Segundo os dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), sobre o mercado cinematográfico em Portugal relativo ao primeiro trimestre de 2020, registou-se uma quebra superior a 76%, resultado da atual situação da pandemia COVID-19.

A entrada de Portugal em estado de emergência, desde o dia 19 de março, levou ao encerramento de todas as salas de cinema, salas de espetáculo e recintos culturais, levando a uma quebra abrupta no número de espectadores e nas receitas de bilheteira.

“O encerramento dos recintos de cinema em Portugal, na sequência das recomendações da DGS no âmbito do Covid-19, fez com que os resultados de bilheteira decrescessem acentuadamente em março, afetando igualmente os resultados globais do 1.º trimestre de 2020.”

Durante parte do mês de março, apenas 245 673 espectadores foram ao cinema, gerando uma receita bruta de cerca de 1,4 milhões de euros, ou seja, uma quebra superior a 76% no mercado de exibição cinematográfica.

“Analisando o 1.º trimestre de 2020 e, face ao período homólogo do ano anterior, registou-se nas salas de cinema em Portugal um decréscimo da receita bruta e do número de espectadores de 17,4% e 18,7%, respetivamente.”

A última rede de salas de cinema a encerrar as mesmas foi a Cineplace Portugal, depois de todas as outras terem feito o mesmo: Cinemas NOS, a maior cadeia de salas de cinema em Portugal, Algarcine Cinemas, UCI Cinemas, Castello Lopes Cinemas, Cinema City, Cinemas Cinemax, Cineplace Cinemas, Cinema da Villa e os Cinemas Medeia. Também os cinemas independentes, Cinema Trindade (Porto), Cinema Ideal (Lisboa), o Espaço Nimas (Lisboa), a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e todos os cineclubes, já tinham encerrado. Também outros espaços culturais com programação de cinema suspenderam a sua atividade, como o Teatro Campo Alegre e Teatro Rivoli, no Porto, ou o Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra. Todos eles suspenderam toda a sua programação e atividades por tempo indeterminado. Todas as estreias foram suspensas ou adiadas.

Segundo o ICA, o filme mais visto até 18 de março foi “1917”, de Sam Mendes, com 328 719 espectadores, seguido por “Bad Boys para Sempre”, com 258 911 espectadores. Já o filme nacional mais visto foi “O Filme do Bruno Aleixo”, de Pedro Santo e João Moreira, com 23 946 espectadores. Em segundo lugar, encontra-se “Mosquito”, de João Nuno Pinto, que estreou a 5 de março e que foi forçado a sair das salas de cinema, visto apenas por 3180 espectadores, gerando uma receita bruta de cerca de 15 mil euros. O filme pode agora ser visto na plataforma de streaming Filmin.

Até 18 de março, estrearam em Portugal 78 longas-metragens e, no que concerne à produção de obras nacionais apoiadas pelo ICA, foram concluídas 6 longas-metragens (2 de ficção e 4 documentários) e 8 curtas-metragens (5 de ficção, 1 documentário e 2 de animação), o que representa um aumento de 8% do número de obras face ao período homólogo do ano anterior.