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Cannes 2020: curta-metragem portuguesa “Corte” em competição na Cinéfondation

A curta-metragem “Corte”, realizada pelos jovens cineastas Afonso Rapazote e Bernardo Rapazote, e produzida pela Escola Superior de Teatro e Cinema, foi selecionada pela Cinéfondation, a secção competitiva do Festival de Cannes dedicada a filmes de escola do mundo inteiro e novas vozes do cinema independente.

É a primeira vez em duas décadas que Portugal é representado na Cinéfondation e a primeira vez na história da competição que uma produção inteiramente portuguesa é selecionada, depois das seleções de António Ferreira, com a curta luso-alemã “Respirar (Debaixo d’Água)”, e com o filme “A Viagem”, de Simão Cayatte.

O filme propõe um olhar diferente sobre a ordem e a liberdade, bem como sobre a sua impossível conciliação. Para os gémeos Afonso e Bernardo Rapazote “a história é sempre um guia para o futuro, mais do que uma celebração do passado. O filme não é sobre o século XVIII, mas antes sobre a nossa perceção desse tempo com consciência do presente. Partindo dessa noção, pode dizer-se que aquilo que o filme mostra é o fim de uma família: um corte nos resíduos da família nuclear, neste caso a família real, que representa esse núcleo por excelência”.

O que permanece, da imagética criada em “Corte”, são os resíduos de “um mundo em que o pai está ausente e a figura da mãe está morta à partida – o que permanece é o laço de dois irmãos gémeos orientados por um aio que tenta cumprir os dois papéis, e a ideia de um príncipe herdeiro que usa o pretexto da liberdade para agir por si próprio”.

Em “Corte”, assistimos a uma distorção das regras e dos códigos estabelecidos pelo género whodunnit. “A ironia fatal da progressão do enredo é que uma personagem comete um crime para preservar um ideal de ordem familiar e, ao fazê-lo, destrói o último laço familiar daquele espaço. Por outro lado, aquele que promove ideais de liberdade acaba acorrentado, como se aquele mundo o culpasse pela sua transgressão moral. Por isso mesmo, talvez seja um filme que se coloca no lado errado da história”, explicam os realizadores.

Afonso Rapazote, António Mortágua, Bernardo Rapazote, Gustavo Salvador Rebelo, Miguel Monteiro e Victor Gonçalves integram o elenco.

Fonte: Portugal Film