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A organização do Doclisboa, um dos mais importantes festivais internacionais de cinema documental, revelou esta semana o seu programa completo para a 11ª edição. Segundo a organização vão ser exibidos 244 filmes de 40 países, num “momento de luta pela defesa do cinema em Portugal”.

O Festival Internacional de Cinema abre, no dia 24 de outubro, com “Pays Barbare”, de Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi, que integra a competição internacional e que narra, “através de arquivos, a presença colonial italiana na Etiópia e os mecanismos de subjugação aí utilizados durante a liderança dictatorial de Mussolini”. O encerramento será a 2 de novembro, com “Manuscripts don’t Burn”, do realizador dissidente iraniano Mohammad Rasoulof. “Corajoso e lúcido, o filme é (mais uma) denúncia meticulosa de repressão no Irão, feito por um dos mais destacados realizadores iranianos da actualidade”. Ao longo do festival serão ainda apresentados filmes de outros dois cineastas iranianos dissidentes, Mohsen Makhmalbaf exilado desde 2005 e Jafar Panahi, impedido de filmar no Irão e condenado a seis anos de prisão domiciliária. No entanto, a organização do Doclisboa não pode garantir a presença do realizador como presidente do júri da competição internacional da edição deste ano, para o qual foi convidado e na sessão de encerramento, pois Mohammad Rasoulof, que se encontra no Teerão, está impedido de sair do país.

Paralelamente irão decorrer duas Masterclasses: a Masterclass Alain Cavalier, no dia 1 de novembro na Culturgest, que pretende “debater um modo de cinema enquanto reflexão intimista e gesto do quotidiano, mas também o próprio acto cinematográfico: a relação do corpo que filma com o corpo filmado, o trabalho com câmaras de pequeno formato e meios de produção que levantam questões profundamente actuais. Ocasião igualmente para discutir, entre outras obras do realizador, Irène e Pater, os dois últimos filmes do cineasta.”; e a Masterclass Sylvain George, no dia 31 de outubro na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, que pretende “apresentar excertos da obra do realizador, numa masterclass aberta ao público. Ocasião para perceber métodos de trabalho e propostas de grande qualidade estética e plástica através do uso de câmaras de pequeno formato e de uma equipa que se reduz ao próprio realizador (simultaneamente operador, montador e produtor dos seus próprios trabalhos).”.

Na secção Foco, o Doclisboa irá apresentar cinco sessões dedicadas ao Salvador Allende, sob o título “1973 – 2013. O golpe militar no Chile: 40 anos depois”. “Olhar a evolução de uma cinematografia documental marcada por uma história política dolorosa e agitada – o nascimento da revolução da Unidade Popular de Salvador Allende, o golpe de estado do general Augusto Pinochet e o início da ditadura – significa olhar para o documentário como forma cinematográfica da resistência. O documentário enquanto instrumento para combater o esquecimento criando pontes de pensamento e reflexão sobre as relações que este pode estabelecer com o mundo contemporâneo.”.

No programa de filmes a exibir destacamos: o filme português “E Agora? Lembra-me”, de Joaquim Pinto, na secção competitiva internacional de longas-metragens, que venceu o Prémio FIPRESCI, o Prémio Especial do Juri (o segundo prémio mais importante do festival) e o Prémio do Juri Jovem, no Festival de Locarno 2013; “A Mãe e o Mar”, de Gonçalo Tocha, na secção competitiva portuguesa de longas-metragens, que teve a sua estreia no Curtas Vila do Conde; a curta “Realidade sim. Realidade não. A que estiver”, de Diogo Nóbrega, e a longa “3 Horas para amar”, de Patrícia Nogueira, ambos na secção Verdes Anos; as curtas “O Corpo de Afonso”, de João Pedro Rodrigues e “Redemption”, de Miguel Gomes, ambos na secção Riscos.

 

Competição Internacional de Longas-Metragens

  • The Island of St. Matthews, de Kevin Jerome Everson
  • Nichnasti pa’am Lagan, de Avi Mograbi
  • Feng Ai, de Wang Bing
  • E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto
  • Anita, de Luca Magi
  • Sto Lyko, de Aran Hughes, Christina Koutsospyrou
  • Sangue, de Pippo Delbono
  • Kelly, de Stéphanie Régnier
  • Jai Bhim Comrade, de Anand Patwardhan

Competição Internacional de Curtas-Metragens

  • Natpwe, le Festin des Esprits, de Tiane Doan na Champassak, Jean Dubrel
  • Let Us persevere in what We have resolved before We forget, de Ben Russell
  • Jardin des Deux Rives, de Amel El Kamel
  • A Iucata, de Michele Pennetta
  • Ein Neues Produkt, de Harun Farocki
  • La Huella, de Tatiana Fuentes Sadowski
  • Aşura, de Köken Ergun
  • Cha Fang, de Zhu Rikun
  • Mauro em Caiena, de Leonardo Mouramateus

Competição Portuguesa de Longas-Metragens

  • Os Dias com Ele, de Maria Clara Escobar
  • A Campanha do Creoula, de André Valentim Almeida
  • Vida Activa, de Susana Nobre
  • A Mãe e o Mar, de Gonçalo Tocha
  • Os Caminhos de Jorge, de Miguel Moraes Cabral
  • Twenty-One-Twelve The Day the World didn’t end, de Marco Martins
  • Cara a Cara, de Margarida Leitão

Competição Portuguesa de Curtas-Metragens

  • Untitled, de Jorge Romariz
  • Ao Lugar de Herbais, de Daniel Ribeiro Duarte
  • Tabatô, de João Viana
  • Flor e Eclipse, de Marcelo Felix
  • Where to sit at the Dinner Table?, de Pedro Neves Marques
  • Karukinka. Historias de Muñecos, de Mário Gomes, Elisa Balmaceda
  • Theatrum Orbis Terrarum, de Salomé Lamas

Verdes Anos

  • Reduto, de Pedro Mota Tavares
  • Lazareto, de Diogo Allen
  • A Máquina, de Mafalda Marques
  • Fisherman’s Dream, de Marko Šipka
  • Realidade sim. Realidade não. A que estiver, de Diogo Nóbrega
  • Luiz da Rocha, de Inês Mestre
  • Oriente, Lisboa, de Rui Silveira
  • Onde Judas largou as Botas, de Francisco Ferreira
  • Pavia de Ahos, de Catarina Laranjeiro
  • Ensaio nº1, de Juliana Vaz
  • Maus Caminhos, de Rodrigo Ferreira
  • 3 Horas para amar, de Patrícia Nogueira
  • Escrito na Pedra, de Joana Galhardas
  • …—…, de Hugo Magro
  • The Lucky One, de Zimu Zhang
  • Fúria, de Diogo Baldaia
  • Almas Censuradas, de Bruno Ganhão

Riscos

  • Eclipses, de Daniel Hui
  • Buffalo Death Mask, de Mike Hoolboom
  • Pardé, de Jafar Panahi, Kamboziya Partovi
  • Toxic Camera, de Jane Wilson, Louise Wilson
  • Tokyo Giants, de Nicolas Provost
  • Stardust, de Nicolas Provost
  • Chas Zhyttia Objekta V Kadri (Film Pro Nezniatyi Film), de Aleksandr Balagura
  • Cut, de Christoph Girardet, Matthias Müller
  • Outtakes from the Life of a Happy Man, de Jonas Mekas
  • Lacan Palestine, de Mike Hoolboom
  • The Ugly One, de Eric Baudelaire
  • Allegoria della Prudenza, de João Pedro Rodrigues
  • I’m M, de Christian von Borries
  • Mocracy, de Christian von Borries
  • Contos das Coisas, de Joana Peralta
  • O Corpo de Afonso, de João Pedro Rodrigues
  • Plot Point, de Nicolas Provost
  • Stemple Pass, de James Benning
  • Norte, Hangganan ng Kasaysayan, de Lav Diaz
  • Su Re, de Giovanni Columbu
  • Redemption, de Miguel Gomes