Caminhos do Cinema Português: nova edição

A XXVII Edição de Caminhos do Cinema Português recupera o conceito de um festival de celebração, de proximidade e de intimidade. Depois de uma edição em que fomos forçados a garantir e pedir distanciamento físico de pessoas e sessões, voltamos a reivindicar a aproximação entre espectadores e criadores, aproximando cadeiras e celebrando em conjunto mais uma edição daquele que é o festival com uma programação com “cinema português para todos”.

Mas quem são estes “todos”? Com quem pretende dialogar e aproximar-se esta Selecção Caminhos, programada em 2021, e apresentada depois de todo o tipo de afastamentos e medos?, questiona o Festival e procura dar respostas nas mais diversas secções que apresenta de 6 a 20 de Novembro, em Coimbra.

Na Selecção Caminhos encontrar-se-ão tanto realizadores de reconhecido mérito no panorama actual do cinema português (como Miguel Gomes, Leonor Noivo, Sérgio Tréfaut, Diogo Costa Amarante ou mesmo Bruno Gascon) tal como novos realizadores e até primeiras obras (como “Noite Turva” de Diogo Salgado). Esta é ainda uma programação que pretende impedir eventuais esquecimentos, como vemos explícito nos valiosíssimos documentários “Visões do Império” (Joana Pontes) e “Alcindo” (Miguel Dores) e na área da animação com “O Teu Nome É” (Paulo Patrício) – vencedor do Prémio Casa Comum do último Queer Film Festival do Porto -. É ainda uma selecção que representa todos aqueles que foram além-fronteiras, com co-produções e rodagens feitas entre portos palestinos (“Gaza Mon Amour”), pelas ruas, caras e memórias de um Brasil de Sérgio Tréfaut (“Paraíso”), ou de uma Noruega tempestuosa da imaginação de Artur Ribeiro (“Terra Nova”). Destaque para a exibição do recém escolhido para indicação portuguesa à nomeação do Óscar de Melhor Filme Internacional, «A Metamorfose dos Pássaros» de Catarina Vasconcelos; bem como da curta de ficção «O Nosso Reino» de Luís Costa, vencedora dos prémios Melhor Curta do MotelX e do VistaCurta.

 

«Alcindo» de Miguel Dores © DocLisboa

A Seleção Outros Olhares  vem novamente apresentar ao público uma amostra notável de outros olhares significativos da produção cinematográfica nacional mais recente, que agrega desde reflexões sobre grandes figuras da cultura nacional (cinematográfica, nas não só) a meditações fílmicas sobre a nossa vida, memória e História, sempre com um ponto de vista insólito, inesperado e heterogéneo, recorrendo aos formatos da ficção, do documental ou da docuficcção. A Aqui podemos, então, esperar pelos documentários curta-metragem «Películas», realizado por Tiago Resende (e que antes passou pelo Queer Festival no Porto), bem como «Mudança», escrito e realizado por Welket Bungué com participação de Joacine Katar Moreira (e que antes passou pelo Festival de Londres). O realizador e actor tem dois filmes só nesta secção, com destaque para a estreia em Portugal, da ficção «Urubu É O Amigo Desconhecido»: um casal reencontra-se numa praia algures no Brasil, e os urubus começam a comunicar com eles usando a dialética dos seus ancestrais. Urubu é o outro desconhecido, ou a humanização do espectro animal a partir da abstração do humano.

Mudança, de Welket Bungué
Urubu É O Amigo Desconhecido, de Welket Bungué

Em competição na Secção Olhares, serão igualmente exibidos os documentários longa-metragem «Distopia» de Tiago Afonso (recém vencedor do DocLisboa), bem como a «A Távola de Rocha» de Samuel Barbosa, dedicada ao trabalho cinematográfico de Paulo Rocha, entre outros.

A Távola de Rocha de Samuel Barbosa

A Seleção Ensaios debruça-se, como é seu apanágio, no que de melhor se fez em contexto académico no último ano. Nota também para a presença, pela primeira vez, de três filmes realizados por estudantes de Coimbra, consequência do crescimento da atividade cinematográfica, a todos os níveis, na cidade, salienta a organização do Festival.

Fora da Competição, as Sessões Especiais trazem um conjunto de filmes portugueses lançados ao longo do último ano, nomeadamente, «Eunice ou Carta a uma Jovem Actriz», sobre Eunice Muñoz, de Tiago Durão. Haverão também sessões do Turno da Noite, que procuram assustar e não deixar ninguém indiferente.

Eunice ou Carta a uma Jovem Actriz, de Tiago Durão

Naquela que é uma premissa essencial do festival, a saber, pretende-se reforçar os elos comunitários com o cinema da lusofonia e estabelecer os Caminhos como um ponto de encontro das comunidades em diáspora oriundas de países de expressão portuguesa com a sua cultura, há espaço para uma selecção de Filmes da Lusofonia. Globalmente falando, e para que o espectador contemple e conheça um pouco daquilo que se tem feito na 7ª arte, viajando por 4 continentes diferentes: a Ásia, a Europa, a África e a América, mas também que se confronte e se exponha a diferentes culturas que coabitam com a nossa própria, haverá também espaço para uma selecção de Filmes do Mundo.

Atravesse-se por estes Caminhos do Cinema, e não perca nada, no  Teatro Académico Gil Vicente.

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