Há uns anos atrás (2009) um navio de carga foi atacado por um grupo de piratas que acabou por sequestrar o seu capitão, Richard Phillips e tentaram regressar a águas somalianas num dos botes salva vidas do navio. Algum tempo depois desse incidente o capitão Phillips lançou um livro a relatar as suas memórias desse complicado acontecimento e obviamente que não muito tempo depois Hollywood apareceu e decidiu adaptar toda essa situação para o Cinema e ainda depois disso a tripulação do navio atacado veio a público dizer que afinal as coisas não aconteceram bem como o filme as retratou. Se o filme é mais ou menos baseado na realidade, só as pessoas envolvidas o podem dizer mas o certo é que escolher Paul Greengrass para a cadeira de realizador foi uma aposta ganha. O homem que nos trouxe um intenso “United 93” sobre um dos voos que acabou tragicamente com o embate numa das torres gémeas no fatídico onze de Setembro de 2001, volta a trazer-nos um filme baseado em factos reais (embora “United…” seja mais especulativo do que real)  que se torna num verdadeiro Thriller de inicio ao fim; com tensão e grandes interpretações quanto baste.

Sim, Paul Greengrass era a minha única motivação para ver este filme mas a verdade é que acabei por ficar agarrado ao ecrã não pelo seu famoso estilo de realização (fans da sua trilogia “Bourne” sabem do que falo) mas acima de tudo pelo desempenho visceral de Tom Hanks (pelo menos no ultimo terço do filme) e do estreante Barkhad Abdi, no papel de Muse, o líder do grupo de piratas somalianos.

“Captain Phillips”, divide a sua simples narrativa por três pontos de vista, tripulação do navio de Carga/Richard Phillips, grupo de piratas e ainda pelo ponto de vista da força naval americana, criando um bom esquema para poder fugir constantemente aos cenários claustrofóbicos do navio e do bote salva-vidas e acima de tudo um método quase infalível para nos criar empatia não só com o herói da história como também com os piratas, principalmente Muse, que são vistos pacatamente na sua vila até que o “senhor-da-guerra” lhes aparece à frente exigindo o acto de pirataria e o dinheiro proveniente do eventual resgate. Não é à toa que de repente, e sem nos apercebermos, estamos agora a torcer por Phillips e ao mesmo tempo a temer pelo eventual destino do pirata Muse. Uma boa jogada narrativa que nos controla que nem uns patinhos.

“Captain Phillips” é então uma panela de pressão cinematográfica que, apesar de não ter uma narrativa acima da média nos coloca nos limites dos nossos acentos com interpretações muito boas por parte dos dois actores principais e por movimentos de câmara tremidos e intensos. Duvido que este seja um dos filmes que ficará na nossa memória colectiva mas não duvido também que é um excelente filme para ver mal se possa, valendo pelo entretenimento.

Realização: Paul Greengrass

Argumento: Billy Ray

Elenco: Tom Hanks, Barkhad Abdi, Max Martini, Catherine Keener, Yul Vazquez,Corey Johnson

EUA/2013 – Ação/Aventura

Sinopse: Baseado na história real do Capitão Richard Phillips (Tom Hanks) e da tomada do navio cargueiro norte-americano MV Maersk Alabama por piratas somalis, em 2009, o primeiro assalto a um navio de carga em 200 anos. O filme foca-se, principalmente, na relação entre o comandante do navio e Muse (Barkhad Abdi), o chefe dos piratas que o faz refém. Numa tensa viagem ao largo da costa da Somália, os dois homens vão ver-se perante forças e acontecimentos que não conseguem controlar.

«Capitão Phillips» - A intensidade de Grenngrass
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