Cannes 2013: Dia 8

Ao oitavo dia de Cannes estreou o mais recente filme do dinamarquês Nicolas Winding Refn, “Only God Forgives”. Neste thriller sobre gangsters, seguimos Julian (Ryan Gosling), dealer que se serve do clube de boxe tailandês que dirige para cobrir as suas atividades. No dia em que o irmão Billy é morto após ter assassinado uma prostituta, a mãe (Kristin Scott Thomas), a cabecilha de uma importante organização criminal vai à  Tailândia e exige que Julian vinga o seu irmão. Este vai então ser confrontado com Chang (Vithaya Pansringarm), um reformado da polícia Chamado o Anjo da Vingança. Nicolas Winding Refn sobre a violência de que está impregnado seu filme: “A arte é um ato de violência. A minha abordagem é um pouco pornográfica, é o que me excita que vale. Não posso censurar essa necessidade. Não se deve esquecer que o nosso nascimento nos obriga a violência, é instintivo, mas ao fio dos anos, ela torna-se mais mental, e a arte permite-nos exprimi-la.”. A obra, que era uma das mais aguardadas do certame, não foi bem aceite pela maioria dos espectadores e críticos, tendo sido vaiado e apenas alguns o aplaudiram. Para a Variety, “é um filme sem nenhum tipo de valor”, e para a revista Sight & Sound mostrou-se bastante crítica em relação ao filme, considerando a obra “pretensiosa, machista, tonta e sem substancia”.

 

“Grigris”, de Mahamat-Saleh Haroun, foi o segundo filme em competição a estrear neste dia. Este é um drama leve sobre um aspirante a dançarino, Grigris (Souleymane Démé), que fica paralisado em uma das pernas. O filme passou um pouco despercebido no certame, não acrescentando nada. Mahamat-Saleh Haroun falando da expressão do corpo do ator e dançarino, Souleymane Démé: “Foi ele o mestre das suas coreagrafias, em que trabalhou durante muito tempo. Pedi-lhe para mostrar emoção na sua dança e ele conseguiu. Ele não fala muito. Aliás, no filme também não. Ele exprime as coisas através da dança e do seu corpo.”. Para o The Guardian é uma obra menor e para a Variety, “o compromisso do seu ator principal é a principal razão para ver Grigris. Considere a sua interpretação eletrizante!”.

 

Cannes 2013: Dia 9

Ao nono dia do certame, que foi considerado por muitos como o melhor dia da semana até ao momento, o destaque foi para “La Vie D’Adèle”, a quinta longa-metragem do cineasta franco-tunisino, Abdellatif Kechiche, e a primeira selecionada a Cannes. Conta a história de uma paixão amorosa entre duas jovens mulheres de condições sociais diferentes, interpretadas por Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos. O filme, que foi uma total surpresa para todos, foi entusiasticamente bem recebido, sendo aliás um dos favoritos à Palma de Ouro no domingo. O The Hollywood Reporter classificou de “memorável o trabalho das atrizes Léa Seydoux e Adele Exarchopoulos” e o The Guardian, considerou o filme “apaixonante, com um excelente argumento que o próprio Abdellatif Kechiche adapta da novela de Julie Maroh”.

 

O segundo destaque do dia foi “Nebraska”, um road movie em preto e branco onde seguimos um pai e um filho numa viagem até ao Nebraska, do americano Alexander Payne, que acabou também por ser uma surpresa positiva para a crítica. Alexander Payne fala da génese do filme: “Roda-se um filme numa determinada época. Recebi o argumento há nove anos. É uma história humorística e melancólica tal como acontece na vida. O argumentista viveu realmente os factos, ele descreve a sua experiência pessoal. É um filme da época da Grande Depressão, foi por isso que a filmei em preto e branco”. Para a Sight & Sound, “Nebraska é um road movie bonito, sobre as relações e tensões familiares” e “um grande filme que contem um Bruxe Dern em estado de graça”. A maioria da crítica foi conquistada pela interpretação de Bruce Dern, sendo que este é visto como um dos favoritos ao prémio de Melhor Ator.