Ao contrário de “O Jogo da Imitação” este filme não será esquecido depois dos Óscares, até porque é um filme realizado pelo mexicano Alejandro González Iñárritu (“Amor Cão”, “21 Gramas”, “Babel”). Apontado como um dos filmes mais aguardados do ano, está a dar muito que falar durante esta temporada de prémios, que decorre até à noite dos Óscares. O filme que abriu o 71.º Festival de Veneza, onde se estreou, é um dos favoritos na corrida aos Óscares.

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) leva o espectador a viver uma experiência diferente (mas não original), para os bastidores de um Teatro. “Birdman” apresenta-nos Riggan Thomson (Michael Keaton), um ator famoso por ter interpretado um super-herói icónico que lhe marcou a carreira, mas que agora debate-se com problemas financeiros, assiste à desintegração da sua família e vive atormentado por dúvidas existenciais, enquanto desespera pelo regresso à ribalta. Riggan luta contra o seu ego para recuperar a família e a carreira que perdeu.

Tecnicamente o filme é bastante interessante e brilha por isso. Iñárritu recorre constantemente ao plano-sequência para dar a ilusão de um movimento contínuo da câmara. Com alguma atenção o espectador pode aperceber-se da existência do corte ou não. Mas isso passa-nos ao lado com a beleza do movimento pelos corredores, salas de bastidor, do palco e pela rua do teatro. A câmara ganha uma vida que nos faz muitas vezes desligar do enredo, o que de certa forma permite que o filme seja agradável ou “fácil” de se ver, não passando disso.

O filme levanta, ou tenta levantar, questões como o que é arte ou não, qual o papel dos críticos de arte, o gosto do público e tenta de certa forma homenagear os filmes de super-heróis que nunca foram muito valorizados pela “crítica”. Curiosamente, o ator Michael Keaton, na vida real, interpretou a personagem Batman nos anos 90, o que lhe deu um grande êxito, visto sempre como o Batman. O Ator consegue aqui um desempenho fantástico que lhe permite, com justiça, chegar ao Óscar de Melhor Ator.

Assistimos novamente à passagem de um realizador estrangeiro que quer fazer filmes em Hollywood. Depois da sua “trilogia da morte” e de “Biutiful” (2010) o realizador mexicano parece querer entrar no sistema de cinema americano. O que normalmente acontece com estes realizadores estrangeiros é que quando fazem filmes em Hollywood, perdem o interesse, “estragam-se”, “viciam-se”.

“Birdman” é uma comédia negra que tinha tudo para ser um filme genial, mas que acabou por se hipnotizar com a técnica. Vive sustentado com uma estética própria e com um argumento interessante. Mas no final não se consegue extrair muito desta história dramática de um ator desequilibrado que quer deixar para trás uma carreira como ator de “super-heróis” e que se quer afirmar como um ator de palco, na Broadway. “Birdman” voa longe mas com alguma trepidação.

Realização: Alejandro González Iñárritu

Argumento: Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo

Elenco: Amy Ryan, Edward Norton, Emma Stone, Michael Keaton, Naomi Watts, Zach Galifianakis

EUA/2014 – Comédia

Sinopse: Uma comédia de humor negro que conta a história de um ator, famoso por ter interpretado um super-herói icónico, e que agora planeia montar uma peça de teatro numa tentativa de recuperar os seus tempos de glória. Nos dias que antecedem a noite de abertura, o ator – Riggan Thomson – luta contra o seu ego e tenta recuperar a sua família, a sua carreira, e a si próprio.

«Birdman» - Voa longe mas com alguma trepidação
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