Dia Mundial do Autismo: 5 filmes para conhecer e entender o autismo

Dia Mundial do Autismo: 5 filmes para conhecer e entender o autismo

No dia 2 de abril é comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007 com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O TEA é um transtorno que se caracteriza por dificuldades de interação social e comportamentos repetitivos, apresentando diferentes graus de intensidade.

Esta data é de extrema importância, uma vez que ainda existe muita desinformação sobre o TEA, o que pode levar a preconceitos e discriminação. Compreender melhor esse transtorno é fundamental para acabar com o estigma que cerca as pessoas com TEA, que apenas apresentam uma forma diferente de se comportar e de ver o mundo.

De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde, uma em cada 160 crianças possui TEA. Além disso, tem-se observado um aumento de casos em todo o mundo, o que pode ser explicado pelo aumento da conscientização sobre o tema e uma maior busca pelo diagnóstico.

Por isso, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo é importante para incentivar a detecção precoce do TEA e garantir o acesso a terapias, que podem ser decisivas para o desenvolvimento dessas pessoas. É fundamental que a sociedade entenda melhor o TEA e aprenda a conviver com a diversidade, promovendo a inclusão e a igualdade para todos.

Em suma, o autismo é um tema complexo e que tem despertado a atenção da sociedade nas últimas décadas. Ainda há muita desinformação e preconceito em relação ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas a arte pode ser uma ferramenta importante para sensibilizar as pessoas e ampliar o conhecimento sobre o tema. Pensando nisso, o Cinema Sétima Arte separou alguns filmes que abordam o autismo de maneira sensível e respeitosa, e que podem contribuir para uma maior compreensão do TEA e suas particularidades.

No entanto, destacamos que, filmes e outras obras de arte não devem ser vistos como a única fonte de informação sobre o autismo. É necessário buscar informações confiáveis e embasadas em estudos científicos, além de ouvir e valorizar as experiências das pessoas com TEA e suas famílias. A arte pode ser um complemento valioso nesse processo de conscientização e compreensão, mas não deve ser vista como a única forma de conhecer e entender o autismo.

 

Confira:

 

“Rain Man – Encontro de Irmãos” (1988), de Barry Levinson

O autismo é um transtorno complexo que afeta o desenvolvimento social, comunicativo e comportamental das pessoas. É geralmente identificado nos primeiros anos de vida e se caracteriza por dificuldades na interação social, comunicação verbal e não-verbal, comportamentos repetitivos e restritos, e sensibilidade sensorial. Uma das características comuns do autismo é a necessidade de seguir uma rotina estrita, que ajuda a criança a se sentir mais segura e a compreender melhor o mundo ao seu redor.

 

Realizado por Barry Levinson, o longa é um retrato sensível e respeitoso do autismo, mostrando a vida de um homem com síndrome de savant, uma condição rara que muitas vezes acompanha o autismo. O personagem interpretado por Dustin Hoffman exibe comportamentos estereotipados e dificuldades de comunicação, mas também possui habilidades excepcionais em áreas específicas, como cálculo mental e memória fotográfica. O filme oferece uma visão realista e humana do autismo, sem estereótipos ou preconceitos, mostrando como a condição pode afetar a vida de uma pessoa e de sua família.

Além disso, o filme aborda temas universais como a importância da família, o valor da amizade e o poder da empatia. O sucesso de “Rain Man” na bilheteria e nos prémios de cinema é um testemunho da qualidade da produção e da relevância do tema abordado. O longa recebeu oito nomeações aos Óscares e ganhou como Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Ator (Dustin Hoffman) e Melhor Argumento Original.

 

 

Série de filmes “Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los”, de David Yates

A representatividade de personagens autistas na mídia, seja no cinema ou na televisão, tem sido um tema de discussão nos últimos anos. Apesar de haver um aumento na quantidade de personagens autistas em séries e filmes, ainda é um número muito pequeno, e a maioria deles não são protagonistas. É importante ressaltar a relevância de ter personagens autistas na mídia, não só para representar as pessoas com o transtorno, mas também para esclarecer e conscientizar o público sobre o que é o autismo e combater estereótipos.

 

Devido ao desconhecimento sobre o autismo, muitas vezes os personagens autistas podem passar despercebidos pelo público se o tema não for abordado diretamente. Um exemplo disso é Newt Scamander, da franquia Monstros Fantásticos. O ator Eddie Redmayne afirmou em entrevista que o personagem está dentro do espectro autista, mas muitos espectadores não perceberam isso a partir do comportamento do personagem. É fundamental que a mídia faça um esforço consciente para incluir e representar a diversidade do espectro autista e educar o público sobre o transtorno.

 

 

“Extremamente Alto, Incrivelmente Perto” (2011), de Stephen Daldry

A Síndrome de Asperger é uma condição do espectro autista que é caracterizada por um elevado nível de inteligência e dificuldade de socialização. Em “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”, de Stephen Daldry, o protagonista Oskar Schell tem essa síndrome, mas teve uma avaliação inconclusa a respeito do diagnóstico. Oskar é uma criança inteligente, mas tem dificuldades em se relacionar com outras pessoas, exceto com o pai, que ele julga ser o único igual a ele. O garoto muitas vezes ofende as pessoas e não consegue compreender a dor alheia. Por causa disso, a maioria dos críticos rejeitou o filme, mas alguns acreditam que Daldry conseguiu contornar a antipatia pelo personagem com sua sensibilidade característica.

 

A Síndrome de Asperger é uma condição complexa que requer um entendimento maior por parte da sociedade para que sejam criados espaços mais inclusivos para as pessoas que a possuem. O filme foi nomeado ao Óscar de Melhor Filme e Melhor Ator Secundário (Max von Sydow).

 

 

“Farol das Orcas” (2016), de Gerardo Olivares

O filme retrata a história real do biólogo argentino Roberto Bubas, que escreveu o livro “Agustin corazon abierto” depois de sua experiência de vida retratada na produção. Em contraste com a abordagem convencional que considera o autismo como uma doença, o filme retrata o autismo como uma característica neurológica. O personagem principal, Agustin, é baseado em um garoto autista da vida real que é levado pela mãe à Patagônia para ver as baleias, na esperança de ajudar no seu quadro de autismo severo. A mãe espera que um guarda e as orcas possam ajudar o filho a encontrar suas emoções. Agustin, agora com 25 anos, é um artista plástico. A história é um testemunho emocionante da vida de Agustin e do potencial das pessoas com autismo quando suas habilidades únicas são valorizadas e cultivadas.

 

 

“Gilbert Grape” (1994), de Lasse Hallström

O filme “Gilbert Grape” apresenta uma narrativa envolvente que gira em torno de Gilbert Grape (interpretado por Johnny Depp) e seu irmão mais novo, Arnie (interpretado por Leonardo Di Caprio), que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA). O filme retrata de forma sensível os desafios enfrentados por Arnie e sua família, em especial Gilbert, que assume a responsabilidade de cuidar da família após a morte do pai. O longa-metragem aborda o autismo como uma característica única e não como uma doença, retratando a rotina e as interações de Arnie de uma forma realista e respeitosa. Além disso, o filme mostra como a falta de compreensão e de inclusão social pode ser prejudicial para pessoas com autismo e seus familiares.

 

O filme é uma obra de arte que aborda não só a questão do autismo, mas também temas como o cuidado familiar, o isolamento social, a busca por propósito e o amor. A atuação de Leonardo Di Caprio foi tão impactante que lhe rendeu sua primeira nomeação aos Óscares.

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