Com um novo filme sobre Jesus em mente, Martin Scorsese tem novo encontro com o Papa Francisco

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Foto: Vatican News

O aclamado realizador norte-americano Martin Scorsese, nomeado aos Óscares 2024, foi um dos presentes na Audiência Geral desta quarta-feira, 31, junto ao Papa Francisco na Sala Paulo VI. A visita foi acompanhada pelo veículo oficial do Vaticano, do qual as informações deste texto se originam.

Scorsese, atualmente envolvido na produção de um filme sobre a vida de Jesus, cumprimentou pessoalmente o Papa Francisco na sala adjacente à Sala Paulo VI, presenteando-o com um livro de fotografias durante o encontro.

Shusaku Endō

Após seu mais recente trabalho, o épico “Assassinos da Lua das Flores”, Martin Scorsese volta a se debruçar sobre temas religiosos com a adaptação do romance “A Life of Jesus”, do autor japonês Shusaku Endō (1923-1996), publicado em 1973.

Scorsese já tem experiência em adaptar obras de Endō para o cinema, tendo realizado “Silêncio” (2016), baseado no romance “Chinmoku”, que narra a saga de missionários jesuítas no Japão.

 

Jesus

Em 1988, Martin Scorsese causou polêmica com o lançamento de “A Última Tentação de Cristo”, filme que explorava a vida de Jesus Cristo de uma perspectiva inovadora e humana. Agora, 36 anos depois, o realizador está de volta com um novo projeto sobre o mesmo tema.

 

Segundo Scorsese, o novo filme surgiu após um encontro com o Papa Francisco em maio de 2023, junto a um grupo de artistas. O encontro o inspirou a revisitar a história de Jesus Cristo, desta vez com uma abordagem mais espiritual e focada na fé.

“A Life of Jesus”

Segundo a sinopse oficial, com “A Vida de Jesus” (tradução literal), Endō pretendia “tornar Jesus compreensível em termos da psicologia religiosa dos meus compatriotas não-cristãos e, assim, demonstrar que Jesus não é alheio às suas sensibilidades religiosas”.

Ele argumenta que seu povo estaria mais aberto ao lado maternal de Jesus: a mentalidade religiosa dos japoneses é – assim como era na época em que o povo aceitou o budismo – receptiva a quem “sofre conosco” e que “permite pela nossa fraqueza”, mas a mentalidade deles tem pouca tolerância para qualquer tipo de ser transcendente que julga os humanos com severidade e depois os pune.

Os japoneses tendem a procurar nos seus deuses e budas uma mãe calorosa, em vez de um pai severo. Com este facto sempre em mente, o autor tentou não retratar Deus na imagem paterna que tende a caracterizar o Cristianismo, mas antes retratar o aspecto maternal bondoso de Deus que nos foi revelado na personalidade de Jesus.

O filme

O realizador norte-americano não pretende amarrar a trama a um período específico, buscando conferir à obra uma atmosfera intemporal. Essa escolha é interessante, especialmente se considerarmos que, ao conceber inicialmente “A Última Tentação de Cristo”, Scorsese cogitou ambientá-lo na contemporaneidade antes de optar por um cenário histórico.

 

Ao trazer Jesus Cristo para o mundo atual, Scorsese abre espaço para explorar as ressonâncias da fé e dos ensinamentos religiosos em um contexto social e cultural completamente distinto daquele em que a figura de Cristo viveu.

Questões como o papel da religião na sociedade moderna, a relação entre fé e tecnologia, e a busca por significado em um mundo cada vez mais secularizado podem ser abordadas no novo filme.

 

 

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