Depois de o projeto ter ficado quase dois anos parado no Tribunal de Contas à espera de luz verde, o mítico Cinema Batalha encontra-se em obras de requalificação, estando todo o edifício coberto com uma tela gigante onde se lê: “Aqui vai crescer um novo Batalha”. O Cinema Batalha vai ser, finalmente, devolvido à cidade do Porto e aos seus habitantes, depois de se encontrar encerrado definitivamente desde 2010.

À volta do edifício está um grande painel com uma breve cronologia da história daquela que foi a sala de cinema mais importante do Porto, com mensagens como: “Chamar a atenção para ‘o novo Batalha’”, “Onde o cinema será novamente o protagonista de ‘uma longa-metragem com final feliz’”.

O Cinema Batalha, uma das obras-primas da arquitectura moderna dos anos 40 e um símbolo da sétima arte do Porto, terá o seu espaço a ser gerido pela autarquia nos próximos 25 anos, a favor da programação cultural da cidade.

A requalificação do cinema portuense surgiu em 2017, quando o Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, anunciou a assinatura de um contrato que abria portas à reabilitação do edifício e à sua dinamização.

“Aquele edifício era uma ferida na cidade que ninguém entendia (…) O autarca pretende transformar o Cinema Batalha numa casa do cinema, mas ter também outros espaços, nomeadamente expositivos, em colaboração com a Cinemateca. O funcionamento do Cinema Batalha constitui a consolidação da estratégia da Câmara do Porto de regresso do cinema à Baixa, iniciada com o lançamento do cartão Tripass e com a dinamização dos cinemas Trindade, Passos Manuel e Rivoli”, referiu Rui Moreira em 2017.

No entanto, o inicio das obras tardou a chegar, porque os os proprietários do edifício não quiseram vender o imóvel ao Município, apesar de terem fechado o acordo, tendo o projeto ficado dois anos parado no Tribunal de Contas.

Passados dois anos, “o atraso obrigou à duplicação do investimento para a requalificação do Cinema Batalha, que, de pouco mais do que 2 milhões de euros, passou para 3,95 milhões de euros.”

Cinema Águia D’Ouro, na Praça da Batalha. À direita, encontra-se o Salão High Life

O BATALHA

Antes de se chamar Cinema Batalha, chamou-se Salão High Life, um espaço para o cinematógrafo que conquistou de imediato a atenção dos portuenses, e nasceu em 1906. Este foi o primeiro espaço público a projetar cinema na cidade. Era nestes contextos de espetáculos de feira para todas as classes sociais que eram realizadas as primeiras sessões contínuas de cinema, onde se passavam filmes curtos (quadros) a preços irrisórios. Foi pelas mãos de António Neves e Edmond Pascaud que nasceu este novo espaço na cidade. Mais tarde, viriam a formar a empresa Neves & Pascaud. O Salão ficou aqui apenas dois meses, tendo-se depois mudado para o jardim da Cordoaria. Aí permaneceu durante dois anos, tendo sido transferido para a atual praça da Batalha em 1908.

Com esta mudança, a sala pioneira de exibição cinematográfica do Porto ganhou um edifício moderno, passando a designar-se o Novo Salão High Life. Em 1913 passar-se-ia a chamar Cinema Batalha.

Mas foi nos anos 40 que o Batalha viria a tornar-se num símbolo da sétima arte no Porto, quando inaugurou o seu novo edifício a 3 de junho de 1947. Projetado pelo arquiteto Artur Andrade, criou um dos mais emblemáticos cinemas da cidade. Um ano depois, em 1948, viria a realizar-se a primeira sessão do Cineclube do Porto.

Em 1975, é inaugurada a sala Bebé, com capacidade para 135 pessoas. Encerra no verão de 2000, embora a mesma mantenha atividade até meados de 2003. Em 2006, o Batalha reabre ao público sob gestão da Associação Comércio Vivo, uma parceria entre a Câmara Municipal do Porto e a Associação de Comerciantes.

O edifício é rentabilizado para diversas atividades que vão muito além da projeção de cinema. Contudo, a renda elevada e os custos das obras de requalificação levam a que, a 31 de dezembro de 2010, o Gabinete Comércio Vivo entregue novamente a gestão do edifício aos proprietários originais, fechando-se as portas ao Cinema Batalha novamente até aos dias de hoje. Com o passar dos anos, a sala foi reaberta para eventos pontuais, como o Desobedoc.

Fotografia de destaque de Filipa Brito
Fonte: Porto.pt