A Semana da Crítica, a Quinzena dos Realizadores e a Associação para a Difusão do Cinema Independente (ACID), três secções paralelas do Festival de Cannes, e que estavam previstas para maio, foram canceladas devido à pandemia de coronavírus (Covid-19).

“Após o anúncio do presidente francês de 13 de abril, que proibia a realização de qualquer festival até meados de julho, as secções paralelas do Festival de Cannes reconhecem que o adiamento anteriormente considerado para o final de junho, início de julho, não é mais uma opção. Consequentemente, a Quinzena dos Diretores, a Semana da Crítica e o ACID lamentam anunciar o cancelamento das suas edições de 2020 em Cannes”, disseram as secções em comunicado conjunto.

Estas secções paralelas ao Festival de Cannes, que têm uma programação e autonomia própria, vão procurar a melhor maneira de continuar a apoiar os filmes submetidos à edição de 2020.

Este comunicado surge um dia depois de a organização do Festival de Cannes 2020 ter informado que o festival não pode acontecer no final de junho e que provavelmente não se realizará “na sua forma original”. Até ao momento, não há uma decisão final quanto ao formato e data para a 73.ª edição de Cannes.

Segundo uma entrevista da Variety ao diretor artístico do festival Thierry Fremaux, sabe-se que há a possibilidade de Cannes acontecer no outono, talvez em colaboração com outro festival europeu, como o Festival de Veneza. Fremaux já assumiu, no entanto, que o festival não será digital, ou seja, com uma versão online, como outros têm feito (como Annecy e Visions du Réel, por exemplo).

“Como dissemos, não haverá um festival virtual porque não faria sentido considerando aquilo que é o Festival de Cannes”, explicou Fremaux. “E não haverá um festival mais curto ou um com menos secções. Se o Festival de Cannes acontecer, ele será na sua plena posse de recursos. Se acontecer, significa que a vida venceu.”

O diretor do festival comentou uma possível colaboração com o seu amigo Alberto Barbera, diretor do Festival de Veneza. “O Festival de Cannes quer estar presente no outono para contribuir com tudo isso”, disse Fremaux. “O cinema e as suas indústrias estão ameaçados, teremos de reconstruir, reafirmar a sua importância com energia, unidade e solidariedade.”

“Como todos os anos, falo muito com Alberto Barbera, que está preocupado, obviamente. Desde o início da crise, cresce a possibilidade de se fazer algo juntos se Cannes for cancelado. Continuamos a falar. Outros festivais já nos convidaram: Locarno, San Sebastian, Deauville. São gestos que nos sensibilizam bastante. E em Lyon, no Lumiere Festival (em outubro), planeamos integrar várias estreias mundiais como parte do programa”, acrescentou Fremaux.