Dia Mundial do Refugiado: 7 filmes para refletir

Até ao final de 2023, mais de 117 milhões de pessoas permaneciam deslocadas à força devido a perseguições, conflitos, violência e violações de direitos humanos
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“Hotel Ruanda” (2004), de Terry George

O Dia Mundial do Refugiado é uma data internacional designada pelas Nações Unidas para homenagear os refugiados em todo o mundo.

Celebra-se anualmente a 20 de junho e assinala a força e a coragem das pessoas que foram obrigadas a abandonar o seu país de origem devido a conflitos ou perseguições.

A crise

Infelizmente, crises de refugiados têm ocorrido desde os primórdios do que ironicamente chamamos de ‘civilização’. Exemplos incluem o Êxodo bíblico do Egito e a conquista da Gália por César.

Esta realidade também se manifestou nos séculos XIX e XX, durante as duas grandes guerras mundiais, a divisão da Índia (1947-1948), a Guerra de Libertação do Bangladesh (1971), a Guerra do Vietname (1955-1975), a Guerra Soviético-Afegã (1979-1989) e o Genocídio do Ruanda (1994), entre outros episódios marcantes.

Claro que os seus efeitos continuam a fazer-se sentir na contemporaneidade, como resultado de episódios como a Guerra da Síria (2011 – presente), a crise na Venezuela (2014 – presente) e a recente invasão russa da Ucrânia (2021 – presente).

Ampliando a questão, para além da guerra, existem muitas razões pelas quais as pessoas não conseguem permanecer nos seus próprios países. Muitos fogem da violência, da fome, da extrema pobreza, devido à sua orientação sexual ou de género, ou das consequências das alterações climáticas.

Mas também muitos acreditam que têm mais hipóteses de encontrar trabalho noutro país porque têm educação ou capital para procurar oportunidades noutros lugares, podem querer juntar-se a familiares ou amigos, ou querer iniciar ou terminar os seus estudos.

Quantas pessoas refugiadas existem no mundo?

Segundo dados do ACNUR, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, até ao final de 2023, mais de 117 milhões de pessoas permaneciam deslocadas à força devido a perseguições, conflitos, violência, violações de direitos humanos e eventos que perturbam seriamente a ordem pública.

Este número representa um aumento de 8% em relação ao ano anterior, equivalente a um acréscimo de 8,8 milhões de pessoas, continuando uma tendência de aumentos anuais ao longo dos últimos 12 anos.

Este contingente de pessoas inclui: 43,4 milhões de refugiados e outras pessoas necessitando de proteção internacional (um aumento de 8% em relação ao ano anterior), dos quais 31,6 milhões são refugiados sob o mandato do ACNUR, 5,8 milhões são outras pessoas necessitando de proteção internacional, e 6 milhões são refugiados palestinianos sob o mandato da UNRWA.

68,3 milhões de pessoas deslocadas internamente, comparadas com 62,5 milhões em 2022, o que representa um aumento de 9,3% e um aumento de 49% em cinco anos e 6,9 milhões de requerentes de asilo.

Além disso, do total de 117 milhões de pessoas deslocadas à força, cerca de 47 milhões são crianças, o que representa aproximadamente 40%. Até o final de 2023, uma em cada 69 pessoas no mundo estava deslocada à força, correspondendo a 1,5% da população global, quase o dobro do índice registrado há uma década.

A crise no âmbito cinematográfico

Muitos realizadores reconhecem o ato de refugiar-se como uma fonte inspiradora de narrativas.

Tanto é que nos últimos anos, o lançamento de tantos filmes sobre este tema estabeleceu-o praticamente como um género cinematográfico, abrangendo um amplo espectro de originalidade e valor artístico, comparável a qualquer outro.

No que diz respeito à originalidade, o cerne técnico desses filmes pode seguir um modelo familiar, especialmente em dramas ou comédias dramáticas, mas também conseguem impactar diretamente com perspectivas novas ou nunca antes consideradas em géneros como aventura, thriller e animações.

Para explorar esse tópico, montamos uma lista com 7 filmes bem interessantes.

É de salientar que nenhum dos filmes desta lista se foca exclusivamente no ato de refugiar-se, todos exploram eventos tristes, engraçados ou dramáticos através desse tema.

Naturalmente, as opiniões podem divergir, mas cada um destes filmes utiliza o refúgio de maneiras interessantes para entreter, transmitir uma mensagem ou simplesmente contar uma boa história.


“Hotel Ruanda” (2004), de Terry George

Filmado em Ruanda e na África do Sul, “Hotel Ruanda” relata a história verídica de como o gerente do hotel Paul Rusesabagina acolheu 1.268 pessoas que fugiam do genocídio de Ruanda em 1994. O filme foi incluído na lista do American Film Institute dos 100 filmes mais inspiradores de todos os tempos.

A produção foi nomeada para os Óscares nas categorias de Melhor Ator (Don Cheadle), Melhor Atriz Secundária (Sofia Okonedo) e Melhor Argumento Original na 77.ª edição do prémio.

“Bem-vindo” (2009), de Philippe Lioret

O filme de Lioret realça o desespero que muitas pessoas enfrentam ao tentar chegar a Inglaterra, bem como a hostilidade que o norte de França representa para os requerentes de asilo. Simon, que está a passar por um divórcio, conhece Bilal, um candidato a asilo curdo.

“Eu Capitão” (2023), de Matteo Garrone

“Eu Capitão” de Matteo Garrone narra a arriscada jornada de um jovem de 16 anos que parte do Senegal em busca de uma vida melhor. O filme garantiu a Garrone o prémio de melhor realizador no Festival de Cinema de Veneza, em Itália, no ano de 2023, e a Seydou Sarr, o protagonista amador, o prémio de melhor jovem ator.

Sarr dá vida ao personagem fictício Seydou, um jovem amável determinado a alcançar a Itália ao lado do seu primo, Moussa. Cada etapa da jornada apresenta um perigo distinto. Juntos, atravessam o Saara com um grupo de outros migrantes, testemunhando tragédias ao longo do caminho, como a morte de uma mulher que parece desafiar a própria realidade.

Na Líbia, Seydou é detido e submetido a tortura. Finalmente, na última etapa da viagem, ele se encontra a pilotar um barco cheio de migrantes em direção à Itália, o que justifica o título Eu Capitão”. Com uma economia de palavras impressionante, Garrone e Sarr criam um filme autêntico, penetrante e eloquente, que retrata a situação de milhões de pessoas ao redor do mundo.

“Primeiro, Mataram o Meu Pai” (2017), de Angelina Jolie

O filme explora temas de deslocamento forçado, campos de refugiados e deslocados internos. Realizado por Angelina Jolie, Enviada Especial do ACNUR, é um thriller histórico biográfico baseado na vida da ativista cambojana Loung Ung. Desde os 5 anos de idade, Ung foi forçada a ser uma criança-soldado durante o regime comunista do Khmer.

“O Que Traz Boas Novas” (2013), de Philippe Falardeau

O filme de Falardeau é um drama que aborda a vida de um refugiado argelino em Montreal, que assume o papel de professor numa escola primária após o trágico suicídio do professor anterior. O seu doloroso passado permanece desconhecido por todos na escola.

“Dheepan” (2015), de Jacques Audiard

O realizador francês Jacques Audiard foi galardoado com uma Palma de Ouro em Cannes pelo seu drama “Dheepan”, que conta a história de uma família do Sri Lanka que encontrou um novo lar na França, num complexo habitacional nos subúrbios de Paris. Os refugiados enfrentam diferentes tipos de conflitos no seu novo ambiente.

“Flee” (2021), de Jonas Poher Rasmussen

“Flee” é um filme de animação produzido por Riz Ahmed que retrata a história de um refugiado afegão na Dinamarca. O filme recebeu três nomeações para os Óscares de 2022, incluindo Melhor Filme de Animação e Melhor Filme Internacional. A história investiga o passado de Amin Nawabi como refugiado do Afeganistão, enquanto ele se prepara para casar com o seu companheiro na Dinamarca.

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