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Desobedoc 2022: Regressa ao Cinema Trindade

O Desobedoc – Mostra de Cinema Insubmisso regressa ao Cinema Trindade, no Porto, entre 22 e 25 de abril, depois de uma última edição física em 2019, no CCOP (Círculo Católico Operário do Porto), de uma edição online em 2020 e de uma ausência em 2021. O Desobedoc regressa este ano à casa onde nasceu, em 2014, no Cinema Trindade.

Encerrada desde 2000, a sala de cinema do Porto reabriu em 2014 e 2015 para receber o Desobedoc. “Em 2017 reabriu novamente finalmente e tem estado aberto ao público diariamente com sessões de cinema variadas e com duas salas em pleno uso. O Porto passou a ter novamente uma sala de cinema na cidade. Em 2022, após a pandemia, regressamos a esta sala que abrimos em 2014 e que vemos ser novamente de quem cá vive.”, lê-se no site da mostra de cinema.

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“O Teu Nome É”, de Paulo Patrício

“Este ano, regressamos ao Cinema Trindade, aberto desde 1917 e agora de novo em pleno funcionamento (…) damos o pontapé de partida para a maratona de celebrações dos 50 anos da revolução que decorrem até 2024.”, segundo a organização.

Em jeito de celebração dos 50 anos do 25 de abril, o programa da oitava edição foca-se no “princípio do fim” do regime, abordando “as lutas antifascistas (estudantis, operárias, habitacionais, das mulheres, saúde, políticas), a guerra colonial e a luta anti-colonial (incluindo a deserção), com particular incidência para o ciclo que se iniciou em 1972, e atuais ainda para a reflexão da situação política aos dias de hoje.”

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“JOSEP” (2020), de Aurel

A sessão de abertura realiza-se a 22 de abril, pelas 18h30, na sala Miguel Portas, com dois filmes dedicados ao cinema militante do cineasta francês René Vautier. O primeiro é uma curta documental “Africa 50” (1950), o primeiro filme de René. Um documentário anticolonialista que alerta sobre os verdadeiros erros cometidos nas colónias francesas em África. O filme, considerado um dos primeiros filmes anticoloniais, foi proibido em França durante quarenta anos.

O segundo é “Salut et Fraternité” (2015), de Oriane Brun-Moschetti, um documentário sobre a vida e obra de René Vautier. “Cineasta militante, comprometido, inconformado, humanista, portador de palavras geralmente negligenciadas, René Vautier foi alvo de censura em praticamente toda a sua obra. De câmara na mão, esteve no centro de lutas anti-coloniais e sociais, a favor da paz e da liberdade de expressão.”. O filme conta com o testemunho dos cineastas Jean-Luc Godard, Yann Le Masson e Bruno Muel.

No mesmo dia, à noite, será exibido o documentário “Elas também estiveram lá” (2021), de Joana Craveiro, um documentário poético sobre a invisibilidade das mulheres em acontecimentos históricos, como a ditadura portuguesa de 1926-1974, ou o processo revolucionário de 1974-75.

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Sarah Maldoror (1929-2020)

Outro dos destaques desta edição é a sessão de homenagem a Sarah Maldoror, cineasta militante, associada às lutas contra o colonialismo, uma das primeiras mulheres a dirigir uma longa-metragem num país africano, que cotará com a exibição de dois filmes seus, comentados pela filha Annouchka de Andrade.

O Desobedoc 2022 presta ainda homenagem a Miguel Portas (eurodeputado e fundador do Bloco de Esquerda, falecido em 2012), Gisberta Salce Júnior (transexual, seropositiva, toxicodependente e sem-abrigo, assassinada em 2006 no Porto) e Luísa Moreira (ativista cultural, antiga diretora de cena do Rivoli e militante do Bloco de Esquerda, falecida em 2020).

Do documentário ao cinema de animação e cinema português, o programa inclui filmes como: “JOSEP” (2020), de Aurel, “Dom Roberto” (1962), de Ernesto Sousa (1962), “O teu nome é” (2020), de Paulo Patrício, “Memórias de Uma Falsificadora” (2021), de Catarina Requeijo, “Sambinzanga” (1973), de Sarah Maldoror, “Guerrilla Grannies” (2013), de Ike Bertels, e o clássico “A Batalha de Argel” (1966), de Gillo Pontecorvo.

O Desobedoc é uma iniciativa do Bloco de Esquerda realizada em parceria com a rede Transform! e Associação Cultra.

Como sempre a entrada é livre e o espírito insubmisso.

Ver programa completo aqui.

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A Batalha de Argel” (1966), de Gillo Pontecorvo
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