentos, a pressão que lhes é imposta por pais e professores.

Como seria de esperar, as atitudes do professor não são vistas com bons olhos pelos responsáveis da instituição mas, uma vez incentivada, a revolução que acontece dentro de cada um não pode ser travada.

Repleto de belas metáforas envoltas em referências a grandes nomes da literatura britânica, tudo neste filme grita “Carpe Diem” (aproveita o dia), sendo esta a sua mais importante mensagem.

Existe uma forte crítica à maneira como, ainda hoje, escolas e famílias procuram educar os jovens impondo as suas próprias ideias, e portanto incita o pensamento crítico. Convidando-nos a procurar novas perspetivas sem abandonar a sensatez.

Realizado por Peter Weir (também responsável pela realização de “The Truman Show – A Vida em Direto” em 1998 com Jim Carrey) com argumento de Tom Schulman, que, em 1990, arrecadou o Óscar da Academia para melhor argumento original, entre outras três nomeações para Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Ator para Robin Williams, entre vários outros prémios europeus.

Inspirador, dramático e rico em significados, este é um dos meus filmes preferidos e uma das minhas mais relevantes recomendações, porque afinal, quem nunca questionou “Quem sou eu?” e “Porque estou aqui?”? John Keating, citando Thoreau, diria “…para sugar o tutano da vida (…) e para, quando morrer, não descobrir que não vivi”.

Em homenagem ao ator Robin Willians.

"O Clube dos Poetas Mortos" (1989)_1