Realizou-se hoje a cerimónia da entrega dos prémios mais importantes do cinema, a 69.ª edição do Festival de Cannes. A Palma de Ouro foi entregue ao filme “Eu, Daniel Blake” de Ken Loach. O cineasta inglês vence assim a sua segunda Palma de Ouro (a primeira foi em 2006 com o filme “Brisa de Mudança”).

Um drama atual que conta a história de Daniel Blake, um marceneiro de 59 anos que sobreviveu a um ataque cardíaco e que segundo os médicos teve de desistir de trabalhar. A complexa burocracia do Estado Social vai obrigar Daniel a procurar um improvável emprego ou a ficar exposto a perder a pequena ajuda que recebe, que é apenas o suficiente para sobreviver.

Aos 80 anos, o cineasta e ativista Ken Loach, o mais velho dos realizadores em competição, e com uma extensa filmografia com fortes ideologias políticas, referiu no seu discurso em Cannes que “quando existe desespero, as pessoas da direita ganham vantagem (…) outro mundo é possível, outro mundo é necessário.”

“Eu, Daniel Blake” foi muito elogiado pela crítica e pelo público e considerado um dos mais emocionantes filmes deste ano. Ken Loach junta-se assim ao grupo de realizadores que bisaram a Palma de Ouro em Cannes: Emir Kusturica, Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, Bille August e Michael Haneke

O Grande Prémio do Júri (presidido por George Miller), o segundo galardão mais importante depois da Palma de Ouro, foi para “Tão só o Fim do Mundo”, o novo filme do canadiano Xavier Dolan. No entanto, a história de um escritor doente que regressa a casa para anunciar a sua morte à família, do jovem cineasta, não foi bem recebido pela crítica.

O prémio de Melhor Realizador foi partilhado entre dois realizadores, o romeno Cristian Mungiu (“O Exame”) e o francês Olivier Assayas (“Personal Shopper”).

O Prémio de Melhor Ator foi entregue ao iraniano Shahab Hosseini pelo filme “O Vendedor”, do realizador iraniano Asghar Farhadi, e o Prémio de Melhor Atriz foi atribuído à filipina Jaclyn Jose pela sua interpretação em “Mãe Rosa”, realizado pelo seu compatriota Brillante Mendoza.

A Palma de Honra foi atribuída a Jean-Pierre Léaud, que “nasceu” em Cannes, em 1959, ano em que o realizador François Truffaut descobre o jovem ator para ser o herói do seu primeiro filme, “Os Quatrocentos Golpes” (1959), inaugurando a Novelle Vague.

Palmarés 2016

Palma de Ouro
Eu, Daniel Blake, de Ken Loach (Reino Unido, França)
Grande Prémio do Júri
Tão Só o Fim do Mundo, de Xavier Dolan (Canadá, França)
Melhor Realizador
Cristian Mungiu, por O Exame (Roménia, França, Bélgica)
Olivier Assayas, por Personal Shopper (França)
Melhor Atriz
Jaclyn Jose, em Mãe Rosa (Filipinas)
Melhor Ator
Shahab Hosseini, em O Vendedor (França, Irão)
Melhor Argumento
Asghar Farhadi, por O Vendedor (França, Irão)
Prémio do Júri
American Honey, de Andrea Arnold (Reino Unido, EUA)
Camera d’Or (Melhor Primeiro Filme)
Divinas, de Houda Benyamina (França)
Palma de Ouro (Curta-Metragem)
Timecode, de Juanjo Giménez Peña (Espanha)
Menção Especial
A Moça que Dançou com o Diabo, de João Paulo Miranda Maria (Brasil)
Palma de Ouro de Honra
Jean-Pierre Léaud

Prémio FIPRESCI
Selecção oficial
Toni Erdmann, de Maren Ade (Alemanha, Áustria)
Un Certain Regard
Câini, de Bogdan Mirica (Roménia, França, Bulgária)
Semana da Crítica
Grave, de Julia Ducournau (França, Bélgica)
Prémio do Júri Ecuménico
Tão Só o Fim do Mundo, de Xavier Dolan (Canadá, França)
Menções Especiais
American Honey, de Andrea Arnold (Reino Unido)
Eu, Daniel Blake, de Ken Loach (Reino Unido, França)