Centro de Estudos Cinematográficos está a promover o ciclo de cinema “Do Livro ao Filme”, que decorre durante o mês de março, com cinco sessões, no Mini-Auditório Salgado Zenha, em Coimbra. Da literatura ao cinema, duas linguagens diferentes, que implica uma tradução. O programa deste ciclo inclui as obras, “A Bela Junie” (2008) de Cristophe Honoré, “Carta” (1999) de Manoel de Oliveira, “Shirin” (2008) de Abbas Kiarostami, “Fausto” (1926) de F.W. Murnau e “Boneca de Luxo” (1961) de Blake Edwards.

“Podemos asseverar que o cinema também tem uma função de contar histórias, por muito que por vezes se incorra no erro de ficarmos presos a conceitos meramente técnicos e não estéticos. A adaptação de grandes obras da literatura a um argumento de obra cinematográfica sempre foi um dos objectivos dos nossos maiores realizadores. Apesar de Ingmar Bergman ter sempre afirmado que o Cinema e a Literatura não são convergentes e nada que ver, acreditamos que existem felizes casos que excepcionam esta falsa dicotomia. Caso clássico é o dos filmes do saudoso João César Monteiro, que não se tratando de adaptações, mostra-nos antes uma dança atrevida entre a escrita e a interpretação, fundindo-se e superando-se.”

“O cinema é também este bicho que fica dentro do espectador, que o leva a conhecer em si uma sensibilidade cultural que por vezes lhe era desconhecida. Criticar o artista cinematográfico que se inspira em livros, é o mesmo que criticar o escritor que se inspira em obras cinematográficas ou na própria natureza. O artista consome o envolvente e isso inclui todas as outras manifestações artísticas.”

“Neste ciclo, queremos mostrar cinema que só foi possível graças à existência de uma grande peça literária como inspiração. Iniciamos o nosso percurso com a obra ‘A Princesa de Clèves’ (1678) de Madama La Fayette que inspirou dois grandes realizadores: Manoel de Oliveira, que em 1999 nos mostrou ‘A Carta’ e Cristophe Honoré que em 208 realiza ‘A Bela Junie’. Há aqui uma dupla inspiração que merece ser assistida e discutida, carregados de tensão emocional típicas da linguagem do século XVII, mas rectificada ao mundo contemporâneo da 7ª arte. Em nenhum dos filmes se trata de uma vulgar adaptação da obra escrita (como vários filmes de Hollywood habituaram o cinéfilo), o espectador não irá assistir a um filme histórico, antes a uma total convergência entre a linguagem clássica, que é sempre actual, sendo o cinema o modo desta se expressar.”

Quinta, 3 de março
A Bela Junie de Cristophe Honoré, 97′ (2008)

Quinta, 10 de março
Carta de Manoel de Oliveira, 107′ (1999).

Quinta, 17 de março
Shirin de Abbas Kiarostami, 92′ (2008)

Quinta, 24 de março
Fausto de F.W. Murnau, 126′ (1926)

Quinta, 31 de março
Boneca de Luxo de Blake Edwards, 115′ (1961)