Todos os anos chegam às salas de cinema alguns filmes que surpreendem e seduzem o público. No mundo da animação podemos dizer que o ano de 2010 foi um bom ano, com “O Mágico” e “Toy Story 3”, dois filmes maravilhosos. Já em 2011, o cinema de animação não tem tido assim tantas “maravilhas”, pelo que atrevo-me a dizer – “Chico & Rita” é o filme de animação do ano. O filme passou já por vários festivais nacionais, como, Monstra, Cinanima e Douro Film Harvest, onde acabou por vencer o prémio Turismo do Douro, na terceira edição.

A história é contada através de flashbacks, que mostram o passado de Chico, nos anos 40, numa Cuba que vivia sobre a ditadura de Fulgêncio Batista e que era dominada pelos americanos. Chico (Eman Xor Oña) recorda o seu passado, em como este era um talentoso pianista e que um dia conhece Rita (Limara Meneses), uma bela cantora com uma extraordinária voz. A música e o romance une-os numa viagem pelo mundo, mas terão de ultrapassar muitos obstáculos, como os desgostos de amor e traições, para que fiquem juntos e para lutarem pelos seus sonhos.

Este simples, mas belo, argumento foi escrito por Ignacio Martínez de Pisón e Fernando Trueba. Este é um épico de amor, daquelas que já não se vêem nos filmes de hoje, apenas nos filmes dos anos 30 e 40, lembrando também o casal do filme os casais dessa época. Tal como Humphrey Bogart e Ingrid Bergman em “Casablanca”, Chico e Rita ficam para a história como um dos melhores pares românticos do cinema.

O realizador espanhol Fernando Trueba, que se estreia com este filme no cinema de animação, partilha a realização com o ilustrador Javier Mariscal e com Tono Errando. Juntos criaram uma belíssima obra que transpira de emoções fortes e muita música. Esta é uma peça fundamental no filme, quase como uma personagem que nasce no seio de Chico e Rita. Ambos criaram um “filho”, a música que os eternizou, a música principal do filme, que se chama “Rita” (“Lilly”). Apesar de por vezes a música os separar, na maioria das vezes junta-os. A banda sonora deste filme é assinada pelo pianista e compositor Bebo Valdéz, com música de lendas como Thelonious Monk, Charlie Parker, Cole Porter, Dizzy Gillespie e Freddy Cole. O Jazz e os sons latinos estão presentes em todo o filme, caracterizando perfeitamente a  época.

A nível técnico está soberba a realização desta animação, que apresenta um estilo gráfico muito particular, com uma magnífica fotografia, com tons quentes em Cuba e frios em Nova Iorque. Com um especial destaque para os pormenores e com delicados movimentos de câmara, muito bem executados, este é um filme bastante sensual. Provas de que o cinema tradicional continua a ser capaz de surpreender e de criar bom cinema.

É para se ver e apreciar a cultura cubana nesta extraordinária obra do cinema. Com música do principio ao fim, esta ficará na nossa memória por muito tempo e certamente irá maravilhar o público em geral, apesar de ser um filme mais direcionado para os adultos. Um filme que invoca o passado, as memórias mais extraordinárias e também as mais tristes, mas que sobretudo nos dá esperança, incentivando-nos a lutar e a nunca desistir. Esta obra grandiosa é intemporal, singular e tocante.

Realização: Tono Errando, Javier Mariscal, Fernando Trueba

Argumento: Ignacio Martínez de Pisón, Fernando Trueba

Elenco: Eman Xor Oña, Limara Meneses, Mario Guerra

Espanha/2010 – Animação

Sinopse: O filme começa em Cuba no ano de 1948, e com ele vamos descobrir Chico, um jovem e sonhador pianista que, um certo dia, se cruza com Rita, uma bela cantora com uma voz singular. Unidos pela música e pela paixão, serão os protagonistas de uma viagem, na boa tradição popular latina dos boleros, marcada pelo desgosto amoroso e pela desilusão e angústia. De Havana a Nova York, passando por Paris, Hollywood e Las Vegas, estes dois apaixonados travarão batalhas impossíveis para conseguirem ficar juntos na música e no amor, numa longa e conturbada viagem em busca do seu sonho e um do outro.

«Chico & Rita» - A animação do ano!
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