Cinema Batalha reabre a 9 de dezembro e passa a chamar-se Batalha Centro de Cinema

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O Cinema Batalha vai ser, finalmente, devolvido à cidade do Porto e aos seus habitantes, depois de se encontrar encerrado definitivamente desde 2010. Vinte e dois anos depois, o Cinema Batalha, agora rebatizado como Batalha Centro de Cinema, inaugura no dia 9 de dezembro e conta com uma programação extensa e diversificada.

A programação da primeira temporada, a decorrer entre dezembro de 2022 e julho de 2023, foi hoje apresentada em conferência de imprensa com as intervenções de Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto, e Guilherme Blanc, diretor artístico do novo centro cultural da cidade.

“Com a missão de promover o conhecimento e a fruição cultural através do cinema e da imagem em movimento, o Batalha inclui no seu programa ciclos temáticos, retrospetivas e focos em práticas contemporâneas, bem como ligações entre o cinema e outras artes. Estimular a cinefilia e a cultura fílmica através de projetos educativos, editoriais, formativos e de debate está no centro da atividade da nova instituição.”, lê-se em comunicado.

“Dedicados a temas específicos e cruzando diversos tipos de cinematografias, os ciclos temáticos abordam e debatem questões sociais, culturais e políticas prementes.”. Políticas do Sci-Fi abre o programa de cinema a 9 de dezembro, pelas 18h39, com a exibição da curta-metragem “The New Sun” (2017), da artista polaca Agnieszka Polska, e da longa-metragem “O dia em que a Terra parou” (1951), um clássico de Robert Wise.

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“O dia em que a Terra parou” (1951), um clássico de Robert Wise. Uma misteriosa nave aterra em Washington e o seu tripulante lança um ultimato: se a humanidade não conseguir conter os seus ímpetos belicistas, será aniquilada a bem da restante comunidade galáctica. Com imagem a um preto e branco imaculado, a presença de um poder superior alienígena é veículo para um comentário sobre a humanidade em si — The Day the Earth Stood Still cristalizou o medo e a paranoia no despontar da Guerra Fria, e da ameaça de conflito nuclear.

O programa inclui ainda ciclos em torno da filmografia, completa ou essencial, de cineastas e artistas nacionais e internacionais. O primeiro é dedicado a Claire Denis, um dos nomes mais influentes, estimulantes e ecléticos do cinema contemporâneo, naquela que será a mais completa retrospetiva da realizadora em Portugal. Este eixo fundamental da programação — que espelha a visão de diversidade formal, temática, geracional e geográfica inerente ao Batalha — apresenta ainda retrospetivas de Melvin Van Peebles, André Gil Mata, Zacharias Kunuk, Luísa Homem, Joanna Hogg, Lorenza Mazzetti, Basil da Cunha, Annemarie Jacir e Mai Zetterling e focos de artista dedicados a Agnieszka Polska, Riar Rizaldi e Fatima Al Qadiri. 

O cinema português ocupa um lugar central na programação do Batalha, nomeadamente em Seleção Nacional, exibições semanais com o intuito de pensar, valorizar e divulgar o património fílmico nacional, e Luas Novas que, todos os meses, destaca novos nomes do cinema produzido em Portugal.   

Nas Matinés do Cineclube, o Batalha retoma a ligação histórica com o Cineclube do Porto em sessões quinzenais que revisitam os momentos mais marcantes da história da instituição.

Focado em experiências coletivas de realização e produção de cinema, Coletivos apresenta o trabalho do coletivo indígena COUSIN; de Yugantar Film Collective, o primeiro coletivo de cinema indiano fundado e constituído exclusivamente por mulheres; e Zanzibar, formado por jovens realizadores em Paris no final dos anos 60.

Haverá ainda as sessões Especiais! (exibição de filmes relacionados com celebrações e efemérides), os Novos Encontros do Cinema Português (um espaço de debate independente dedicado à indústria cinematográfica), Palavra e Movimento (palestras, conversas e debates, associados ou independentes dos programas de cinema) e Cinema ao Redor (o lazer fora da sala de cinema, com cursos e oficinas para adultos e crianças e atividades como as Visitas Guiadas e o Batalha Quiz).

O Batalha dedica a sua primeira retrospetiva a Claire Denis.

Ao longo do ano, o Batalha vai abrir portas aos vários festivais de cinema da cidade, tornando-se o ponto de encontro entre públicos e profissionais. Acolhe também as Sessões Filmaporto, dedicadas a filmes de autores e produtores da cidade cuja seleção é feita através de uma open call permanente.

O Batalha abre assim com as duas mesmas salas preparadas, agora para exibição de formatos digitais e analógicos (a Sala 1 com 299 lugares e a Sala 2 com 126 lugares). O renovado Batalha integra ainda a Sala-Filme, um espaço dedicado a instalações, uma Biblioteca especializada em cinema e imagem em movimento e uma Filmoteca, que reúne património fílmico relacionado com a cidade. A Cafetaria & Bar, localizada no antigo salão de chá, está equipada para projeções e performances.

Durante as obras de requalificação do edifício, foram descobertos os frescos de Júlio Pomar (1926–2018). Censurados pelo Estado Novo em 1948, estiveram, durante décadas, escondidos sob camada de tinta e são agora disponibilizados ao público. No interior do Batalha estão também contempladas obras de Américo Braga, Arlindo Rocha, António Sampaio e Augusto Gomes.

“(…) não estamos a resgatar do esquecimento uma velha sala de cinema, num gesto de mero diletantismo nostálgico. Estamos, sim, a recolocar o Batalha no centro das vivências da cidade do Porto e das suas gentes. Do passado queremos, sobretudo, recuperar a centralidade urbana e cultural do Batalha, sem embargo de, na sua nova versão, esta sala de cinema se abrir ao futuro e às dinâmicas da contemporaneidade. Não pretendemos, pois, promover um déjà vu dos anos dourados do Batalha. Ao invés, vamos oferecer uma programação que, pela sua qualidade, ecletismo e pertinência estética, faz jus ao património simbólico que o Cinema Batalha encerra. Queremos homenagear a história do Batalha trazendo-o para o contexto cultural, artístico, social e tecnológico contemporâneo e convertendo-o num espaço de confluência das diferentes expressões cinematográficas e audiovisuais.”

A expressão “vai no Batalha” vai voltar a ficar no ouvido.

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Fonte: Batalha Centro de Cinema

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