Curtas Vila do Conde 2020: Mesmo com a pandemia à porta, o cinema celebra-se

First Cow”, o esperado filme de Kelly Reichardt, é um dos filmes a serem projetados na 28.ª edição do Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema, numa edição desafiadora tendo em conta os tempos que experienciamos e muito mais as ameaças de uma segunda vaga pandémica.

No que diz respeito à programação, tivemos tempo de repensar alguns detalhes no que estávamos a desenvolver e assim tomar decisões que dessem uma melhor resposta aos tempos de incerteza que estávamos a viver.” reafirmou Nuno Rodrigues, diretor do festival, ao Cinema Sétima Arte, que ainda nos garantiu que uma edição 100% online, à imagem de outros congéneres como o Annecy ou o Visions Du Réel, nunca fora uma opção. “Desde o momento que alteramos a data com o aparecimento da pandemia, a nossa principal motivação foi defender a ideia que o festival teria que acontecer presencialmente. O online apenas poderia vir a existir como alternativa. Aquilo que torna especial um festival de cinema é precisamente o seu carácter presencial, a partilha de ideias e obras num determinado momento, local e contexto.

Entre as novidades neste ano irregular (e cada vez mais complexo) em termos de produção cinematográfico, contam-se a inauguração da secção New Voices: “Numa altura em o cinema se debate com novos desafios à sua distribuição, este espaço programático solidifica o compromisso do festival com a descoberta de novas tendências que marcará o futuro do sector.” Nesse contexto, Elena López Riera, Ana Elena Tejera e Ana Maria Gomes serão o trio de vozes a merecer (re)descoberta neste mesmo espaço.

“First Cow” (Kelly Reichardt, 2020)

De forma, a adequar-se a este período incerto e aproximar-se aos seus espectadores e cinéfilos, o festival criou uma plataforma de streaming, que estará disponível à partir do dia 3 de outubro, com um avantajado catálogo de curtas, médias e longas-metragens selecionadas (ver aqui).

Quanto à esperada secção Da Curta à Longa, iremos ao encontro da grande emancipação de um dos habitué do festival, o realizador brasileiro João Paulo Miranda Maria. Aí, será exibido a sua colheita de curtas como o seu trabalho em formato longo – “Casa de Antiguidades” – filme selecionado no hipotético Festival de Cannes deste ano e hoje encarado como um dos possíveis candidatos brasileiros aos Óscares. Foi o escolhido para abrir o evento.

Nuno Rodrigues ainda destacou o leque de nomes reconhecidos e veteranos a deslumbrar-nos as suas novas curtas-metragens; Jafar Panahi, Sergei Loznitsa, Guy Maiden, Cláudia Varejão, Sandro Aguilar e até mesmo Filipa César, assim como o foco ao Isaki Lacuesta, artista espanhol que “acabou por beneficiar com a inclusão de novas obras desenvolvidas em contexto de pandemia e que integrarão a exposição dedicada ao artista na Solar Galeria de Arte Cinemática.” Curtas Vila do Conde apresentará também um leque de produções várias e “peculiares” de Jean-Luc Godard, que vão desde “trailers, publicidades e filmes institucionais”, e ainda a exibição de uma cópia restaurada “O Recado”, primeira longa-metragem de José Fonseca e Costa, integrado na secção Cinema Revisitado.

“Um Fio de Baba Escarlate” (Carlos Conceição, 2020)

Com mais de 280 filmes selecionados, o festival decorrerá entre 3 a 11 de outubro na cidade de Vila do Conde e não só, estendendo-se por Porto, Faro e Lisboa, permitindo com isto “novas possibilidades de encontro entre cineastas e público, uma aproximação entre cinema, os realizadores portugueses e o público a acontecer em várias regiões de Portugal.