Brasil: Após 39 anos, clássico “A Hora da Estrela” regressa aos cinemas

O filme será relançado nos cinemas brasileiros a partir de 16 de maio
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"A Hora da Estrela" (1985), de Suzana Amaral

Após a digitalização e o relançamento de “Durval Discos” de Anna Muylaert, a Sessão Vitrine Petrobras apresenta agora a digitalização e o relançamento de outro grande clássico do cinema nacional: “A Hora da Estrela”, realizado por Suzana Amaral.

Em 1985, a produção foi laureada com o prémio Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim, em reconhecimento ao talento da renomada atriz paraibana Marcélia Cartaxo.

A Hora da Estrela

Inspirado em um dos livros mais vendidos e reverenciados da autora Clarice Lispector, o filme narra a história de Macabéa, uma jovem datilógrafa nordestina que, em São Paulo, encontra um namorado e almeja a felicidade.

Em uma belíssima crítica publicada no site Plano Crítico em 2021, Fernando Jg define a obra de estreia de Amaral da seguinte forma:

“É uma missão quase impossível adaptar qualquer obra de uma autora tão complexa quanto Clarice, no entanto, Suzana Amaral não se intimida perante o cânone e coloca-se diante dele, desvendando a esfinge. A sua Hora da Estrela – porque, afinal, já não é mais de Clarice – é autoral, ousada e fascinante, deixando-nos obcecados não apenas pela construção dramática, mas pela singularidade da sua Macabéa. É, de fato, uma belíssima obra, que ganha cada vez mais força a cada reexame. Receba o filme de Suzana como quem recebe o cinema em sua forma mais pura e essencial, que é assim que ele deve ser recepcionado”.

Além de Marcelia Cartaxo, o filme também conta com a participação de Fernanda Montenegro e é reconhecido como um dos maiores clássicos do cinema nacional.

Recentemente, a obra de Amaral ganhou uma nova vida graças às redes sociais. Independentemente das opiniões sobre os jovens, foram eles os responsáveis pelo ressurgimento da emblemática Macabéa, através de breves trechos do filme compartilhados em plataformas como TikTok, Facebook e Instagram.

Agora, esses jovens terão a oportunidade de assistir ao filme na íntegra na tela grande.

Digitalização

Neste momento, a digitalização da obra está em andamento no Rio de Janeiro, sob os cuidados de Débora Butruce, curadora e responsável pelos filmes de patrimônio do projeto.

“Graças ao patrocínio da Petrobras é possível incluir filmes de patrimônio entre os lançamentos da Sessão Vitrine Petrobras, resgatando a memória do audiovisual nacional e favorecendo a formação de uma cultura cinematográfica baseada em referências brasileiras, ação essencial para a valorização do nosso cinema.”, afirma Silvia Cruz, criadora do projeto e sócia fundadora da Vitrine Filmes.

Distinções

A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) nomeou o filme como um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.

Além do prêmio no Festival de Berlim, a produção foi o grande vencedor do Festival de Brasília de 1985, vencendo em seis categorias: ‘melhor filme’; melhor edição’, feita por Idê Lacreta; ‘melhor fotografia’, sendo o responsável Edgar Moura; ‘melhor atriz’ para Marcélia Cartaxo e ‘melhor ator’.

Depois de toda sua trajetória de sucesso, foi escolhido pela Embrafilme para representar o Brasil no Óscar de melhor filme estrangeiro em 1986.

Quando reestreia?

O filme será relançado nos cinemas brasileiros a partir de 16 de maio, com sessões com preços acessíveis disponíveis em pelo menos 20 cidades do país.

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