Do realizador Jean-Marc Vallée, com a participação de Matthew McConaughey, Jared Leto e Jennifer Garden, “O Clube Dallas” é um filme arrebatador.

Começa por impressionar pela incrível mudança de visual do ator principal que perdeu cerca de 20 kg para representar o papel de Ron Woodroof, um cowboy americano, homofóbico, mulherengo e abusador de drogas, que descobre ser seropositivo, numa época em que a SIDA era ainda considerada a ‘doença dos homossexuais’. Ao contrário do que seria de esperar Ron, a quem é dado apenas um mês de vida, não baixa os braços e procura a todo o custo lutar pela sua vida, expondo os esquemas da indústria farmacêutica, e acabando por apoiar outros pacientes, traficando medicamentos que não eram aprovados pelo governo americano.

O que muitos ignoram é que o filme destaca ainda as questões do preconceito e o estereótipo para com a comunidade LGBT. Ron, que se interessa por perceber como um heterossexual pode ser infetado pelo vírus VIH, e que é fortemente ostracizado pelos seus antigos amigos, acaba por procurar dados científicos e desconstruir a sua ideia pré concebida, aproximando-se da comunidade LGBT, por interesse em vender os seus medicamentos.

Este comportamento repercute-se num crescimento psicológico e emocional da personagem, que se desenrola, delicadamente, ao longo do filme, refletido, principalmente, pela construção da forte relação de amizade (anteriormente impossível) entre Ron e Rayon, uma transsexual que luta não só contra a doença mas também contra a discriminação, interpretada por Jared Leto.

Leto tem estado no foco da discussão entre os que o consideram brilhante na sua interpretação, e os que criticam a sua personagem por se tornar ofensiva e negativa para as mulheres transsexuais, por ser um homem na pele de uma mulher. Muitos acreditam que esta imagem pode prejudicar a compreensão da sociedade acerca da transexualidade, razão pela qual preferiam que uma atriz transsexual representasse este papel, apesar de a dado momento no filme Ron se referir a ela como “alguém que nasceu no corpo errado”.

Certo é que mesmo com um budget apertado, o filme aclamado pela crítica e pelos espectadores, consegue ser um drama entusiasmante, com os necessários momentos de descontração e uma interpretação brilhante de ambos os atores, recebeu já dois globos de ouro e está nomeado para seis Óscares. Ficaremos, assim, ansiosamente a aguardar a opinião da academia.

Realização: Jean-Marc Vallée

Argumento: Craig Borten

Elenco: Matthew McConaughey, Jennifer Garner, Jared Leto

EUA/2013 – Drama

Sinopse: Ron Woodroof é um cowboy do Texas cuja vida sofre uma reviravolta quando em 1985 é-lhe diagnosticado o vírus da SIDA e dado 30 dias de vida. Vivem-se os primeiros momentos desta epidemia e os EUA estão divididos sobre como combater o vírus. Ostracizado por muitos dos seus antigos amigos e sem acesso a medicamentos eficazes comparticipados pelo governo, Ron decide tomar conta do assunto e procurar tratamentos alternativos em qualquer parte do mundo por meios legais ou ilegais. Ignorando as regras estabelecidas, o empreendedor Woodroof une forças com um improvável grupo de renegados e marginalizados – que ele próprio teria evitado no passado – e estabelece um “clube de compradores” de enorme sucesso. A sua luta pela dignidade e aceitação é uma história original, inspirada em fatos verídicos, sobre o poder transformador da resiliência.

«O Clube de Dallas» – Cowboys & Kisses
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