O destaque da semana vai para “No Intenso Agora”, do documentarista brasileiro João Moreira Salles (“Notícias de uma Guerra Particular”, “Entreatos”, “Santiago”), que recuperou as imagens do Maio de Paris e da Primavera de Praga, e juntou-as com os filmes amadores que a sua mãe fez, em 1966, numa viagem à China, em plena Revolução Cultural. O filme antestreou no Festival de Berlin, a que se seguiu o Festival Cinéma du Réel, um dos mais importantes festivais de documentário, onde conquistou o Prémio de Melhor Música (a música foi composta por Rodrigo Leão) e o DocLisboa. “No Intenso Agora” estreia hoje nas salas de cinema nacionais.

Feito a partir da descoberta das cenas que uma turista – a mãe do realizador – filmou na China em 1966, durante o início da Revolução Cultural, No Intenso Agora trata da natureza efémera dos momentos de grande intensidade emocional. Às cenas da China, somam-se imagens de arquivo dos eventos de 1968 na França, na Tchecoslováquia e, em menor extensão, no Brasil. Na tradição do filme-ensaio, o documentário interroga como as pessoas que participaram daqueles acontecimentos – vividos com alegria, encantamento, convicção generosa, medo, decepção, desalento – seguiram adiante depois do arrefecimento das paixões.