As Escolhas de Sofia

Nunca Me Deixes (2010) – Arte que Reflete a Alma

“Nunca me Deixes” (“Never Let Me Go”) é um filme de ficção inglês baseado no romance do escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro, publicado em 2005, aclamado pela Revista Time como o melhor livro da década, e que conta a história de um triângulo amoroso.

Não, isto não é verdade. Do ponto de vista literal existe, de facto um triângulo amoroso, mas na perspetiva alegórica, este enredo é muito mais do que isso. É uma mistura entre ficção científica, romance e drama delicioso e marcante. Mas quanto menos pormenores souberem melhor será a experiência cinematográfica (e literária).

Do realizador Mark Romanek (também responsável pela realização de “Câmara Indiscreta”) e argumento de Alex Garland, conta com a participação de Andrew Garfield (ator que interpreta “O Fantástico Homem-Aranha”), Keira Knightley (nomeada ao Óscar por “Orgulho e Preconceito”) e Carey Mulligan (nomeada ao Óscar por “Uma Outra Educação”), um elenco de luxo completado ainda por jovens promissores atores.

Sem levantar muito o véu, esta é a história de Kathy (Izzy Meikle-Small e Carey Mulligan) uma jovem que vive num mundo em que a cura para a maior parte das doenças da humanidade foi já descoberta, num passado alternativo, entre os anos 70 e 90 em Inglaterra.

Kathy cresceu num colégio interno, isolado do mundo, cujas regras rígidas e a disciplina nem sempre compreendia. Com Tommy (Charlie Rowe e Andrew Garfield) e Ruth (Ella Purnell e Keira Knightley) formou uma forte amizade, e juntos crescem procurando compreender o seu propósito, concluindo apenas que estão a ser criados para servir alguém superior. Têm um destino traçado, que não contestam, até que a vontade de amar se torna mais forte.

É uma história melancólica, espelhada na tela pelas cores suaves e pálidas, que nos conduzem pelas memórias da jovem que tenta aproveitar ao máximo a vida de que dispõe ajudando os seus amigos a fazer o mesmo.

Ishiguro que é fascinado pela forma como as pessoas se adaptam à vida em sociedades opressoras conseguiu construir, nesta história um ambiente tão plausível e real que nos transporta para a esfera das personagens e nos leva a questionar as nossas próprias crenças, opiniões e sentimentos.

O filme tem uma narrativa linear, ao contrário do livro, perdendo pelo caminho alguma da sua escuridão. Não obstante, a ideia fundamental de que a vida será sempre curta demais e rápida demais para lidarmos com as consequências das nossas decisões e aproveitarmos todos os seus pormenores, encontra-se patente. Por isso, aproveite para passar algum tempo a desfrutar deste filme, porque ele irá decerto fazer com que queira aproveitar melhor tudo o que vem a seguir.

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