Cannes 2024: Filmes de Paulo Carneiro e Frederico Lobo seleccionados para a Quinzena dos Realizadores 

A longa-metragem “A Savana e a Montanha”, de Paulo Carneiro, e a curta “Quando a terra foge”, de Frederico Lobo, juntam-se a “O Jardim em Movimento”, de Inês Lima, na representação portuguesa na 56.ª edição da Quinzena dos Realizadores.
"A Savana e a Montanha", de Paulo Carneiro "A Savana e a Montanha", de Paulo Carneiro
"A Savana e a Montanha", de Paulo Carneiro

Portugal tem três filmes de Inês Lima, Paulo Carneiro e Frederico Lobo seleccionados para a seleção paralela ao Festival de Cannes, a 56.ª edição da Quinzena dos Realizadores, um programa independente não competitivo, que irá decorrer entre 15 e 25 de maio, anunciou hoje o seu director artístico, Julien Rejl.

À curta-metragem “O Jardim em Movimento”, da jovem realizadora Inês Lima, junta-se também a longa-metragem “A Savana e a Montanha”, de Paulo Carneiro, e a curta “Quando a terra foge”, de Frederico Lobo.

“A Savana e a Montanha” é a terceira longa-metragem de Paulo Carneiro, que realiza um western integralmente rodado em Covas do Barroso, com o apoio da Câmara Municipal de Boticas, produzido pela BAM BAM Cinema, em Portugal, e co-produzido pelo Uruguai, através da La Pobladora Cine de Alex Piperno, e é distribuído internacionalmente pela Portugal Film – Agência Internacional de Cinema Português e nacionalmente pela No Comboio.

O filme de Paulo Carneiro baseia-se na comunidade de Covas do Barroso, no Norte de Portugal, que perante a ameaça da empresa britânica Savannah Resources que prevê a construção de uma das maiores minas de lítio a céu aberto da Europa junto às suas casas, a comunidade decidiu organizar-se e expulsar a Savannah das suas terras.

Escrito, realizado e produzido por Carneiro, o elenco deste western é composto por Aida Fernandes, Maria Fernandes, Daniel Fernandes, Inês e Rita Mó, Maria Conceição, Nelson Fernandes e Carlos Libo.

Diz o realizador que “Covas do Barroso é uma aldeia vizinha de Bostofrio, onde nasceu o meu pai e onde fiz o meu primeiro filme, Bostofrio, où le ciel rejoint la terre. Esta proximidade geográfica e afetiva levou a que, desde 2018, me mantivesse atento às notícias acerca de negócios pouco claros com vista ao eventual desenvolvimento de uma exploração mineira na região, por parte da Savannah Resources. Foi sobretudo pelo povo e pelas actividades ancestrais que florescem em Covas do Barroso que decidi juntar-me à luta pela defesa deste modo de vida. O cinema tem uma responsabilidade de envolvimento a que não posso fugir. Nos meus filmes, procuro estar ao lado das pessoas, sem me reger por políticas económicas ou especulatórias de quem não conhece ou vive o território.”

"Quando a terra foge" de Frederico Lobo
“Quando a terra foge” de Frederico Lobo

A curta-metragem de 29 minutos “Quando a terra foge”, realizada por Frederico Lobo e coproduzida pela Terratreme Filmes e pela Rua Escura Filmes, foi filmada inteiramente na raia transmontana.

“Entre o nevoeiro, num pleno labirinto do tempo, onde máquinas sondam as profundezas geológicas da montanha, um pastor vai em busca de uma vaca tresmalhada e a infância encontra o seu regresso. A Serra transforma-se, o ciclo continua.”, lê-se na sinopse oficial.

A seleção oficial do Festival de Cannes 2024, que decorre entre os dias 14 e 25 de maio, pode ser consultada aqui.

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