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Vamos a meio do certame e muito filme ainda falta ver, até ao fim-de-semana. No sexto dia do festival, o realizador Bennett Miller (“Capote” e “Moneyball – Jogada de Risco”) marca a sua primeira presença em Cannes, com o filme “Foxcatcher”. Este conta a história de Mark e Dave Schultz, dois atletas de luta livre consagrados com as medalhas de ouro nas olímpiadas de 1984, preparam a defesa do seu título nos Jogos de Seul. Ambos são convidados por um milionário filantropo, John du Pont, que pretende formar o maior clube de luta livre do mundo na área luxuosa de Foxcatcher. Filme biográfico sobre história trágica dos lutadores Schultz e da relação com John du Pont, um sujeito que sofre de esquizofrenia paranóica. “Quando comecei a ter conhecimento dessa história, sabia que havia temas que vão muito além, algo que nos reenvia a nós próprios e ao nosso país. Não é um filme político, é um filme que tenta compreender algumas dinâmicas como o declínio. Utilizámos um microscópio para observar o interior dessa história. Podemos compreender o universo usando um telescópio, mas também por vezes utilizando um microscópio.”, disse Bennett Miller sobre a sua abordagem temática. A crítica considerou este um dos melhores filmes da competição. O The Telegraph e o The Guardian deram ambos cinco estrelas ao filme. Segundo a Variety: “Este drama psicológico insidiosamente fascinante é um padrão de narrativa, escuro, violento e furioso (…) Miller confirmou a sua altura como um poeta da América cinzenta”.

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David Cronenberg, uma presença regular em Cannes, onde esteve na competição por quatro vezes (ganhou o prémio do júri com “Crash” e mais recententemente apresentou “Cosmopolis”), estreou agora “Maps to the Stars”. Um retrato sem concessão dos mecanismos de Hollywood, que junta um elenco de luxo: John Cusack, Julianne Moore, Mia Wasikowska e Robert Pattinson. O filme apresenta personagens do mundo cinematográfico, que criticam Hollywood. “Não se trata de um ataque a Hollywood. Há que ir ainda mais longe, a acção poderia passar-se em Wall Street, ou em qualquer lado em Washington. Trata-se também dos que lutam para ter sucesso e ganhar dinheiro”, disse Cronenberg sobre a visão de Hollywood expressa no filme. Segundo o The Guardian, “este é um filme requintado e terrivelmente fascinante sobre Hollywood contemporânea. Torcido, perverso e distante de todos os outros clichês previsíveis sobre ‘celebridade’ cultura”. Para o The Hollywood Reporter“parece ser brilhante, mas no final, é apenas uma piada de uma imagem coerente da Hollywood do século”.