Cinema Trindade recebe este fim-de-semana Mostra de Cinemas Indígenas

"A Flor do Buriti", de João Salaviza e Renée Nader Messora "A Flor do Buriti", de João Salaviza e Renée Nader Messora
"A Flor do Buriti", de João Salaviza e Renée Nader Messora

A Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, em parceria com o forumdoc.bh (Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte) e o Cinema Trindade, apresenta uma Mostra de Cinema Indígenas, no Cinema Trindade, que irá decorrer entre os dias 15 e 17 de março, tendo como ponto de partida a estreia nos cinemas portugueses do mais recente filme de João Salaviza e Renée Messora, “A Flor do Buriti”.

Durante o ciclo de cinema “Câmara-Corpo – Mostra de Cinema Indígenas”, vão ser exibidos dez filmes realizados por diferentes comunidades indígenas, seguidas de sessões comentadas por Nuno Crespo, Ellen Lima, Sueli Maxakali (realizadora), Júnia Torres (curadora forumdoc.bh), Olinda Tupinambá (realizadora), Hỳjnõ Krahô, Cruwakwỳj Krahô, Renée Nader Messora e João Salaviza.

No domingo, na última sessão do ciclo de cinema “Câmara-Corpo – Mostra de Cinemas Indígenas”, será exibido “A Flor do Buriti”, de João Salaviza e Renée Nader Messora, exibido mundialmente, pela primeira vez, na Seleção oficial do Festival de Cannes – Un Certain Regard, onde venceu o prémio Elenco. Cinco anos depois da estreia de “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos”, este filme também sobre o povo indígena brasileiro Krahô, estreia a 21 de março nas salas de cinema portuguesas.

“O filme é um apelo à ação e ao confrontamento, sem nunca perder de vista a beleza e a delicadeza da maneira Krahô de pisar na terra e de pertencer ao mundo.”, afirma Renée nas suas notas de intenções.

Programa

15 MAR 2024, 19h00 | CINEMA TRINDADE

Mãri hi /A Árvore do Sonho
de Morzaniel Ɨramari
Amazonas, Roraima/Brasil, 2023, 17′

Quando as flores da árvore Mãri desabrocham surgem os sonhos. As palavras de um grande xamã conduzem uma experiência onírica através da sinergia entre cinema e sonho yanomami, apresentando poéticas e ensinamentos dos povos da floresta.

Thuë Pihi Kuuwi / Uma Mulher Pensando
de Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami e Roseane Yariana Yanomami
Brasil/Amazonas, Roraima/Brasil, 2023, 9′

Uma mulher yanomami observa um xamã durante o preparo da Yãkoana, alimento dos espíritos. A partir da narrativa de uma jovem mulher indígena, a Yãkoana que alimenta os Xapiri e permite aos xamãs adentrarem o mundo dos espíritos também propõe um encontro de perspectivas e imaginações.

Yuri U Xëatima Thë / A Pesca com Timbó
de Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami e Roseane Yariana Yanomami
Brasil/Amazonas, Roraima/Brasil, 2023, 10′

Dois jovens realizadores Yanomami descrevem o processo de pesca com timbó, cipó tradicionalmente empregado para atordoar os peixes. O encontro de vozes e perspectivas sugere o reencantamento das imagens como forma de contar histórias.

Tekowe Nhepyrun / A Origem da Alma
de Alberto Alvares
Brasil, Rio de Janeiro, 2015, 48′

O filme acompanha com surpreendente proximidade o nascimento de uma criança dentro da tradição guarani, com as parteiras locais. Proximidade que apenas a presença do cineasta guarani poderia alcançar, assim como manter a sequência no filme. Participe da perspectiva guarani da renovação da vida, do ritual de batismo, ocasião em que a alma do pequeno ser humano lhe é entregue por Nhanderu (o Criador).

Sessão comentada por Nuno Crespo e Ellen Lima

15 MAR 2024, 21H30 | CINEMA TRINDADE

Nūhū Yãg Mū Yõg Hãm/ Essa terra é nossa!
de Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu, Roberto Romero
Brasil/Minas Gerais, 2020, 70′

Antigamente, os brancos não existiam e nós vivíamos caçando com os nossos espíritos yãmĩyxop. Mas os brancos vieram, derrubaram as matas, secaram os rios e espantaram os bichos para longe. Hoje, as nossas árvores compridas acabaram, os brancos nos cercaram e a nossa terra é pequenininha. Mas os nossos yãmĩyxop são muito fortes e nos ensinaram as histórias e os cantos dos antigos que andaram por aqui.

Sessão comentada por Sueli Maxakali (realizadora) e Júnia Torres (curadora forumdoc.bh)

16 MAR 2024, 19h00 | CINEMA TRINDADE

Kaapora, o chamado das matas
de Olinda Muniz Silva Wanderley
Brasil, Bahia, 2020, 20′

Uma narrativa da ligação dos povos indígenas com a Terra e sua espiritualidade, do ponto de vista da diretora Tupinambá, Olinda Yawar, que desenvolve projeto de recuperação ambiental nas terras de seu povo. Tendo a cosmovisão indígena como lente, a Kaapora e outros personagens espirituais são a linha central da narrativa e argumento do filme.

Ibirapema
de Olinda Yawar Tupinambá
Brasil, Bahia, 2022, 50′

Viajando entre o mundo mítico e o mundo cotidiano, Ibirapema, uma indígena Tupinambá, se transmuta e percorre o espaço e o tempo, dialogando, por onde passa, com o mundo da arte ocidental, com a cidade e seus espaços de concreto e florestas domesticadas.

Sessão comentada por Olinda Tupinambá (realizadora)

16 MAR 2024, 21h30 | CINEMA TRINDADE

Ketwajê
de Mentuwajê Guardiões da Cultura (Krahô) e Coletivo Beture (Mebêngôkre-Kayapó)
Brasil, Tocantins, 2023, 77′

Os Mentuwajê Guardiões da Cultura (grupo de jovens cineastas Krahô) convidam o Coletivo Beture (Mebêngôkre-Kayapó) para visitar a sua aldeia e acompanhar a festa de Kêtwajê – um importante ritual de iniciação que não acontecia há dez anos. Durante vários dias, crianças e adolescentes passam por várias “provas” para se transformarem em adultos guerreiros, perante o olhar atento e compartilhado entre os cineastas locais e os convidados Mebêngôkre-Kayapó.

Cupē Te Mē Iquêtjê Jipej Catêjê / Homem Branco Massacrou O Meu Povo Krahô
de Francisco Hỳjnõ Krahô e Felipe Kometani Melo
Brasil, Tocantins, 2023, 41′

Zacarias Ropkà escapou ao brutal massacre sofrido pelos Krahô em 1940, quando os fazendeiros da região se uniram para atacar várias aldeias, com seus grupos de peões armados. Em apenas um dia, foram barbaramente assassinadas dezenas de pessoas, principalmente mulheres e crianças. Setenta anos depois, Ropká partilha com os mais jovens os horrores que testemunhou e como fez para sobreviver.

Sessão apresentada por Hỳjnõ Krahô, Cruwakwỳj Krahô, Renée Nader Messora, João Salaviza

17 MAR 2024, 21h30 | CINEMA TRINDADE

Crowrã / A Flor do Buriti 
de João Salaviza e Renée Nader Messora
Portugal/Brasil, Tocantins, 2023, 124′

Em 1940, duas crianças do povo indígena Krahô encontram na escuridão da floresta um boi perigosamente perto da sua aldeia. Era o prenúncio de um violento massacre, perpetuado pelos fazendeiros da região. Em 1969, durante a Ditadura Militar, o Estado Brasileiro incita muitos dos sobreviventes a integrarem uma unidade militar. Hoje, diante de velhas e novas ameaças, os Krahô seguem caminhando sobre sua terra sangrada, reinventando diariamente as infinitas formas de resistência.

Sessão comentada por Hỳjnõ Krahô, Cruwakwỳj Krahô, Renée Nader Messora, João Salaviza

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