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Com uma premissa minimalista, “Blackway” leva-nos até uma pequena cidade do Noroeste americano onde as casas e os carros são velhos, as pessoas são frias e o clima apresenta-se teimosamente cinzento. Nesta cidade, Lillian (Julia Stiles) é atacada por um ex-polícia tornado traficante/agiota/criminoso-em-geral chamado Blackway (Ray Liotta) de quem toda a gente parece ter medo, inclusive o próprio xerife da cidade que aconselha a nossa protagonista a abandonar a cidade e esquecer o assunto. Lillian claramente não está para deixar a sua casa e acaba por recrutar a ajuda de dois lenhadores locais, o já idoso mas resiliente Lester (Anthony Hopkins) e o jovem timido e atabalhoado Nate (Alexander Ludwig). Juntos, Lillian, Lester e Nate acabam por partir numa pequena road-trip pela localidade à procura de fazer justiça pelas próprias mãos.

Apesar de “Blackway” começar bem com o ataque da personagem titular a uma mulher dentro da sua própria casa (ou assim parece) todo o resto da trama leva tanto tempo até começar a fervilhar que acabamos por nos esquecer de que era suposto estarmos a ver um thriller. O realizador Daniel Alfredson procura de tal forma criar um ritmo lento e sombrio, que acaba por tornar todo o seu trabalho monótono e sem grandes surpresas, recorrendo a praticamente todos os clichés deste género cinematográfico. Mas é na personagem de Ray Liotta que encontrei a maior desilusão; para alguém que é tão temido pela população ao ponto quase de me fazer lembrar de Voldemort no universo de Harry Potter, afinal de contas, tanto o xerife da cidade como também todos os lenhadores, famosos exactamente por serem homens duros e corajosos têm medo deste tal de Blackway, que acaba por não fazer nada ao longo do filme que justifique a semi-veneração à sua personagem. Não culpo certamente o actor pelas fragilidades da sua personagem, afinal de contas ele consegue ainda assim impor bastante respeito apenas com um olhar ou um sorriso mal intencionado, mas as falhas estruturais do filme parecem vir claramente das escolhas feitas durante a escrita do argumento, principalmente durante o segundo e terceiro actos, onde mais clichés e mais diálogos forçados parecem querer aparecer de todos os cantos com o intuito de avançar a todo o custo com a narrativa para a frente, como que sabendo que o final está próximo e é preciso começar a despachar, mas mesmo assim sem deixar o ritmo lento inicial.É então no primeiro acto que o filme tem o seu ponto forte, talvez por ser a altura onde as personagens se dão mais a descobrir e os três actores principais têm mais espaço para nos atrair com o seu trabalho de interpretação e não tanto através das artimanhas narrativas e dos já referidos clichés.

No seu todo, “Blackway” acaba por ser o típico filme independente de suspense que tenta, com mais olhos que barriga, fazer mais do que aquilo que é capaz, acabando por desperdiçar boa parte do talento à sua disposição, interessante o quanto baste para os fãs do género (falo de filmes policiais, thrillers) mas frustrante quando comparado com o que podia ser.

RealizaçãoDaniel Alfredson
ArgumentoJoe Gangemi, Gregory Jacobs
ElencoAnthony Hopkins, Julia Stiles, Ray Liotta
EUA/2015 – Thriller
Sinopse
: Um antigo lenhador vem em auxílio de uma mulher que retorna à sua cidade natal no noroeste do Pacífico e se vê assediada e perseguida por um ex-polícia transformado em senhor do crime.

 

«Blackway» - Um thriller bastante morno
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