«O Circo» – A homenagem à arte popular (85º aniversário)

“O Circo” (1928) é uma das obras-primas de Charles Chaplin, que apesar de não ter o poder de emocionar de “O Garoto” e o subtexto crítico e político de “O Grande Ditador”, é uma das suas comédias mais eficientes e criativas.

Com um argumento simples, Chaplin conta-nos a história de Charlot (o vagabundo), que ao fugir da polícia acaba por interromper a atuação dos palhaços do circo, provocando o riso dos espectadores, que estavam aborrecidos. O diretor do circo contrata-o por achar que ele é um palhaço eficiente. Mas quando ele tenta ter piada, não tem. E quando ele não tenta ter piada, ele tem. Mas o seu principal interesse no Circo era a filha do diretor. Charlot faz de tudo para conseguir atenção dela.

Em “O Circo” entramos no universo, em tom de homenagem à arte popular, que inspirou Chaplin, a arte de fazer rir. E como em qualquer filme seu, ele traz o romance e o sentimento. Chaplin acaba por fazer uma reflexão sobre o espectáculo, em geral, e mostra as duras condições de se trabalhar num circo.

O filme está recheado de gags visuais, onde o talento de Chaplin na expressão corporal, está presente em grande força em cada cena. Destacam-se as cenas clássicas da jaula do leão, onde tudo o que vemos é verdadeiro, sem nenhum truque. A expressão de medo de Chaplin é real. Ou a cena dos macacos que atacam Charlot. Só Chaplin se lembraria de um cão a ladrar quando ele estivesse numa jaula com um leão. É nesta cena da jaula do leão que temos um ‘olhar de Charlot’, um procedimento bastante comum nos seus filmes, em que ele olha, a determinada altura, para a objectiva, questionando o espectador ou a si próprio.

O final de “O Circo” é um dos finais mais belos de Chaplin. Por outro lado um dos mais tristes, pois ele termina caminhando sozinho. O vagabundo tentaria a sua sorte noutro lugar. Este final ganha ainda maior importância e força se nos lembrarmos que em 1927 surgiu o som no cinema. Avanço tecnológico esse que revolucionou para sempre o cinema, mas que Chaplin apenas viria aceita-lo com o filme “Tempos Modernos” (1936).

“O Circo” foi a produção mais complicada que Chaplin já teve. Pois uma série de desastres não deixavam que o filme fosse feito. Um incêndio destruiu parte da tenda do circo, uma tempestade levou parte dos cenários, as películas são riscadas no laboratório e a sua ex-mulher processa-o e provoca um escândalo mediático, levando a que os seus filmes fossem boicotados. Ao fim de dez meses de paralisação, as rodagens recomeçam e Chaplin termina o filme e estreia-o a 6 de janeiro de 1928.

Passados 85 anos após a sua estreia, “O Circo”, continua a ser um filme obrigatório da filmografia de Chaplin. Ele usa a arte cinematográfica de uma forma tão natural que nem nos apercebemos do seu brilhantismo. No final, como em qualquer filme de Chaplin, acabamos por nos emocionar, pois ele, melhor do que ninguém, combina de forma brilhante e única, a tragédia com a comédia. “O Circo” é portanto uma das suas comédias mais divertidas e criativas de sempre.

Realização: Charles Chaplin

Argumento: Charles Chaplin

Elenco: Charles Chaplin, Henry Bergman, Merna Kennedy, Tiny Sandford

EUA/1928 – Comédia/Romance

Sinopse: O Vagabundo acaba por ir parar a um circo enquanto fugia da polícia, que o confundira com um ladrão de carteiras. Ele sem querer acaba por entrar no espetáculo e faz grande sucesso com o público, sendo logo contratado pelo dono, que irá aproveitar-se dele. Ele ainda arranja tempo para se apaixonar pela acrobata, filha desse mesmo proprietário.

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