Destaque da Semana: "Canções do Norte"

O destaque desta semana vai para “Canções do Norte”, da sul coreana Soon-Mi Yoo, um filme-ensaio que pretende mostrar um olhar diferente sobre a Coreia do Norte e os seus habitantes. Nas suas próprias palavras, depois das suas viagens “o que permaneceu foi a beleza das caras e as melodias das canções que carregavam uma emoção genuína que senti consoladora. Comecei a perceber que talvez seja assim que conseguem sobreviver e percebi também que são pessoas que preferem a morte à subjugação e humilhação”. A realizadora intercala imagens de arquivo, material obtido durante as suas visitas à Coreia do Norte (entre 2010 e 2013) e uma entrevista ao pai (onde é evocada a época anterior à divisão das duas Coreias). Em 2014, “Canções do Norte”, integrou a selecção oficial do Festival de Locarno, onde arrecadou o prémio de Melhor Primeiro Filme. “Canções do Norte” estreia hoje nas salas nacionais.

No final da Segunda Grande Guerra, as potências mundiais deixaram de reconhecer a legalidade da ocupação japonesa na Coreia. As forças nipónicas foram obrigadas a render-se à União Soviética, que ocupara o Norte da Coreia, e aos Estados Unidos, que tinham ocupado o Sul. Em 1948, como consequência da divisão da península entre soviéticos e norte-americanos, surgiram dois países independentes: a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. No Norte, um guerrilheiro de nome Kim Il-sung (1912-1994) obteve o poder através do apoio soviético e foi nomeado Presidente Eterno e secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia. No Sul, um político de direita, Syngman Rhee (1875-1965), foi nomeado presidente, tornando-se um ditador até à sua demissão, em 1960. A 25 de Junho de 1950, a Coreia do Norte atravessa o paralelo 38 em direcção à cidade de Seul (capital da Coreia do Sul), dando início à Guerra da Coreia. O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) decide intervir, enviando tropas. Por seu lado, a União Soviética e a China decidem apoiar a Coreia do Norte. A 27 de Julho de 1953, depois de três anos de conflito armado, foi acordado um cessar-fogo e foram assinados os termos do armistício, apesar de nenhum tratado de paz ter sido oficializado. As estimativas apontam para 1,2 milhão de mortes durante o conflito.

Sinopse: Cinecartaz Público